domingo, setembro 22, 2019

EM DEFESA DO CLIMA

GRETA THUNBERG. «Grande é a poesia, a bondade e as danças... / Mas o melhor do mundo são as crianças, (...)»


sábado, setembro 21, 2019


«A vida vai muito mais longe que toda a literatura...»

- Jaime Franco para Lelito em Os Avisos do Destino, de José Régio.

sexta-feira, setembro 20, 2019

NATÉRCIA FREIRE (1919-2004)


Uma das exposições em curso na Biblioteca Nacional sobre escritores nascidos há cem anos. Natércia Freire foi poeta, contista, romancista e jornalista cultural. Diz Teresa Sousa de Almeida, autora da folha da exposição: «O caso de Natércia Freire é muito particular, porque dirigiu o suplemento "Artes e Letras" do Diário de Notícias, entre 1954 e 1974, tendo sido a primeira mulher a fazê-lo, numa altura em que a instituição literária era sobretudo masculina, o que lhe deu uma grande visibilidade. Só muito mais tarde, em 1968, Maria Teresa Horta será convidada para dirigir o suplemento cultural de A Capital.» Sobre o livro de contos A Alma da Velha Casa (1945), há uma curiosa reacção de José Régio, autor do ciclo romanesco A Velha Casa (5 volumes publicados entre 1945 e 1966), em carta para o seu grande amigo Alberto de Serpa datada de Portalegre, 18 de Junho de 1945: «(...) Provas do primeiro volume de A Velha Casa, o qual se chama Uma Gota de Sangue (...) Não confies o título do romance. A Natércia Freire talvez se não tivesse lembrado de chamar a um seu livro A Alma da Velha Casa se o meu título geral se não tivesse espalhado tanto. E eu então, que nisto dos títulos sou duns zelos maníacos e ferozes! Já não lhe perdoo  tal abuso.»

segunda-feira, setembro 16, 2019

EXPOSIÇÕES



"SARAH AFFONSO E A ARTE POPULAR DO MINHO", até 7 de Outubro na Gulbenkian, comemora os 120 anos do nascimento da artista. Na imagem, A Estrela, óleo sobre tela de 1937.
=Foto de 15-9-2019=


sábado, setembro 14, 2019

ANO DE 1919


Escritores nascidos no ano:
= João José Cochofel (1919-1982)
= Natércia Freire (1919-2004)
= Joel Serrão (1919-2008)
com exposições na Biblioteca Nacional;
= Fernando Namora (1919-1989)
com exposição no Museu do Neo-Realismo;
= Sophia (1919-2004)
= Jorge de Sena (1919-1978)
e há certamente mais...

quarta-feira, setembro 11, 2019

GRANDE PLANO

ORNELLA MUTI, no papel de Odette de Crécy, em Un amour de Swann (1984) de Volker Schlöndorff. Adaptado de Proust, pois então.


terça-feira, setembro 10, 2019

PINACOTECA

YASUO KUNIYOSHI (1889-1953), Circus Girl Resting (1925). Pintura exibida na "Advancing American Art", em 1946, exposição que reuniu 79 pinturas a óleo de 45 importantes artistas norte-americanos. A exposição viajou depois de Nova Yorque para Paris e Praga, onde obteve grande sucesso e polémica. O presidente Harry Truman criticou a orientação artística dominante, tendo proferido a propósito deste quadro a célebre declaração racista e reaccionária: « If that is art, then I am a Hottentot.» 

sexta-feira, setembro 06, 2019

UM BANQUINHO...

«Pani Krysia, debruçada sobre a mesa de jantar, saia arregaçada, esticava os braços como se fosse uma cruz, fincando as mãos à toalha de renda. Com o peito espremido no tampo, erguia o queixo para o tecto como se visse o céu. Atrás dela, com os pés apoiados num banquinho, o presidente da Câmara trazia as calças pelos joelhos e dominava a beata puxando-a pelos atilhos do corpete
No capítulo seguinte é o escritor fictício que se pronuncia sobre a fabulação do seu relato: «O gajo não prestava, não valia nada! Um tipo daquele tamanho não chega aonde ele chegou sem se empoleirar. Há quem lhe chame canalhice, eu vi  ali um banquinho, qual é o problema? Tens um banquinho, tens uma história.»
Este é um romance em que a história narrada se confronta com as motivações da narração, as fontes, o poder da fabulação, a angústia da criação, o real e o imaginário. Um bom romance, prémio Leya 2017.

quarta-feira, setembro 04, 2019

ORDEEEEER!

