terça-feira, setembro 19, 2017

CINEMA PARAÍSO

A Star is Born (1954) de George Cukor com Judy Garland e James Mason. Passou hoje na Cinemateca nas escolhas de Luís Miguel Cintra para o programa de Setembro. Um grande musical e uma homenagem ao cinema. Arrebatador.
 

segunda-feira, setembro 11, 2017

FRUTO DE SETEMBRO

Ruy Belo, Transporte no Tempo (1973). O livro contém duas partes: “Monte Abraão” e “Nau dos Corvos”. A primeira regista uma dedicatória e uma epígrafe. Dedicatória: «Ao Senhor Joaquim Baltasar, banheiro da Senhora da Guia». Epígrafe: «O pessimismo de Antero é mais alegre que o seu optimismo e a sua fé mais desoladora que a sua descrença» (Fernando Pessoa). A praia da Senhora da Guia era a que Ruy Belo frequentava em Vila do Conde, não distante do local onde os liberais de 1832 tentaram o desembarque depois conseguido em Mindelo. E Antero viveu na cidade entre 1881 e 1891. A sua casa foi entretanto recuperada e aberta ao público. Memórias que tenho de Vila do Conde, fruto de Setembro e do Outono, mas sem uvas do castigo e enterro sob o sol.  

 

domingo, setembro 03, 2017

INGRID THULIN (1926-2004)

Uma das figuras femininas mais interessantes dos filmes de Ingmar Bergman. Ao lado de outras como Bibi Andersson e Liv Ullmann. Aqui em O Rosto (1958), embora a sua mais extraordinária aparição seja talvez em Morangos Silvestres, filme de 1957.
 

quarta-feira, agosto 30, 2017

CINEMA PARAÍSO

Uma variante do mito fundado por Tirso de Molina. Além de D. Juan, comparece Pablo, o criado do sedutor, e ainda o justiceiro Convidado de Pedra. A fabulosa Bibi Andersson no papel principal. Anda tudo à volta de um velho provérbio irlandês: «A castidade de uma jovem é um terçolho no olho do diabo.» Daí o confronto entre as forças de Deus e as de Satanás. Quem ganhou? Talvez as duas. -- O Olho do Diabo, de Ingmar Bergman - Cinema Nimas, ciclo "Um Verão com Ingmar Bergman".
 
 
 

domingo, agosto 27, 2017

PINACOTECA


A ler Adoecer, de Hélia Correia, obra de ficção inspirada na figura de Elizabeth Siddal (1829-1862), modelo, poeta, pintora e musa da Irmandade Pré-Rafaelita. Hoje, no Museu Gulbenkian, calhou fotografar O Espelho de Vénus (1877), de Edward Burne-Jones, artista da fase final do movimento também referido no livro.
 
 

domingo, agosto 20, 2017

quinta-feira, agosto 17, 2017

CINEMA PARAÍSO

Não é fácil falar da emoção, da inquietação, do sobressalto que este filme provoca no espectador. A América do Norte intensa, do deserto de Mojave, dos motéis e das estações de serviço perdidas na imensidade das planícies áridas. E há os sentimentos. O que é uma mãe? O que é um pai? O que somos nós? Um grande marco do cinema, servido por belos actores e actrizes, um hino à beleza. VISTO E REVISTO TERÇA-FEIRA, 15 DE AGOSTO, NA SESSÃO ESPECIAL DO CINEMA MONUMENTAL. Até às tantas.
 

quarta-feira, agosto 16, 2017

À SOMBRA DA FRONDOSA ÁRVORE


Lendo o poema LXXVIII de Terceira Idade
 
Assim se fazem as cousas
 
Com as lousas
às costas sempre andámos e andamos
 
Só que tarde o sentimos
e então é que surpresos deciframos
mistérios de que antes rimos
 
MÁRIO DIONÍSIO
 



quinta-feira, julho 20, 2017

VIPASCA

Por razões que se prendem com a preparação de uma próxima deslocação a Vipasca, recupero este texto antigo para leitura dos interessados. Alea jacta est.


quarta-feira, julho 19, 2017

POIESIS

Segundo a nota que antecede o poema, JOSÉ GOMES FERREIRA está de férias no Senhor da Serra (Coimbra), hospedado em casa de uma tal Sra. Rosinha. Por debaixo do seu quarto há um porco que "toda a noite grunhe em forma de símbolo".

Eh! vizinho porco,
todo o dia de borco
a foçar na terra onde nasceu!
Ensine ao aldeão
a sua lição
de pensar menos no céu
e mais no chão.

(Na terra, camponês,
também há estrelas
que tu não vês...
Mas hás-de vê-las.)

