segunda-feira, novembro 12, 2018

EXPOSIÇÕES DE ARTE

Cupido, filho de Vénus e Marte, especialista em ferir de amor os incautos passantes da vida, ele mesmo ferido, não se sabe como nem porquê, nesta escultura de JEAN-BAPTISTE CARPEAUX (1827-1875) em exposição na Calouste Gulbenkian – “Pose e variações. Escultura em Paris no tempo de Rodin.” O sítio da Fundação explica a génese da obra, L´amour blessé: «No Verão de 1873, Carpeaux passou umas semanas de férias com sua mulher e seu filho Charles em casa de Alexandre Dumas (Filho) em Puys, perto de Dieppe. A ideia para esta obra surgiu-lhe quando a criança, após ter feito um ferimento no braço, lhe sorriu através das lágrimas. Passada ao mármore e exposta no Salon do ano seguinte (1874), a obra foi bem acolhida pelo público e pela crítica, uma vez que tinha os ingredientes trágicos necessários para agradar ao gosto burguês e um talento de execução notável, que justificou a execução de mais duas réplicas em mármore, ainda em vida do artista.» Esta peça, no entanto, corresponde à execução em gesso.
=Visita e foto de 11-11-2018=


domingo, novembro 11, 2018

"A STAR IS BORN" (2018)

Remake de uma história antiga - filmes de 1937 e 1976 -, este de 2018 tem como intérpretes principais BRADLEY COOPER (também realizador) e LADY GAGA. Visto hoje, com agrado, no cinema Monumental. 

quinta-feira, novembro 08, 2018


Não toquemos na vida nem com as pontas dos dedos.
Não amemos nem com o pensamento.
Que nenhum beijo de mulher, nem mesmo em sonhos, seja uma sensação nossa.
= Bernardo Soares, O Livro do Desassossego.

quarta-feira, novembro 07, 2018

segunda-feira, novembro 05, 2018

RELENDO MONTAIGNE

Fotos tiradas em Toulouse em Abril deste ano e capa da antologia dos Ensaios da Relógio d' Água. O humanista ANTÓNIO GOUVEIA (natural de Beja), irmão de ANDRÉ GOUVEIA, leccionou no Colégio de Guyenne (Bordéus) onde o irmão era Principal e veio a passar por Toulouse talvez para aprofundar a sua formação em Estudos Jurídicos, talvez por a sua simpatia pela Reforma Protestante não ser bem vista naquela cidade. Deve ter sido mestre de Montaigne no Colégio de Guyenne, frequentado pelo autor dos Ensaios entre 1539 e 1546. Ou então mesmo em Toulouse, durante o curto período que ali residiu, cidade onde Montaigne terá feito estudos de Direito. Isto o que sumariamente apurei de algumas pesquisas feitas.


sábado, novembro 03, 2018

TeSoUrOs LITERÁRIOS

Comprado pelo meu pai em fascículos e depois cuidadosamente encadernado em 3 volumes. Confesso que não li, mas, pelos meus 14 ou 15 anos, outros li que havia lá por casa, e até de maior número de volumes. Referido por Saramago em As Pequenas Memórias: « (...) A Toutinegra do Moinho e cujo autor, se a minha memória ainda esta vez acerta, era Émile Richebourg, de cujo nome as histórias da literatura francesa, mesmo as mais minuciosas, não creio que façam grande caso, se é que algum fizeram, mas habilíssima pessoa na arte de explorar pela palavra os corações sensíveis e os sentimentalismos mais arrebatados. A dona desta jóia literária absoluta, por todos os indícios também resultante de prévia publicação em fascículos, era a Conceição Barata, que o guardava como um tesouro numa gaveta da cómoda, embrulhado em papel de seda, com cheiro a naftalina. Este romance iria tornar-se na minha primeira grande experiência de leitor.»

sexta-feira, novembro 02, 2018

INSTANTÂNEOS


Rodagem do filme "FÁTIMA" em Tomar. A principal praça da cidade convertida em simulação de um local de Ourém, anno Domini de 1917. Ele há coisas...
=Fotos de 30-10-2018=

segunda-feira, outubro 29, 2018

domingo, outubro 28, 2018

PINACOTECA

Pintura de HENRI FÉLIX EMMANUEL PHILIPOTEAUX (1815-1884).
Alphonse de Lamartine, o das Meditações Poéticas, ministro dos Assuntos Interiores do Governo Provisório de 24 de Fevereiro de 1848, rejeitando a bandeira vermelha dos revolucionários junto do Hôtel de Ville da cidade de Paris. A burguesia aos ombros da classe operária e do povo, pois então. Depois viria a II República e a vitória eleitoral, esmagadora, de Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho do dito. E o golpe de 2 de Dezembro de 1851: o presidente da república guindado a imperador. Marx escreveria em O 18 do Brumário de Louis Bonaparte: « Hegel fez notar algures que todos os grandes acontecimentos e personagens históricos ocorrem, por assim dizer, duas vezes. Esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, as segunda como farsa.»


