terça-feira, setembro 29, 2020

FOI BONITA A FESTA, PÁ


A CASA DA ACHADA FEZ 11 ANOS

FESTA NO SÁBADO E DOMINGO, 26 E 27 DE SETEMBRO

 

- Inauguração da nova exposição colectiva de pintura AS PASSADAS PROLONGADAS NOUTROS PASSOS.

 

- Leitura a várias vozes do Drama de Vincent Van Gogh, conferência proferida por Mário Dionísio, em 17 de Março de 1951, na Sociedade Nacional de Belas Artes.

 

- Leitura do conto de Mário Dionísio «Assobiando à vontade», por Inês Nogueira e Artur Pispalhas.

 

- Actuação do Coro da Achada e do Teatro Comunitário da Casa da Achada.

 

Houve ainda um bolo de velinhas, vinhos finos e acepipes variados.



quinta-feira, setembro 24, 2020

MEMÓRIAS DE FILMES - Barbarella e o Anjo

E aqui estou ante a memória vaga desta Barbarella (1968) que ROGER VADIM foi buscar à banda desenhada para desempenho erótico de JANE FONDA. Há cenas esquisitas de sexo, higiénicas e breves, mas ao que parece satisfatórias. A Barbarella deitou-se com o Anjo no seu ninho e gostou. E tudo isto no futuro, lá muito para diante, século quatrocentos ou qualquer coisa assim.Vi há uma data de anos e não voltei a pôr-lhe a vista em cima. Dizem-me que está no YouTube, qualquer dia vou lá. 

terça-feira, setembro 22, 2020

COBOIADAS

El Dorado (1967), de Howard Hawks, com os monstros sagrados John Wayne e Robert Mitchum, além desta destemida Michele Carey, rapariga de dedo rápido no gatilho e muita graça feminina. Vi numa destas noites na Fox Movies, abençoada noite.

sexta-feira, setembro 18, 2020

POEMA DO CORAÇÃO, SEM CADEADOS

Eu queria que o Amor estivesse realmente no coração,
e também a Bondade,
e a Sinceridade,
e tudo, e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração.
Então poderia dizer-vos:
«Meus amados irmãos,
falo-vos do coração»,
ou então:
«com o coração nas mãos».

Mas o meu coração é como o dos compêndios.
Tem duas válvulas (a tricúspida e a mitral)
e os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos).

(...)

--- O resto em ANTÓNIO GEDEÃO, Linhas de Força, 1967. 

= Foto de 17-9-2020 =


quarta-feira, setembro 16, 2020

PINACOTECA

ARPÁD SZENES (1887-1985), Retrato de Maria Helena Vieira da Silva sentada ao cavalete a pintar (1942). Têmpera sobre folha de jornal,  62 x 46 cm, Museu Colecção Berardo, Lisboa.
= Foto de 15-9-2020.

terça-feira, setembro 15, 2020

BIBLIOTECAS MUNICIPAIS

Horário COVID da Biblioteca de Belém: das 10:00 às 13:30. O vírus ataca da parte da tarde, é melhor não arriscar.
= Fotos de 15-9-2020.

domingo, setembro 13, 2020

IMAGENS DEVOTAS

Nossa Senhora do Cabo entre Santo António e São Marçal.
- Almada, Largo da Boca do Vento, foto tirada hoje.

GRANDE PLANO

BRIGITTE BARDOT no filme Desfolhando a Margarida (1956), quando tinha 22 anos de idade. Uma bela imagem para um domingo bonito. Assim se espera.

sábado, setembro 12, 2020

TRINTA DIAS TEM SETEMBRO...


... e há que aproveitá-los todos.
Porque a vida é mais do que os jornais da televisão, as candidaturas anunciadas, o forrobodó covídico com os seus números ameaçadores, etc., estive ontem com um grupo saudavelmente insensato de amigos a visitar a necrópole neolítica de Quinta do Anjo/Palmela. Além da foto por mim tirada, deixo este link absolutamente confiável sobre o monumento:
É irem lá, caros visitantes do blogue, a coisa situa-se em espaço aberto, não há perigo de contágio!

