sexta-feira, julho 12, 2019

QUARTETO DE ALEXANDRIA

Um ror de anos depois retomo o "Quarteto de Alexandria" que agora é para levar até ao fim. Justine está praticamente lido, personagens que se movem na vetusta cidade, entre o Delta e o Mareotis, com os fardos existenciais que só a arte do romance nos pode dar. «Só se podem fazer três coisas com uma mulher - disse um dia Clea. - Podemos amá-la, sofrer por ela, ou então fazer literatura.» É capaz de ser verdade.


quinta-feira, julho 11, 2019

terça-feira, julho 09, 2019

GRANDE PLANO

GRACE KELLY (1929-1982) em A Janela Indiscreta (1954), de Alfred Hitchcock. A estreia em Portugal foi em 23 de Março de 1955.


segunda-feira, julho 08, 2019

OS FUZILAMENTOS DE SETÚBAL


Evocação em Setúbal de um episódio pouco conhecido dos alvores da I República.

Excerto do livro de ÁLVARO ARRANJA Dos Fuzilamentos de Setúbal à Ruptura Operariado-República em 1911:
«Quase nada sabemos sobre Mariana Torres e António Mendes, os dois operários mortos em 13 de Março de 1911, em Setúbal, pelas balas da recém-criada Guarda Republicana. Porém, essas mortes (cinco meses após o 5 de Outubro) e a imagem das indefesas operárias conserveiras baleadas na Avenida Luísa Todi, quando lutavam pela sua dignidade como operárias e como mulheres, foram um acontecimento marcante para a relação entre a República e o operariado e a própria evolução histórica da 1ª República.»

= Foto de 7-7-2019=


domingo, julho 07, 2019

PARECE JUSTO...

Da exposição "QUANDO AS MÁQUINAS PARAM", Museu do Neo-Realismo. Excerto do catálogo: « (...) Catarina Botelho destaca o papel da mulher, enquanto sujeito político ativo, assumindo um espaço público ou subjetivo determinante para o seu empoderamento e desequilibrando uma cultura, ainda marcadamente patriarcal.»
= Foto de 4-7-2019=

sexta-feira, junho 28, 2019

RÉGIO E A POLÍTICA


Ideias conhecidas, outras menos conhecidas e incomuns. Os tempos do MUD. Das campanhas de Norton de Matos e Humberto Delgado até à CEUD das legislativas de 1969. A última aparição pública de Régio foi a 8 de Outubro numa conferência de imprensa da lista socialista. No dia seguinte, sofreu o acidente cardíaco de que viria a morrer. Um desentendimento com Vergílio Ferreira, em 1961, por causa de ideias sobre o caso de Angola. Para trás, ficara a polémica na Seara Nova com o jovem Álvaro Cunhal, ano de 1939. Salazar e Marcello Caetano. Artigos do jornal A Rabeca, o soneto-sátira «ao prometido aumento de vencimentos em Janeiro de 1959.» Isto e muito mais. Um livro tocando o essencial do pensamento político e da acção política de José Régio. Sempre útil.
(Livros Horizonte, 2ª edição, 2003)

sábado, junho 15, 2019

EXPOSIÇÕES

Exposição INFINITO VÃO - 90 ANOS DE ARQUITECTURA BRASILEIRA, Casa da Arquitectura, Matosinhos. «A exposição está dividida em seis núcleos, cruzando referências culturais diversas, desde o cinema à música, passando pela literatura, imprensa e design.»
= Fotos de 13-6-2019=

terça-feira, junho 11, 2019

LETRAS SEM TRETAS, diz o autor

LIVRO INDISPENSÁVEL para quem escreve e lê, já de anteriores consultas, veio-me agora à mão por via de um generoso desconto da Feira do Livro. Respigo uma passagem sobre os cânones:
«Os velhos cânones, certamente, vêm sendo ridicularizados, antagonizados, verberados a partir do século XVII. A história da literatura empola-se de convulsões, remoques, brigas, contendas devastadoras entre antigos e modernos, entre realistas e simbolistas, entre inovadores e conservadores. Numa poeirada convulsa em atritos de faísca, emergem e soçobram, geração a geração, movimentos, grupos, correntes, manifestos. Os autores não apenas bichanam e dialogam uns com os outros, também se exaltam e abrem zaragata. Não faltam esgrimas, pateadas, chasqueios, encontrões e bengaladas através das eras. Nos últimos tempos, estas fricções andam bastante amortecidas. Um condicionamento pesadíssimo do gosto, da opinião e, até, das maneiras de estar não deixa muito campo às controvérsias literárias. Mau sinal.»