quarta-feira, outubro 24, 2018

BORGES: NADA O MUY POCO SÉ DE MIS MAYORES PORTUGUESES

Se é verdade o que nos é contado em “O Aleph”, então o monumento a JORGE LUIS BORGES, levantado há alguns anos no Jardim do Arco do Cego, em Lisboa, estará contido, por razão acrescida, naquele ponto da casa da calle Garay de Buenos Aires de onde se avistam todos os infinitos locais do universo sem transparência nem sobreposição. 
Isto é, se a casa da calle Garay ainda existir.
= Fotos de 22-10-2018 =

segunda-feira, outubro 22, 2018

REVISITAÇÕES


Dez anos depois volto a este texto. Temas e passagens reproduzidos quase com as mesmas palavras da "Nobel Lecture" de 7 de Dezembro de 1998 na Academia Sueca; a oposição campo / cidade, de Azinhaga e Mouchão de Baixo às dez moradas (em pouco mais de dez anos) na "metrópole lisboeta". Há coisas surpreendentes: aquelas, por exemplo, em que o memorialista alude aos desvios éticos do progenitor e maus tratos infligidos à esposa. Há coisas bonitas: aos dezoito anos, Saramago namorava com Ilda Reis e tinha uma relação de amizade com um pintor de cerâmica da fábrica Viúva Lamego, um tal Chaves a quem encomendou um prato em forma de coração para oferecer à namorada. Tinha pintada uma quadra da sua autoria: «Cautela, que ninguém ouça / o segredo que te digo: / dou-te um coração de louça / porque o meu anda contigo.» 


quinta-feira, outubro 18, 2018


«Quando se está só, está-se a dois. Quando se está a dois, está-se a três. Quando se está a mais que dois, está-se só.»
--- Da folha de sala da exposição SARA BICHÃO / MANON HARROIS na Fundação Portuguesa das Comunicações.

quarta-feira, outubro 17, 2018

RECEITA DE SOPA


Lá iam as duas, no declive dos anos, de passinho curto e conversa branda. Uma curgete, uma cabeça de nabo, uma batata doce… A sopa é muito boa para a saúde, tem vitaminas e favorece o trânsito intestinal. Um dente de alho e dois pés de salsa… Esta parte da receita já não ouvi, é imaginação. Conversa lenta, hidratante. Traziam nas mãos umas revistas coloridas. Consegui ver o título de uma delas: A SENTINELA.


terça-feira, outubro 16, 2018

O PRINCIPEZINHO (IV)





No asteróide 326 vivia um vaidoso.

«Ah! ah! Cá temos um admirador - exclamou o vaidoso mal avistou ao longe o principezinho.
Porque, para os vaidosos, todos os outros homens são admiradores.» 

segunda-feira, outubro 15, 2018

PINACOTECA

PAOLO UCCELLO, tríptico de A Batalha de San Romano (1435-1455/60), hoje repartido pela Galeria dos Ofícios (Florença), pela National Gallery (Londres) e pelo Louvre. Obra de arte referida no Capítulo 6 de O Pintor de Batalhas, de Arturo Pérez-Reverte. O tríptico representa o episódio militar ocorrido a 1 de Julho de 1432 em San Romano, no vale do Arno, entre os exércitos de Florença e de Siena.