NOT A GOOD START BORIS!, disse o incrível speaker John Bercow. Isto sim, vale a pena, não tem nada a ver com a pasmaceira enfatuada de S. Bento. 

CINEMA PARAÍSO

Uma fantasia americana de 1946 dirigida por Frank Borzage. Apesar da "implausibilidade do argumento" e das "grotescas interpretações dos protagonistas" (João Bénard da Costa), é um filme que engaja o espectador no delírio, no conto de fadas, na música de Rachmaninoff com um invisível Rubinstein ao piano. Uma Catherine McLeod fabulosa e o final feliz que cai sempre bem. Passou ontem na Cinemateca. 

terça-feira, setembro 03, 2019

PINACOTECA

PABLO PICASSO, Retrato de Dora Maar (1937). Mário Dionísio escreveu no prefácio de A Paleta e o Mundo: «A pintura moderna é obra de loucos? A pintura moderna é a verdadeira e única pintura? (...) A pintura moderna é uma parada de monstruosidades ou um encantador jogo decorativo? É uma arte requintada para raros conhecedores apenas ou o garatujar confrangedor de gente inepta e sem gosto?» -- As respostas são dadas ao longo de cinco volumes, 2ª edição pela Europa-América em 1973. Nova edição da Imprensa Nacional-Casa da Moeda em preparação.


domingo, setembro 01, 2019

DIÁRIO

Domingo a escutar a música radiofónica da vida. Aquilo que Amadeus Mozart aconselhou a Harry Haller, o lobo das estepes.

segunda-feira, agosto 26, 2019

GRANDE PLANO


LISE DANVERS no primeiro episódio de Contos Imorais (1973), de Walerian Borowczyk. Filme visto no desaparecido cinema Castil por alturas de 1975. Numa praia, um primo perverso e uma felação ao ritmo da subida da maré. Interessante.


domingo, agosto 25, 2019

NADA DE RESSENTIMENTOS


Agora que se vem falando de Salazar, do projecto de um museu, centro de interpretação, exposição biográfica, cenográfica ou antológica, quiçá multimédia e interactiva, conceitos bem conhecidos dos entendidos, chamem-se eles Irene Pimentel, Nogueira de Brito ou Zé da Silva, dou o meu contributo para a discussão com a parte final do poema "Portugal", de Jorge Sousa Braga:
«Portugal estás a ouvir-me? / Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete e Salazar estava no poder nada de ressentimentos / O meu irmão esteve na guerra tenho amigos que emigraram nada de ressentimentos / Um dia bebi vinagre nada de ressentimentos / Portugal depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas a nado na piscina municipal de Braga / ia agora propor-te um projecto eminentemente nacional / Que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho que Camões lá deixou / Portugal  / Sabes de que cor são os meus olhos? / São castanhos como os da minha mãe / Portugal / gostava de te beijar muito apaixonadamente / na boca »
Este sim, seria um grande projecto! Com o beijo na boca e tudo.

sábado, agosto 24, 2019

DIÁRIO

Dei ontem com outra representação deplorável do poeta Sebastião da Gama, esta em espaço nobre de Vila Nogueira de Azeitão. Tirada polo natural a partir da fotografia na esplanada do forte do Portinho da Arrábida, dá-nos o artista, cujo nome não indaguei, uma espécie de figura serpentinata ao jeito de um maneirismo pós-moderno ou coisa que o valha.
A inauguração do conjunto foi feita em 2007 pelo PR Aníbal C. Silva.

quinta-feira, agosto 22, 2019

DIÁRIO


Almoço frugal, hoje, no exacto lugar de onde tirei a foto. O mar e a serra. Aqui não há pardais, só gaivotas. Sebastião da Gama: «Morreu no Mar a gaivota mais esbelta, / a que morava mais alto e trespassava / de claridade as nuvens mais escuras com os olhos.» - "Elegia para uma gaivota", Campo Aberto (1951), livro dedicado a José Régio e a Virgílio Couto (professor que acompanhou o estágio pedagógico de Sebastião da Gama na Escola Veiga Beirão de Lisboa). 