terça-feira, junho 04, 2019

AGUSTINA (15/10/1922 - 3/6/2019)

Plotino citado por Agustina no explicit de Fanny Owen: « Quando o corpo deixa de existir, isso é devido a que a sua alma e as almas que lhes estão próximas não lhe resultam suficientes. Como pode pois continuar a viver? Mas, então, o que aconteceu? Será que a sua vida desapareceu? Digamos simplesmente que esta vida era o reflexo de uma luz. E não se encontra já aqui.»

sexta-feira, maio 24, 2019

O PROBLEMA DAS LÍNGUAS

Sobre este problema, podemos ir ao episódio da Torre de Babel, Génesis 11, 1-9. Mas Chico Buarque também serve, e é muito a propósito que aqui se recorda. Lido há 3 anos para uma sessão da Comunidade de Leitores de São Domingos de Rana:

«Fui dar em Budapeste graças a um pouso imprevisto, quando voava de Istambul a Frankfurt, com conexão para o Rio. A companhia ofereceu pernoite num hotel do aeroporto, e só de manhã nos informariam que o problema técnico, responsável por aquela escala, fora na verdade uma denúncia anônima de bomba a bordo. No entanto, espiando por alto o telejornal da meia-noite, eu já me intrigara ao reconhecer o avião da companhia alemã parado na pista do aeroporto local. Aumentei o volume, mas a locução era em húngaro, única língua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita. Apaguei a tevê, no Rio eram sete da noite, boa hora para telefonar para casa; atendeu a secretária eletrônica, não deixei recado, nem faria sentido dizer: oi, querida, sou eu, estou em Budapeste, deu um bode no avião, um beijo. Eu deveria estar com sono, mas não estava, então enchi a banheira, espalhei uns sais de banho na água morna e me distraí um tempo amontoando espumas. Estava nisso quando, zil, tocaram a campainha, eu ainda me lembrava que campainha em turco é zil. Enrolado na toalha, atendi à porta e topei um velho com uniforme do hotel, uma gilete descartável na mão. Tinha errado de porta, e ao me ver emitiu um ô gutural, como o de um surdo-mudo. Voltei ao banho, depois achei esquisito hotel de luxo empregar um surdo-mudo como mensageiro. Mas fiquei com o zil na cabeça, é uma boa palavra, zil, muito melhor que campainha. Eu logo a esqueceria (...).»


domingo, maio 19, 2019

GRANDE PLANO

MARYLIN MONROE em Os Inadaptados (1961), de John Huston. Estreia em Portugal no Cinema S. Jorge, Lisboa, a 25 de Janeiro de 1962.

quinta-feira, maio 16, 2019

ANOS 30

Mr. Smith Goes to Washington (1939) ou, no título português, Peço a Palavra. Estreia mundial em Nova Iorque, a 16 de Outubro de 1939, e estreia em Portugal no Cinema Politeama, a 10 de Abril de 1941. Como a corrupção e o poder da imprensa, exercido em mau sentido, podem abalar a concepção de estado democrático e prejudicar os direitos dos cidadãos. Neste caso houve um final feliz. Exibido na Cinemateca na passada terça-feira.


TOPÓNIMOS

Jorge Luís Borges em "Fundação Mítica de Buenos Aires":
(...) um mar que tinha cinco luas de largo
e ainda estava povoado de sereias e endríagos
e de pedras ímanes que enlouquecem a bússola.
Pode parece despropositado, mas não é: há bússolas enlouquecidas em todos os mares.

terça-feira, maio 14, 2019

GRANDE PLANO

RITA HAYWORTH (1918-1987). Do filme Only Angels Have Wings (1939), estreado em Portugal em 11 de Abril de 1940 com o título Paraíso Infernal. 


segunda-feira, maio 13, 2019

ANOS 30

Sim, eu sei: Only Angels Have Wings passa esta tarde na Cinemateca. Com Cary Grant, Jean Arthur e Rita Hayworth. A não perder.