quinta-feira, setembro 10, 2020

RELEITURAS

A OBRA-PRIMA DE ALVES REDOL, romance escrito há sessenta anos. Quem foi, na vida real, Diogo Relvas, o lavrador «cruel e bondoso, tirano e, não obstante, tocado pela necessidade de justiça»? Com este perfil o definem na contracapa da edição da Europa-América. No prefácio escrito para a obra, Mário Dionísio prefere apresentá-lo como o agrário que trata com «severidade igual quem põe a sua ordem em perigo, sejam criados ou os próprios filhos.» E que reage – com o instinto próprio da sobrevivência – contra os que o ameaçam com as grandes desordens da época: a indústria, os caminhos-de-ferro e o liberalismo. Sim, Diogo Relvas existiu com outro nome em terras de lavoura da lezíria ribatejana. Redol  - neto de campino seu servidor – conhecia-o bem, dizendo no texto “Breve nota de culpa” que precede o romance: «Entre a fábula e a realidade, procurarei relatar o que foi passado à minha beira, não só o que soube e vi, mas também o que inventei  na interpretação imaginosa da história desse homem, meio Deus meio lavrador, cuja sombra ainda hoje se projecta na pausa absurda dos netos, que teimam em prolongá-lo.»  

quarta-feira, setembro 09, 2020

FEIRA DO LIVRO

Comprei ontem: Veneza, na versão de ANTERO DE QUENTAL. Não consta que o autor de Odes Modernas tenha alguma vez visitado a cidade dos Doges, mas sobre ela escreveu num trabalho de tradução dum texto de Thomas George Bonney a que juntou matéria da sua autoria. O artigo de Antero destinou-se à revista A Europa Pittoresca (vol. I, 1881), editada em Paris sob a direcção de Salomão Saragga, seu amigo dos tempos do “Cenáculo” e das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, onde projectava apresentar a conferência, entretanto proibida, “Os Historiadores Críticos de Jesus”. No incipit do artigo, em que Antero são segue o texto inglês de Bonney, escreve-se o seguinte: «Veneza, apesar de decadente, é ainda bela – talvez a mais bela entre todas as cidades da Europa meridional. E, seguramente, entre todas elas, a mais pitoresca, a mais original e a mais plácida, daquela placidez nobre a que os italianos chamam soave austero.»
--- VENEZA, versão de ANTERO DE QUENTAL; organização, introdução e notas de Andrea Ragusa. 2ª edição, Lisboa, 2016.


segunda-feira, setembro 07, 2020

DIÁRIO DA FESTA

A vida vai torta
Jamais se endireita
O azar persegue
Esconde-se à espreita

Nunca dei um passo
Que fosse o correcto
Eu nunca fiz nada
Que batesse certo

--- Neste domingo, Xutos & Pontapés ao cair do pano.


domingo, setembro 06, 2020

DIÁRIO DA FESTA


COISAS QUE VI E OUVI HOJE:

«Querem-nos quietos, confinados e com temor» – Jerónimo de Sousa  a propósito da campanha de intoxicação que rodeou o arranque da Festa do Avante!.

«Ecologia sem luta de classes é jardinagem» – frase atribuída a Chico Mendes em inscrição de T-shirt.

«Estes gajos da JSD devem sofrer de uma disfunção sexual qualquer» – comentário de uma militante comunista sobre o cartaz colocado por aquela organização nas imediações da Festa: «ASSIM SÓ A COVID LEVARÁ AVANTE».

«O verdadeiro vírus é o capitalismo!» – cartaz do Partido Comunista da Grécia.

Episódio contado por Madeira Lopes na sessão de homenagem a Bernardo Santareno: o pai do dramaturgo arrancou em Fátima a azinheira sobre a qual se dizia ter aparecido Nossa Senhora; uma parte foi queimada no local, outra levada para Pernes, para uma fábrica de torneados de madeira, onde serviu de matéria-prima para o fabrico de piões. Um sacrilégio!

Homenagem a Fernanda Lapa.

Revisitação da exposição “A água e as levadas da Ilha da Madeira”. Segundo um relatório governamental de 1939, existiam duas situações extremas e opostas: proprietários de terra carecidos de água e proprietários de água que não possuíam terra, arrendando estes àqueles a água que possuíam por preços incomportáveis. As lutas pelo direito à água culminaram em 1962 no assassinato da jovem Sãozinha. São impressionantes as fotografias do funeral pela ampla participação do povo apesar do clima repressivo que se vivia.