domingo, outubro 14, 2018

VOU LENDO


Tanto quanto me permite a leitura do 1º capítulo, avisto um diálogo (eventualmente conflitual, seguramente complementar) entre a pintura e a fotografia. Predadora, ainda que testemunhal, a arte de fotografar em cenários de guerra. É interessante que na sexta-feira passada, no Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro (Sintra), Julieta Monginho, autora de Um Muro no Meio do Caminho, tenha manifestado o seu pudor em fotografar os refugiados do campo da ilha de Chios (Grécia) onde trabalhou como voluntária. Em Pérez-Reverte, O Pintor de Batalhas, o protagonista Faulques descarrega a sua velha Leica 3MD com objectiva de 50 milímetros sobre uma rapariga deitada numa esteira num campo de refugiados do sul do Sudão: « A rapariga era jovem e de uma beleza translúcida apesar da cicatriz horizontal que lhe marcava a testa e dos lábios fendidos (…) pela doença e pela sede. E tudo, a cicatriz, as gretas dos lábios, os dedos finos e ossudos da mão junto ao rosto, as linhas do queixo e a ténue insinuação das sobrancelhas, o fundo do entrançado romboidal da esteira, pareciam confluir na luz dos olhos, no reflexo de claridade nas íris negras, na sua fixa e desesperada resignação. Uma máscara comovedora, antiquíssima, eterna, onde convergiam todas aquelas linhas e ângulos. A geometria do caos no rosto sereno de uma rapariga moribunda.»


sábado, outubro 13, 2018

GRANDE PLANO

JOANNA KULIG em Guerra Fria (2018), filme polaco realizado por Pawel Pawlikowski. Em exibição no Ideal e no El Corte Inglés. Gostei de ver.

quarta-feira, outubro 10, 2018

O PRINCIPEZINHO (III)

O rei do asteróide 325:
«O rei, vestido de púrpura e arminho, encontrava-se refastelado num trono muito simples, mas majestoso.
- Ah! Cá temos um súbdito! - exclamou o rei, mal avistou o principezinho.
E o principezinho pensou com os seus botões:
"Como é que ele pode saber quem eu sou se nunca me tinha visto?"
Ainda não tinha apreendido que, para os reis, o mundo se encontra extremamente simplificado. Todos os homens são súbditos.»

terça-feira, outubro 09, 2018

O PRINCIPEZINHO (II)

Sobre a flor do principezinho, uma flor de que só há um exemplar em milhões e milhões de estrelas:
«Nunca lhe devia ter dado ouvidos. Nunca se deve dar ouvidos às flores. Deve-se é olhar para elas e cheirá-las. A minha, perfumava-me o planeta todo, mas eu não era capaz de dar valor a isso. (...) Não fui capaz de entender nada. Devia tê-la avaliado não pelas suas palavras, mas pelos seus actos. Ela perfumava-me e dava-me luz! Eu nunca devia ter fugido! Devia era ter sido capaz de perceber toda a ternura escondida naquelas suas pobres manhas. As flores são tão contraditórias! Mas eu era novo de mais para a saber amar.»

segunda-feira, outubro 08, 2018

O PRINCIPEZINHO (I)

A metáfora dos três embondeiros que começaram por ser arbustos e depois cresceram até tomarem conta do pequeno planeta. Este era habitado por um preguiçoso que não se ralou com eles e o resultado está à vista.


quarta-feira, setembro 26, 2018

"NA PATAGÓNIA"


Uma das histórias surpreendentes narradas em Na Patagónia é a do militante anarquista Simón Radowitzky, nascido na Ucrânia, de família judia, em 1891, e falecido na Cidade do México em 1956. Diz o autor que na Argentina de princípios do século XX as palavras russo e judeu como que eram sinónimas. Só que este judeu não era como os de há dois mil anos que mataram o Justo. Radowitzky matou à bomba o injusto chefe da polícia de Buenos Aires, coronel Ramón Falcón, tendo sido preso na colónia penal de Ushuaia, na Terra do Fogo. Corria o ano de 1909. Torturado e sodomizado punitivamente pelos seus carcereiros, fugiu da prisão com o apoio de correlegionários, voltando a ser preso e finalmente indultado pelo presidente Yrigoyen, em 1930, «num gesto de boa vontade para com a classe operária». Radowitzky quis voltar à Rússia, desconhecendo que na pátria revolucionária se tinha dado o massacre de anarquistas em Kronstadt. Combateu em Espanha e veio morrer ao México, no mesmo país onde dezasseis anos antes fora assassinado Trotsky.


sexta-feira, setembro 21, 2018

VOU LENDO

Na área de anomalias congénitas do Museu Médico de Siriraj, Banguecoque - uma passagem deste "livro de viagens", 12º capítulo da 3ª parte:
«Talvez uma parte da aversão à morte tenha a ver com o rosto de tristeza que os mortos sempre apresentam. Sisudos, parecem contrariados por terem morrido, como se estivessem a ter um sonho mau.»
Lembrei-me de Ricardo Reis:
O sono é bom pois despertamos dele / Para saber que é bom. Se a morte é sono / Despertaremos dela; / Se não, e não é sono, // Com quanto em nós é nosso a refusemos / Enquanto em nossos corpos condenados / Dura, do carcereiro, / A licença indecisa. // Lídia, a vida mais vil antes que a morte, / Que desconheço, quero; e as flores colho / Que te entrego, votivas / De um pequeno destino.