quinta-feira, maio 09, 2019

PINACOTECA

VINCENT VAN GOGH, A Vinha Vermelha (1888), óleo sobre tela 75 x 93, Museu Pushkin, Moscovo.



sábado, maio 04, 2019

A BOCA AS BOCAS

Apenas uma boca    a tua boca
Apenas outra    a outra tua boca
É Primavera    E ri a tua boca
de ser Agosto já na outra boca

Entre uma e outra voga a minha boca
E pouco a pouco a polpa de uma boca
inda há pouco na popa em minha boca
e já na proa de outra boca

Sabe a laranja a casca de uma boca
Sabe a morango a noz da outra boca
Mas que sabe entretanto a minha boca

Que apenas vai sentindo em sua boca
mais rouca do que boca a minha boca
mais louca do que boca a tua boca

--- DAVID MOURÃO-FERREIRA, Música de Cama, antologia erótica, p. 70.


sexta-feira, maio 03, 2019

PINACOTECA

FRANCESCO HAYEZ (1791-1882), O Último Beijo de Romeu em Julieta (1823), óleo sobre tela. 
JULIETA - Tão depressa te vais? Ainda tarda o dia. O que ouvimos é o canto do rouxinol, não o da cotovia. Todas as noites canta no mesmo lugar. É um rouxinol, meu amado.
--- Terceiro Acto, Cena V.

quinta-feira, maio 02, 2019

1º DE MAIO

À beira do Sado, 1º de Maio vermelho, azul e de outras cores. Dia luminoso. Para não esquecer o tempo das trevas.

quarta-feira, abril 24, 2019

TOPÓNIMOS

O nome de Dom Fernando von Sachsen-Coburg und Gotha, vienense protector das artes, marido da Educadora, o tal do segundo casamento morganático, nestas singelas escadinhas ali para o lado de S. Pedro, Sintra, caminho de Santa Eufémia em Domingo de Páscoa ensolarado. 


sexta-feira, abril 19, 2019

QUINTA-FEIRA DE ENDOENÇAS


Seguindo a antiga tradição, tentei ontem visitar sete igrejas. Das sete escolhidas, só quatro estavam abertas: Sé, Santo António, Santo Estevão e Graça. Muito incenso e panos roxos. Bati com o nariz na porta em São Miguel, São João da Praça e Santiago de Lisboa. A igreja da Graça foi a última. Dei comigo a descer a calçada, à procura da buganvília do poema de Gedeão.

quinta-feira, abril 18, 2019

PINACOTECA

THÉODORE GÉRICAULT (1791-1824), Les trois amants, óleo sobre tela, Getty Museum, Los Angeles.

terça-feira, abril 09, 2019

AS CASAS, A VIDA

Foto de Março deste ano. Na zona escura, a mancha branca do canto inferior direito é a casa alpendrada mandada construir pelo meu avô há cem anos. Ali nasceram filhas e filhos, um rancho de gente criado entre afectos e o duro trabalho da terra. Havia vinha e olival, horta, árvores de fruto e animais de criação. Os anos passaram, não cheguei a conhecer o meu avô e os familiares que conheci morreram todos, ou quase todos. Ao fim do dia, quando o tempo está de feição, as nuvens tingem-se das melhores cores do sol. E a casa fica de um branco mais vivo, como um facho desafiador dos recessos da noite. Velha e solitária, não sei quanto tempo durará ainda a velha casa alpendrada. Mas dure quanto durar, não creio poder sobreviver-lhe. Apesar dos sofrimentos por que passam, as casas são sempre as últimas a morrer. E quando não são, dificilmente morrem no coração dos homens que as conheceram e amaram. 
Como diz o poema de Ruy Belo,
«Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas»
 

domingo, abril 07, 2019

SNU

Vi hoje num cinema de pipocas. Gostei da Inês Castel-Branco e do poema de Sá-Carneiro, o Mário:
«Ai, como eu te queria toda de violetas / E flébil de cetim... / Teus dedos longos, de marfim, / Que os sombreassem jóias pretas...»
Quanto ao resto, só medianamente me convenceu...
(Snu, realização de Patrícia Sequeira).


quarta-feira, abril 03, 2019

DRAMA OU TRAGÉDIA?