GRANDE PLANO

NAOMI WATTS em King Kong (2005), de Peter Jackson.


quinta-feira, agosto 15, 2019

DIÁRIO

A ler Siddharta, «um poema indiano». Ainda não escutei o Om, mas estou a gostar. Como diz o brâmane, é preciso pensar, esperar, jejuar. Não sei se bem, mas é o que tenho feito nestes últimos tempos.   

terça-feira, agosto 13, 2019

PINACOTECA

PIETER BRUEGEL, o jovem (1564-1636), Festa de Casamento (1620). Quadro arrestado a Ricardo Salgado em exposição no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, Évora. Fotografia tirada hoje.

quinta-feira, agosto 08, 2019

quarta-feira, agosto 07, 2019

O QUE SE VÊ E OUVE NA TELEVISÃO


Sobre o convite ao advogado PARDAL para ser vice-presidente do sindicato dos motoristas de mercadorias perigosas, diz um dos sindicalistas: o convite surgiu por o dr. ser primo da minha esposa, também irmão de um motorista, etc.  
Esta coisa do “family gate”, de que o governo tem sido vastamente acusado, também se pega à classe operária.
Tenho a impressão de que isto só lá vai com a unicidade sindical.


segunda-feira, agosto 05, 2019

DIÁRIOS E SINCERIDADE

Hoje, veio-me este livro às mãos. É um conjunto de textos diarísticos que abre com o "Diário que Vergílio Ferreira escreveu para Regina Kasprzykowski"(19 de Julho a 14 de Outubro de 1944). E lembrei-me do que deixei escrito num trabalho académico de 2012. Citação:
« Vergílio Ferreira diz no diário que escreveu para Regina Kasprzykowsky (o que constitui uma curiosa derrogação do cânone do género, já que os escritos diarísticos, ainda que por vezes possam ter o próprio diário como interlocutor, costumam ser uma conversa do diarista consigo mesmo): Tu sabes que um diário é sempre falso. Nós somos quase sempre falsos até mesmo quando pensamos, porque o pensar é já desnudar-se uma pessoa perante si mesma. E no primeiro volume de Conta-corrente, regressa a este tema da sinceridade: Volto a isto - porquê? Um subtil ridículo de um "diário", da "confissão" - já o disse. Creio que a única possibilidade de me "pôr a nu" está no saldo de cada romance. O resto é pudor e consequente disfarce. Béatrice Didier vê a questão da sinceridade do diário íntimo como uma querela inútil: Le journal est insincère comme toute écriture; il a le privilège sur d´autres types d´écriture de pouvoir être doublement insincère, puisque, encore une fois, le "moi" est en même temps sujet et object.» 
Pronto. Depois disto, é pensar se vale mesmo a pena escrever um diário.


sábado, agosto 03, 2019

DIÁRIO

No Parque Urbano da Quinta das Conchas, cidade de Lisboa, cuja obra de qualificação recebeu os Prémios Valmor  e Municipal de Arquitectura 2005. É o que se lê numa placa que por lá se encontra, enquanto outra, não menos interessante, lembra ter sido inaugurado pelo edil Santana Lopes. As voltas que, depois disso, já o homem deu! Tirando algumas espécies infestantes, é um lugar ameno, quase poético. A poesia, afinal, é dentro de nós que está, e não nas árvores, nos relvados ou nos lagos. Deu para três quartos de hora de leitura: O Lobo das Estepes, de Hermann Hesse. 
=Foto de 3-8-2019=

quinta-feira, agosto 01, 2019

«Ó SORRISO DO MAR! Ó BÚZIO LONGO»

Representação de Sebastião da Gama no terraço do forte de Santa Maria da Arrábida. Trabalho um bocado risível, feito a partir de uma fotografia de 1947. O forte foi alugado em 1932 a Sebastião Leal da Gama, pai do poeta, para instalação de um restaurante e, mais tarde, uma pousada. Frequentado desde os dez anos pelo autor de Serra-Mãe, ali terão sido escritos alguns dos seus poemas. 
=Fotos de 31-7-2019=

quinta-feira, julho 25, 2019

=Arrábida, foto de 25-7-2019=

Este cheiro do Mar é um convite...