quarta-feira, setembro 19, 2018

O TRABALHO, O CAPITAL E O PERIGO VERMELHO


NA DÉCADA DE 30, DURANTE O ÊXODO DE MUITOS AMERICANOS PARA A CALIFÓRNIA EM BUSCA DE TRABALHO E DIGNIDADE ---
«Há aí um tipo que se chama Hines. É dono de uns trinta mil acres de terra, com pêssegos e uvas, e tem uma fábrica de frutas de conserva e um lagar. Bem, ele vive constantemente a gritar contra “os malvados vermelhos”. “Esses vermelhos dos diabos levam o país à ruína”, diz ele. “Temos de os enxotar daqui, a esses patifes desses vermelhos.” Bem, um outro tipo que acabava de chegar do Oeste, ouviu a coisa. Coçou a cabeça e disse: “Olhe, senhor Hines, eu estou aqui há pouco tempo. O senhor pode dizer-me quem são esses malvados desses vermelhos?” Bem, rapazes, o Hines respondeu assim: “Um vermelho é um desses filhos da mãe que exigem trinta centavos à hora quando só queremos pagar vinte e cinco.” O rapaz ficou a pensar no caso, coçou a cabeça e disse: “Olhe, senhor Hines, eu não sou nenhum filho da mãe, mas também quero trinta centavos à hora. Quem é que os não quer? Que diabo, senhor Hines, se assim é, então toda a gente é vermelha.”»
--- JOHN STEINBECK, As Vinhas da Ira, tradução de Virgínia Motta.

segunda-feira, setembro 17, 2018

PORT-VENDRES

Port-Vendres, Pays Catalan, France - foto tirada em Abril deste ano quando por lá passei. Referência a este porto de pesca, a propósito das vicissitudes do Reino da Auracânia e Patagónia, no capítulo 8 de Na Patagónia, de Bruce Chatwin, que agora leio. O Reino nunca mudou a sua corte de Paris, mas abriu consulados em diversos pontos do mundo, e também aqui em Port-Vendres. Gostei de saber. 

sábado, setembro 15, 2018

GRANDE PLANO

ASTRID OFNER no papel de Antígona, filha incestuosa de Édipo e Jocasta, desafiadora de Creonte, o tirano de Tebas. Filme Antígona (1992), de Straub-Huillet, segundo a adapatação à cena feita por Brecht em 1948. 

quinta-feira, setembro 13, 2018

ESCOLHAS


Num número antigo da revista Estante (FNAC), leio uma notícia curiosa: um júri constituído por Clara Ferreira Alves, Pedro Mexia, Carlos Reis, Manuel Alberto Valente e Isabel Lucas  elegeu, a pedido da revista, os 12 melhores livros portugueses dos últimos 100 anos. O resultado foi este:
- O Delfim, de José Cardoso Pires
- Os Passos em Volta, de Herberto Helder
- Para Sempre, de Vergílio Ferreira
- Sinais de Fogo, de Jorge de Sena
- Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa 
- Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio
- O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago
- Os Cus de Judas, de António Lobo Antunes
- A Grande Casa de Romarigães, de Aquilino Ribeiro
- A Sibila, de Agustina Bessa-Luís
- Finisterra, de Carlos de Oliveira
- Húmus, de Raul Brandão
Destes, há um que não li.
Se a lista fosse alargada para 15, acrescentaria:
- A Selva, de Ferreira de Castro
- Barranco de Cegos, de Alves Redol
- Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho.


terça-feira, setembro 11, 2018

sexta-feira, setembro 07, 2018

VOU LENDO


O título remete para a fala de Julieta Capuleto no Acto II, Cena 2 de Romeu e Julieta:
What's in a name? That which we call a rose  
By any other word would smell as sweet;
O nome, por si só, não diz nada; diz, sim, daquilo que se sente por determinada pessoa ou coisa. Mesmo com outro nome, seria sentido de igual maneira. Como o perfume da rosa, ainda que a flor não se chamasse rosa.
«Extirpado o nome, ficará o amor,
ficarás tu e eu – mesmo na morte,
mesmo que em mito só» = ANA LUÍSA AMARAL, Abril de 2017.