Contas feitas, menos gente que nos anos anteriores.

sábado, setembro 05, 2020

DIÁRIO DA FESTA


A NOITE DE SEXTA-FEIRA esteve fraca (dizem que é habitual), pelo menos nos espectáculos onde os "assistentes de plateia" se faziam notar. Todo o pessoal sentado em cadeiras de plástico cumprindo a distância física recomendada. Só havia agitação nos acordes doidos da Carvalhesa. 
Nada de cerveja ou vinho a partir das 20 horas, só se se comesse qualquer coisa... No pavilhão do Porto, para beber um "fino" tive de mandar vir um jesuíta, assim já se equiparava a uma refeição com permissão de bebidas alcoólicas até às 23... Um pastel de bacalhau ou um rissol seria mais adequado, mas eu já tinha jantado e o jesuíta trouxe-o para casa dentro de um saco de papel improvisado de onde os camaradas retiraram um jogo de talheres...
Os mosquitos subiam insidiosamente das águas mansas do rio, sugavam-me o débil sangue como se fosse um néctar. Felizmente ia prevenido de Fenistil, alívio eficaz da comichão... 
Pelo meio de tudo isto, vi uma exposição que recomendo: "A água e as levadas da Ilha da Madeira". Aí ficam dois apontamentos:

quinta-feira, setembro 03, 2020

ENTÃO VAMOS LÁ À FESTA!

EP, ENTRADA PERMANENTE, comprada hoje no “Centro de Trabalho Vitória”, Avenida da Liberdade, Lisboa – aquele belo edifício modernista desenhado pelo arquitecto Cassiano Branco. Tanto falaram nos jornais, nas televisões e nas redes sociais que me obrigaram a ir lá este ano. Sempre quero ver como a coisa é.

quarta-feira, setembro 02, 2020

"ERA MANHÃ DE SETEMBRO"

Setembro rima com membro, há beijos e passarinhos a cantar, aviões e nuvens a passar - tudo isto e muito mais no poema de Carlos Drummond de Andrade. É só ir ver, não custa nada.
= Tomar, foto de 1-9-2020 =

terça-feira, agosto 25, 2020

JOÃO BENSAÚDE, POETA MENOR

Autógrafo de José Régio oferecido a Maria Aliete Galhoz com poema e desenho relativos ao seu "heterónimo" João Bensaúde. Publicado no nº1, de Dezembro de 1997, da revista Estudos Regianos, Vila do Conde. O poema está incluído, com pequenas alterações, no livro póstumo Colheita da Tarde (1971), organizado por Alberto de Serpa. 

domingo, agosto 23, 2020

CONSELHOS DO O´NEILL


Sigamos o cherne, minha Amiga!
Desçamos ao fundo do desejo
Atrás de muito mais que a fantasia


sábado, agosto 22, 2020

PINACOTECA

VENTURA PORFÍRIO (Castelo de Vide, 1908 - Portalegre, 1998), Poeta de Deus e do Diabo (1958), óleo sobre tela 138,5 x 108 cm. Casa-Museu José Régio, Portalegre.

sexta-feira, agosto 21, 2020

"DJANGO", filme velhinho

Vi ao fim da tarde de ontem num canal de televisão. Não me perguntem qual, pois não me lembro. Spaghetti western de 1966. Conta uma história de vingança contra tenebrosos racistas da América sulista com uma horda de revolucionários mexicanos a fazer das suas e uma triste cidade fantasma esmagada sob o poder dos criminosos tipo Klan. Agora que se fala tanto de racismo, veio mesmo a calhar. Há quem não acredite em racismo, mas lá que o há, há. Na história do filme, havia mesmo. Muito marcantes aquelas cenas dos prisioneiros mexicanos a quem mandavam fugir em correria louca para mais atrás ou mais à frente serem abatidos pelos seus algozes. Tudo se compôs com a ajuda dos esquisitos revolucionários mexicanos e de uma poderosa metralhadora que o herói (Franco Nero) transportava dentro de um caixão. Bem bom, até me consolei. 

quinta-feira, agosto 20, 2020

OBSERVANDO...