Litografia por Pedro Augusto Gugliemi

«Contento-me para a minha obra com o título modesto de drama: só peço que a não julguem pelas leis que regem, ou devem reger, essa composição de forma e índole nova; porque a minha, se na forma desmerece da categoria, pela índole há-de ficar pertencendo sempre ao antigo género trágico» - disse Garrett na Memória ao Conservatório Real de Lisboa, 6 de Maio de 1843. O obra em causa termina com a seguinte fala:
«PRIOR (indo buscar os escapulários ao altar-mor e tornando)
- Meus irmãos, Deus aflige neste mundo àqueles que ama. A coroa de glória não se dá senão no céu.»

(Em cena no D. Maria II)


sexta-feira, março 29, 2019

PINACOTECA



MÁRIO DIONÍSIO, [Unhais da Serra], óleo sobre tela, 43x48. Colecção Maria Letícia. Assinado com o pseudónimo J. Chaves, 1944.


quinta-feira, março 28, 2019

TRISTESSE BEAU VISAGE (Paul Éluard)

A jovem Cécile, narradora e protagonista, tinha uma "fórmula lapidar" que inspirava a sua vida. Era de Oscar Wilde: « O pecado é a única nota de cor viva que subsiste no mundo moderno.» Por sinal, tinha sido educada num colégio de freiras.

terça-feira, março 26, 2019

PERCURSOS DA VIDA


Abro uma sebenta de há uns bons anos e encontro anotadas, com a devida explicação, estas palavras: enfiteuse, reguengo, escambo, jugada, ouvidor, almotaçaria, almotacé ou almotacel, finta, pragmática, tenência. Nos percursos da vida, a satisfação de reconhecermos as nossas pegadas!


segunda-feira, março 25, 2019

A TERRA PROMETIDA


Rosa de Sharon, filha mais velha dos Joad, é uma das personagens mais interessantes da epopeia desta família de Oklahoma em demanda de um futuro digno na Califórnia. Nela se deposita a esperança ingénua dos pobres na construção de uma nova vida. A sua aspiração a uma casa (e com um frigorífico) onde pudesse criar em boas condições o filho que em breve nasceria, é comparável à de Horácio em A Lã e a Neve. Contava para isso com Connie, o marido, que acabou por lhe fugir no fim da atribulada viagem para a terra prometida. Rosa de Sharon não chegou a compreender, como compreendeu o seu irmão Tom (e também, amargamente, o protagonista do romance de Ferreira de Castro), a necessidade de se ultrapassar a acção individual, de se juntarem os homens e as mulheres com vista a lutarem pela concretização dos seus sonhos. O filho esperado nasceu morto e os seus úberes, prontos para criar uma vida, deram alimento a um velho moribundo que já pouco tempo de vida podia esperar. Que me lembre, não vi nada de igual em outro romance.


sábado, março 16, 2019

quarta-feira, março 06, 2019

PINACOTECA


EUGÈNE DELACROIX (1798-1863), A Barca de Dante ou Dante e Virgílio nos Infernos (1822), Museu do Louvre, Paris.


segunda-feira, março 04, 2019

UM VAGO ABORRECIMENTO DE EXISTIR

«Quanto a mim, não tenho aborrecimentos, não me falta dinheiro, não tenho patrão, nem mulher, nem filhos; existo, e pronto. E o aborrecimento com a existência é tão vago, tão metafísico, que tenho vergonha dele.»
--- Pensamento de Antoine Roquentin, investigador histórico fracassado, enquanto almoçava no Restaurante Bottanet com o Autodidacta, seu conhecido da Biblioteca de Bouville. 
(No diário de uma terça-feira, depois de terça-feira gorda do ano de 1932.)


segunda-feira, fevereiro 25, 2019

domingo, fevereiro 24, 2019

PINACOTECA



JOAN PONÇ (Barcelona, 1927 - Saint-Paul de Vence, 1984), La mosca (1948), tinta da china e cor sobre cartão. Exposição temporária no Musée d´Art Moderne de Céret. Foto de 18 de Abril de 2018.


quinta-feira, fevereiro 21, 2019

O NOSSO CÔNSUL


Já não ia à Póvoa de Varzim desde o São Pedro do ano passado. Esta semana, sem tronos nem rusgas, lá me encontrei com o nosso cônsul em Havana, Newcastle, Bristol e Paris. Foi bom.
= Foto de 18-2-2019 =