quinta-feira, setembro 06, 2018


Sou daquelas almas que as mulheres dizem que amam, e nunca reconhecem quando encontram; daquelas que, se elas as reconhecessem, mesmo assim não as reconheceriam. Sofro a delicadeza dos meus sentimentos com uma atenção desdenhosa. Tenho todas as qualidades, pelas quais são admirados os poetas românticos, mesmo aquela falta dessas qualidades, pela qual se é realmente poeta romântico. Encontro-me descrito (em parte) em vários romances como protagonista de vários enredos; mas o essencial da minha vida, como da minha alma, é não ser nunca protagonista.
= Bernardo Soares, O Livro do Desassossego. 

quarta-feira, setembro 05, 2018

RELEITURAS

No primeiro dia do ano e nos que se seguiram ninguém morreu, a inexorável parca já desprovida da sua acerada tesoura. A santa igreja católica está preocupada: se não há morte, não há ressurreição, não há a vida eterna no paraíso celeste. O governo está preocupado: há sectores da economia, como as agências funerárias e as seguradoras, que vão entrar em crise. E os lares de terceira e quarta idades («lares do feliz ocaso») a abarrotarem de velhos que se recusam a partir? Tudo muito complicado, antes a morte que tal sorte.


terça-feira, setembro 04, 2018

POÉTICAS


«O elevador de Santa Justa é um caligrama.»

- ADÍLIA LOPES, Estar em Casa, Assírio & Alvim, 2018.

=Foto de 4-9-2018=

segunda-feira, setembro 03, 2018

GRANDE PLANO


JANE BIRKIN e MICHEL PICCOLI  em La belle noiseuse (1991), de Jacques Rivette, adaptação cinematográfica da narrativa de Balzac Le chef-d´oeuvre inconnu.


quinta-feira, agosto 30, 2018

O POETA DE PONDICHÉRY



Em Jacques o Fatalista, de Diderot, é contada a história do mau poeta que o narrador (Diderot, ele mesmo) aconselha a ir para Pondichéry, feitoria francesa da costa oriental da Índia, para aí tentar fazer fortuna com um negócio de joalheiro. Se o mau poeta se tornasse rico em Pondichéry (como veio a acontecer), continuaria certamente a fazer maus versos, mas teria o conforto da fortuna na sua gorada subida ao Monte Parnaso.
Nos doze poemas de O Poeta de Pondichéry (1986), Adília Lopes glosa as venturas e desventuras desta personagem de Diderot. Pela correspondência literária do enciclopedista, sabe-se que ela existiu na vida real com o apelido de Viguier (nota de rodapé de Pedro Tamen, tradutor da obra para a edição da Tinta da China).
Ainda bem que o homem enriqueceu com os seus negócios: ser mau poeta e ainda por cima pobre é fardo difícil de suportar.

quarta-feira, agosto 29, 2018


Eu não sonho possuir-te. Para quê? Era traduzir para plebeu o meu sonho. Possuir um corpo é ser banal. Sonhar possuir um corpo é talvez pior, ainda que seja difícil sê-lo: é sonhar-se banal - horror supremo.
= Bernardo Soares, O Livro do Desassossego.


segunda-feira, agosto 27, 2018

domingo, agosto 26, 2018

COMPRAS DE FIM-DE-SEMANA


Odes Modernas, ontem, no mercado de livros da estação do Cais do Sodré. L´Oeuvre, hoje, na secção de livros usados da Barata. Sobre este, tenho uma curiosidade a revelar, mas não aqui... Cada um pelo preço de 5 €.

sábado, agosto 25, 2018

RUA DO SOL AO RATO


Ontem, em Lisboa, dei com isto:



O imóvel é de linhas arrojadas e na parede lateral figura um painel de azulejos. Como seria a toca do velho Castilho de «bom senso e bom gosto»? Acontece - assinalável coincidência - que tinha acabado de comprar as Odes Modernas do Antero:

O Passado! essa larva macilenta,
Misto de podridão, tristeza e sombras,
Se morreu...ressurgiu do seu sepulcro!
Bem o vemos andar, pavonear-se
Entre nós, nos vestidos ilusórios
Da triste morte, arremedando a vida,
Passar - e sobre a fronte desse espectro
Bem se vê uma sombra de tiara
Ou de coroa, ao longe, branquejando!