Palmela e Parque Natural da Arrábida, 19-8-2020
«Observa 197 aves, 445 escaravelhos, 17 répteis, 106 aranhas, 61 borboletas» e...

terça-feira, agosto 18, 2020

AMIEL E PESSOA


«Uma paisagem é um estado de alma» – frase muito conhecida do diário de Amiel, datada de Lancy, Suiça, 31 de Outubro de 1852. «Passeio de meia hora pelo jardim, sob uma chuva miudinha.– Paisagem de Outono. Céu coberto de cinzento e enrugado em tons diversos, nevoeiros arrastando-se sobre as montanhas que fecham o horizonte; natureza melancólica; as folhas a caírem por todos os lados como as últimas ilusões da mocidade sob o pranto de mágoas incuráveis.» O semi-heterónimo pessoano Bernardo Soares diz no Livro do Desassossego que «a frase [de Amiel] é uma felicidade frouxa de sonhador débil», acrescentando: «Desde que a paisagem é paisagem, deixa de ser um estado de alma. Objectivar é criar, e ninguém diz que um poema feito é um estado de estar pensando em fazê-lo. Ver é talvez sonhar, mas se lhe chamamos ver em vez de lhe chamarmos sonhar, é que distinguimos sonhar de ver.» Falando Soares é como se falasse Pessoa, pois como este disse na célebre carta a Adolfo Casais Monteiro, não sendo a personalidade de Bernardo Soares a sua, não era diferente dela, mas uma simples mutilação: «Sou eu menos o raciocínio e a afectividade.» Entre o professor de Genebra e o ajudante de guarda-livros dum ignorado escritório da Rua dos Douradores ou, melhor dizendo, correspondente de línguas estrangeiras em vários escritórios de Lisboa, vai a distância entre a exaltação das emoções do eu e a despersonalização modernista. Ou, pensando nas duas obras, a diferença que há entre um diário íntimo e uma “autobiografia sem factos”.

segunda-feira, agosto 17, 2020

FANTASIAS NA MADRUGADA

SJ

FESTA DO AVANTE!

A imagem do cartaz é quase bucólica. Umas poucas pessoas sentadas tranquilamente sob os pinheiros, comendo e conversando, como se estivessem num parque de merendas em pleno campo. A Festa não é isto, logo, o cartaz é um engano, um artifício para iludir os censores.
Em outros tempos, a imprensa neo-realista inventou a palavra diamática para se referir a “materialismo dialéctico”. E usava a perífrase “um grande pensador do século XIX” quando queria citar Karl Marx. Eram artifícios para contrariar a lei da mordaça. De certa maneira, o cartaz da Festa cumpre desígnios paralelos.
A Quinta da Atalaia e a do Cabo da Marinha perfazem 30 hectares, área correspondente a 30 campos de futebol, desses que levam 50 000 espectadores. Sendo esperados até 33 000 visitantes por dia, temos cerca de 9 m2 por pessoa. Parece seguro, se não se tiver em conta que os visitantes não se distribuem de modo regular por todo o espaço, mas antes se concentram nos locais dos eventos, nas tendas de comes e bebes, nos pavilhões, no comício, etc. Como o cartaz, esta engenharia de números é um artifício.
Então seria melhor não se fazer a Festa, aceitando como bom o coro de políticos e comentadores que vai nesse sentido? Julgo que não. Precisamos de descartar o conformismo e ir dando pontapés no medo. Como disse Jerónimo de Sousa, a Festa faz-se para dar «um sinal de esperança e de convivência em segurança». É claro que também há os objectivos financeiros, é escusado negá-lo, mas o que gostaria de reter é esta ideia de um sinal de esperança.
Que ele seja visível e a segurança não falte. Por mim, até sou capaz de ir este ano à Festa do Avante!.      
     

sábado, agosto 15, 2020

AGOSTO EM FLOR

Passeio ribeirinho Alhandra - Vila Franca de Xira, manhã cedo de 15-8-2020

Saudoso já deste Verão que vejo,
Lágrimas para as flores dele emprego
        Na lembrança invertida
        De quando hei-de perdê-las.
Transpostos os portais irreparáveis
De cada ano, me antecipo a sombra
        Em que hei-de errar, sem flores,
        No abismo rumoroso.
E colho a rosa porque a sorte manda.
Marcenda, guardo-a; murche-se comigo
        Antes que com a curva
        Diurna da ampla terra.