Pobres Vascos da Gama, que deitavam

a sorte ao Mar, em cima de uma prancha,
somente porque as Índias convidavam!

SEBASTIÃO DA GAMA, Cabo da Boa Esperança


sexta-feira, julho 12, 2019

QUARTETO DE ALEXANDRIA

Um ror de anos depois retomo o "Quarteto de Alexandria" que agora é para levar até ao fim. Justine está praticamente lido, personagens que se movem na vetusta cidade, entre o Delta e o Mareotis, com os fardos existenciais que só a arte do romance nos pode dar. «Só se podem fazer três coisas com uma mulher - disse um dia Clea. - Podemos amá-la, sofrer por ela, ou então fazer literatura.» É capaz de ser verdade.


quinta-feira, julho 11, 2019

terça-feira, julho 09, 2019

GRANDE PLANO

GRACE KELLY (1929-1982) em A Janela Indiscreta (1954), de Alfred Hitchcock. A estreia em Portugal foi em 23 de Março de 1955.


segunda-feira, julho 08, 2019

OS FUZILAMENTOS DE SETÚBAL


Evocação em Setúbal de um episódio pouco conhecido dos alvores da I República.

Excerto do livro de ÁLVARO ARRANJA Dos Fuzilamentos de Setúbal à Ruptura Operariado-República em 1911:
«Quase nada sabemos sobre Mariana Torres e António Mendes, os dois operários mortos em 13 de Março de 1911, em Setúbal, pelas balas da recém-criada Guarda Republicana. Porém, essas mortes (cinco meses após o 5 de Outubro) e a imagem das indefesas operárias conserveiras baleadas na Avenida Luísa Todi, quando lutavam pela sua dignidade como operárias e como mulheres, foram um acontecimento marcante para a relação entre a República e o operariado e a própria evolução histórica da 1ª República.»

= Foto de 7-7-2019=


domingo, julho 07, 2019

PARECE JUSTO...

Da exposição "QUANDO AS MÁQUINAS PARAM", Museu do Neo-Realismo. Excerto do catálogo: « (...) Catarina Botelho destaca o papel da mulher, enquanto sujeito político ativo, assumindo um espaço público ou subjetivo determinante para o seu empoderamento e desequilibrando uma cultura, ainda marcadamente patriarcal.»
= Foto de 4-7-2019=

sexta-feira, junho 28, 2019

RÉGIO E A POLÍTICA


Ideias conhecidas, outras menos conhecidas e incomuns. Os tempos do MUD. Das campanhas de Norton de Matos e Humberto Delgado até à CEUD das legislativas de 1969. A última aparição pública de Régio foi a 8 de Outubro numa conferência de imprensa da lista socialista. No dia seguinte, sofreu o acidente cardíaco de que viria a morrer. Um desentendimento com Vergílio Ferreira, em 1961, por causa de ideias sobre o caso de Angola. Para trás, ficara a polémica na Seara Nova com o jovem Álvaro Cunhal, ano de 1939. Salazar e Marcello Caetano. Artigos do jornal A Rabeca, o soneto-sátira «ao prometido aumento de vencimentos em Janeiro de 1959.» Isto e muito mais. Um livro tocando o essencial do pensamento político e da acção política de José Régio. Sempre útil.
(Livros Horizonte, 2ª edição, 2003)

sábado, junho 15, 2019

EXPOSIÇÕES

Exposição INFINITO VÃO - 90 ANOS DE ARQUITECTURA BRASILEIRA, Casa da Arquitectura, Matosinhos. «A exposição está dividida em seis núcleos, cruzando referências culturais diversas, desde o cinema à música, passando pela literatura, imprensa e design.»
= Fotos de 13-6-2019=