JOSÉ GOMES FERREIRA, Poeta Militante 2º volume, "Província" (1945), poema XXXVI.

quinta-feira, julho 13, 2017

CITADOR

Belo e vivo é o que fulge e passa. Tudo o que fica é das pedras e da morte.
--- Vergílio Ferreira, Cântico Final, capítulo VII.

sábado, julho 01, 2017

MITO DA CRIAÇÃO

Abri as pernas
para dar luz ao sol.
O calor derretia-se nas minhas costas
e a sua luz
iluminava os meu joelhos.
As articulações, ao rodar,
transformaram-se em música
que se apaziguava com o passar do tempo.
Abri os braços
e dos seios nasceu a lua.
Então a tua língua
ergueu-se para a humanidade inteira.

--- LOURDES ESPÍNOLA, tradução de Albano Martins, As Núpcias Silenciosas.


terça-feira, junho 27, 2017

PINACOTECA

CRISTINO DA SILVA, Cinco artistas em Sintra (1855): Francisco A. Metrass, Tomás  da Anunciação, Vitor Bastos, Cristino da Silva e José Rodrigues. Os saloios, em trajes de domingo, observam o trabalho do artista. Ao fundo, entre brumas, o Palácio da Pena. ---Museu Nacional de Arte Contemporânea (Chiado), Exposição "A Sedução da Modernidade 1850-1910".
 

segunda-feira, junho 26, 2017

PALÁCIO DOS CONDES DE COCULIM



«(…) a alta pedra de armas dos Mascarenhas no cunhal de um prédio do Arco de Jesus, onde teria sido uma porta da cerca moura, (…) o portal neoclássico do palácio dos condes de Coculim, que Mascarenhas eram, armazéns de ferro, nisso deram as grandezas, (…)» -- JOSÉ SARAMAGO, História do Cerco de Lisboa
----- Depois das vicissitudes por que passou o vetusto palácio, veja-se a transformação do edifício: hotel de luxo em vias de abrir, acrescentado e lavado, mantendo o cunhal de armas e o portal neoclássico. [Foto de 25-6-2017]
 

quarta-feira, junho 21, 2017

CINEMA PARAÍSO

O filme O Baile dos Bombeiros, de Milos Forman, hoje na sessão da noite da Cinemateca Portuguesa. «Uma metáfora de todo o corrupto e incompetente sistema soviético», assim o classificou o realizador depois de ter deixado a Checoslováquia.
Produção Checoslováquia/Itália, 1967.
 

segunda-feira, junho 19, 2017

quinta-feira, junho 15, 2017

quarta-feira, junho 14, 2017

FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO (7)


I
Gosto de si, disse
com os olhos
ainda na infância da noite.
Não acreditei, que uma coisa
é o que os olhos dizem
e outra, bem diferente,
o que a pele sente.
II
Numa ponte do Sena,
ou do Arno,
os amantes inscrevem os nomes
em cadeados que prendem às grades
e deitam as chaves
ao rio. Promessas
de amor eterno
sobre as águas mudáveis de Heraclito.
III
Os rios,
água íntima dos lábios,
segundo li em Fiama. Antemanhãs
de insondáveis pélagos.

13-6-2017




segunda-feira, junho 12, 2017

NOITE DE SANTO ANTÓNIO


Um importante milagre do taumaturgo português vem referido em História do Cerco de Lisboa – o da mula que se ajoelhou ante a hóstia sagrada, desmontando as heréticas pretensões dos que negavam a presença de Cristo naquela partícula do corpo de Nosso Senhor. Em prédio da Rua do Milagre de Santo António, ao Castelo, há um painel azulejar que assinala o prodígio. Pela minha parte, não entendendo nada de tão elevados assuntos, limito-me a escrever estes versos em redondilha maior:
Ó meu rico Santo António
Ó rico Santo Antoninho
A mulher é um demónio
Que dá amor e carinho
Tenho dito. E agora que venha a festa.


quinta-feira, junho 08, 2017

PRÉMIO CAMÕES

(...)
Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.
(...)
MANUEL ALEGRE, O Canto e as Armas, "Poemarma"

segunda-feira, junho 05, 2017

CINEMA PARAÍSO

Belle de Jour (1957), de Luis Buñuel, com Chaterine Deneuve. Amanhã às 21:30 na Cinemateca Portuguesa.
 
 

FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO (6)

GUSTAV KLIMT, Danae (1907)
A casa parada, o pó sobre os móveis e os tapetes húmidos, um vento súbito metendo-se pelas frinchas das portas e janelas, o desafio. É tarde, tão tarde que a casa hesita nos alicerces de pedra e sonho, como se aquele fosse um falso vento e ali chegasse fora de horas por um insondável desvario atmosférico. São sempre horas de encher a casa de palavras, de arrancar das paredes as velhas fotografias silenciosas, de descobrir devagar o sentido ignorado das coisas. A casa é, agora, um lugar de esperança.