terça-feira, junho 11, 2019

LETRAS SEM TRETAS, diz o autor

LIVRO INDISPENSÁVEL para quem escreve e lê, já de anteriores consultas, veio-me agora à mão por via de um generoso desconto da Feira do Livro. Respigo uma passagem sobre os cânones:
«Os velhos cânones, certamente, vêm sendo ridicularizados, antagonizados, verberados a partir do século XVII. A história da literatura empola-se de convulsões, remoques, brigas, contendas devastadoras entre antigos e modernos, entre realistas e simbolistas, entre inovadores e conservadores. Numa poeirada convulsa em atritos de faísca, emergem e soçobram, geração a geração, movimentos, grupos, correntes, manifestos. Os autores não apenas bichanam e dialogam uns com os outros, também se exaltam e abrem zaragata. Não faltam esgrimas, pateadas, chasqueios, encontrões e bengaladas através das eras. Nos últimos tempos, estas fricções andam bastante amortecidas. Um condicionamento pesadíssimo do gosto, da opinião e, até, das maneiras de estar não deixa muito campo às controvérsias literárias. Mau sinal.»

terça-feira, junho 04, 2019

AGUSTINA (15/10/1922 - 3/6/2019)

Plotino citado por Agustina no explicit de Fanny Owen: « Quando o corpo deixa de existir, isso é devido a que a sua alma e as almas que lhes estão próximas não lhe resultam suficientes. Como pode pois continuar a viver? Mas, então, o que aconteceu? Será que a sua vida desapareceu? Digamos simplesmente que esta vida era o reflexo de uma luz. E não se encontra já aqui.»

sexta-feira, maio 24, 2019

O PROBLEMA DAS LÍNGUAS

Sobre este problema, podemos ir ao episódio da Torre de Babel, Génesis 11, 1-9. Mas Chico Buarque também serve, e é muito a propósito que aqui se recorda. Lido há 3 anos para uma sessão da Comunidade de Leitores de São Domingos de Rana:

«Fui dar em Budapeste graças a um pouso imprevisto, quando voava de Istambul a Frankfurt, com conexão para o Rio. A companhia ofereceu pernoite num hotel do aeroporto, e só de manhã nos informariam que o problema técnico, responsável por aquela escala, fora na verdade uma denúncia anônima de bomba a bordo. No entanto, espiando por alto o telejornal da meia-noite, eu já me intrigara ao reconhecer o avião da companhia alemã parado na pista do aeroporto local. Aumentei o volume, mas a locução era em húngaro, única língua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita. Apaguei a tevê, no Rio eram sete da noite, boa hora para telefonar para casa; atendeu a secretária eletrônica, não deixei recado, nem faria sentido dizer: oi, querida, sou eu, estou em Budapeste, deu um bode no avião, um beijo. Eu deveria estar com sono, mas não estava, então enchi a banheira, espalhei uns sais de banho na água morna e me distraí um tempo amontoando espumas. Estava nisso quando, zil, tocaram a campainha, eu ainda me lembrava que campainha em turco é zil. Enrolado na toalha, atendi à porta e topei um velho com uniforme do hotel, uma gilete descartável na mão. Tinha errado de porta, e ao me ver emitiu um ô gutural, como o de um surdo-mudo. Voltei ao banho, depois achei esquisito hotel de luxo empregar um surdo-mudo como mensageiro. Mas fiquei com o zil na cabeça, é uma boa palavra, zil, muito melhor que campainha. Eu logo a esqueceria (...).»


domingo, maio 19, 2019

GRANDE PLANO

MARYLIN MONROE em Os Inadaptados (1961), de John Huston. Estreia em Portugal no Cinema S. Jorge, Lisboa, a 25 de Janeiro de 1962.

quinta-feira, maio 16, 2019

ANOS 30

Mr. Smith Goes to Washington (1939) ou, no título português, Peço a Palavra. Estreia mundial em Nova Iorque, a 16 de Outubro de 1939, e estreia em Portugal no Cinema Politeama, a 10 de Abril de 1941. Como a corrupção e o poder da imprensa, exercido em mau sentido, podem abalar a concepção de estado democrático e prejudicar os direitos dos cidadãos. Neste caso houve um final feliz. Exibido na Cinemateca na passada terça-feira.