 

quinta-feira, maio 25, 2017

POESIA CLANDESTINA


Apócrifa, projecto literário em curso – antologia desta revista de poetas  com um prefácio de João Barrento. Em venda no bar/clube nocturno TITANIC SUR MER, Cais da Ribeira Nova, ao Cais do Sodré, onde, às terças-feiras, há “poesia clandestina” com personagens condizentes. O programa pode ser visto aqui: 
De um poema de ELSA OLIVEIRA, “A Cesariny”:
«Conheci-te em Elsinore.
A desmesura dos teus passos cruzou-se acidentalmente
com a embriaguez dos meus,
e eu achei que era belo tropeçar
para a estética gargalhada geral.» (...)
 

quarta-feira, maio 24, 2017

THE 13th LETTER (1950), de Otto Preminger

Ontem, mais um fabuloso Preminger na Cinemateca. Na imagem, as cabeças do elenco: Linda Darnell (1923-1965) e Michael  Rennie (1909-1971).

terça-feira, maio 23, 2017

A REALIDADE DA FICÇÃO

Exposição patente na Sociedade Nacional de Belas-Artes. João Motta (1949), que se define como "sintetizador cultural", estabelece pontes entre diferentes formas de expressão criativa, a política internacional e a consciência. O resultado aponta para o conceito de "instalação", os diversos trabalhos expostos dialogando entre si e como "actores" de dois filmes interpelantes: Human Characters e Earth 2. Não dá para explicar com mais clareza, o melhor, mesmo, é ir ver.
 
 

sexta-feira, maio 19, 2017

BONJOUR TRISTESSE (1958), DE OTTO PREMINGER

Passou hoje na Cinemateca, a estupenda Jean Seberg no papel principal –  um anjo louro, tocado pelo pecado, num éden da riviera francesa. Script baseado no livro de Françoise Sagan e, talvez por isso, só em 1974, dezasseis anos após a sua estreia mundial, pôde ser exibido em Portugal. Ainda com Juliette Greco, David Niven e Deborah Kerr. Muito bom.
 

quinta-feira, maio 18, 2017

TABERNA ANTI-DANTAS


Na Rua de São José, em Lisboa

MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!
José de Almada-Negreiros
poeta d´Orpheu
Futurista
e
tudo
 

quarta-feira, maio 17, 2017

A COR E O AMOR

O Nosso Amor (2012), óleo sobre tela, 100x100cms.
Da exposição retrospectiva de ANTÓNIO CARMO (1949) na Biblioteca Nacional, Maio a Agosto de 2017.

domingo, maio 14, 2017

FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO (5)

 
 
«Algum dia o poema será a buganvília / pendente deste muro da Calçada da Graça. / Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família, / e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.» Só que a buganvília da fotografia, se é que é mesmo buganvília, não atapeta o passeio da Calçada da Graça, mas o tejadilho de um automóvel estacionado no passeio da Calçada da Tapada, perto da Rua da Creche, caminho da Igreja de Alcântara, numa tarde de luz sob um pálio movente de nuvens esparsas. É tudo tão singular quando chamamos as buganvílias em nosso auxílio. «Mas antes desse dia há-de secar a buganvília», diz o poeta, e também há-de acabar a Calçada da Tapada, o automóvel, o muro e o gradeamento que cavalga o muro, digo eu. «Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso / que é o mais leve de tudo que se pode supor, / será esse o momento de o poema ser flor, / mas já não é preciso.»
--- Os versos citados são de ANTÓNIO GEDEÃO, Linhas de Força, "Poema da buganvília".
 

sexta-feira, maio 12, 2017

FÉ, ESPECTÁCULO E INDIGNAÇÃO

Na “Introdução à leitura de Confissão dum Homem Religioso”, obra de José Régio, escreveu Orlando Taipa: «Visitara Portalegre, em 12 de Maio desse ano [1947], a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima e pareceram-lhe [a ele, José Régio] tão descomandadas as manifestações com o mais grosseiro feiticismo, o mais chão paganismo, a mais rasteira idolatria – desde o ridículo dos programas que anunciavam a visita até às arengas de certo frade franciscano – , que deveras se indignou.» Hoje – 100 anos depois das aparições – o espectáculo grotesco que é fornecido pelos canais de televisão (ávidos de audiências) rivaliza com as arengas sobre o milagre obrado pelos pastorinhos na criancinha brasileira,  enquanto as figuras cimeiras do estado (laico) se ajoelham ante o jesuíta Bergoglio e a sua cúria. Com o devido respeito pelos crentes, continua a haver motivo de  indignação.

 

segunda-feira, maio 08, 2017

THE CIRCLE (2017)

O poder das redes sociais da Internet, à escala global, sem possibilidade de regulamentação pelos estados nacionais. E se, de repente, os utilizadores da rede passassem a andar com uma microcâmara ao peito, tornando “transparentes” os detalhes da suas vidas quotidianas? E se a própria rede pudesse servir para o exercício  do direito de voto, substituindo os serviços públicos na organização das eleições? Um filme que se vê com interesse.  
 

domingo, maio 07, 2017

NA CARTOON XIRA - EXPOSIÇÃO ATÉ 28 DE MAIO

Este ano com uma ala dedicada a Quino, o criador de Mafalda –  a menina que odeia sopa e adora os Beatles –  e também dos seus companheiros Manolito, Felipe, Susanita e Liberdade.