RICARDO REIS, Odes

quinta-feira, agosto 13, 2020

GRANDE PLANO

VIRGINIA CHERRILL em Luzes da Cidade (1931), de Charles Chaplin, no papel de uma florista cega por quem se apaixona um vagabundo bondoso (o próprio Chaplin). Estreado em Portugal a 3 de Maio de 1932.

quarta-feira, agosto 12, 2020

"HUMILHADOS E OFENDIDOS"

Leitura dos tempos da juventude, volto neste Agosto a Humilhados e Ofendidos, de Dostoievski, romance de 1861.
Terminada a leitura do Capítulo X, percebe-se a densidade psicológica com que são desenhadas as personagens do romance: a perseguição do príncipe Piotr Valkovski a Nikolai Ikhmeniov, a tríade amorosa composta por Natacha, Vania e Aliocha.
Lembrei-me do artigo de João Gaspar Simões no nº 6 da revista presença, de Julho de 1927, com o título “Depois de Dostoievski”. Diz o crítico: «(…) o que mais peculiariza uma novela é o fundo – o subsolo humano em que assenta a sua engrenagem cosmológica.» Contra a valorização do estilo, ou da forma, pelos romancistas franceses do século XIX, Gaspar Simões criticava neles «a concepção do homem uno, típico, consequente», por as personagens reagirem «sempre de modo idêntico, sem uma contradição por onde se manifestasse a sua natureza verdadeiramente humana.» Isto é o que não há em Dostoievski, e por isso as personagens criadas são tão ricas e surpreendentes.

domingo, agosto 09, 2020

AGOSTO AZUL

Palmela, 8-8-2020.
Os Paços do Concelho, edifício seiscentista, e ao fundo a torre de menagem do castelo onde esteve encerrado e morreu (1484) D. Garcia de Meneses, bispo de Évora, também humanista e militar. Curiosa personalidade de muitos atributos. O mal dele foi ter participado na conspiração do Duque de Viseu contra D. João II.

sábado, agosto 08, 2020

terça-feira, agosto 04, 2020

FICÇÕES DO INTERLÚDIO*

Da sombra da árvore, vê-se a calçada e a relva do jardim, o muro que deve ter sido branco e agora é branco sujo, a geometria dos edifícios, a agulha da torre apontada ao céu. Descrever para quê? O lugar do poema é entre o que se vê e o que não se vê, entre o real e o símbolo, entre o sonhado e o vivido. No interlúdio de nós é que tudo acontece.

* O título "Ficções do Interlúdio" pertence a F. Pessoa.

= Foto de 3-8-2020 =


domingo, agosto 02, 2020

AGOSTO AZUL


Neste Verão, o CCB está de praças e jardins abertos para espectáculos de cinema, música e outros eventos. Alguns são de entrada livre, outros têm um preço simbólico. Programa:
Numa altura em que a cultura ainda não deixou o reino cavernoso das plataformas digitais, este é um bom exemplo. Na quinta-feira passada, pude assistir à sessão "Modos de Ler", no Jardim das Oliveiras, com animação de Helena Vasconcelos e participação de mais de 30 leitores. Acho que ninguém apanhou o vírus... 

domingo, julho 26, 2020

NO QUINTAL DA CASA DA ACHADA

Hoje, 26 de Julho, lançamento da nova edição de Sobre Van Gogh, dois ensaios de Mário Dionísio dos anos de 1947 e 1953. Apresentação de Saguenail (Paris, 1955), autor do prefácio. Na foto, entre um bom número de presentes, reconhecem-se Eduarda Dionísio e Regina Guimarães. O pessoal da cultura a sair da caverna.

quarta-feira, julho 22, 2020

COISAS DE OUTROS TEMPOS...

CAFÉ MONTANHA, esquina da Travessa da Assunção com a Rua do Arco Bandeira. Fundado no século XIX, foi encerrado em 1952. Segundo conta João Gaspar Simões em Retratos de Poetas que Conheci, foi aqui que em certo domingo de Junho de 1930 se apresentaram os directores da presença (ele e José Régio) para um encontro com Fernando Pessoa, colaborador da revista que não conheciam pessoalmente. Pessoa, porém, terá vindo à entrevista com a máscara de Álvaro de Campos, e as coisas não correram bem. José Régio foi o que mais sentiu o agravo, ele que era o poeta da sinceridade e tanto tinha feito para dar a conhecer a obra do criador dos heterónimos. Voltou para Coimbra de orelha murcha e coração opresso. Sim, Mário de Sá-Carneiro era mil vezes mais confiável que este fingidor de muitas personalidades. A partir de então, ficou sempre desconfiado de Lisboa e dos seus literatos.

Havia na cidade arranhas-céus, colmeias
De abelhas racionais acomodadas em quartel
Vivendo as vidas próprias como alheias,
Fabricando o seu fel.

--- JOSÉ RÉGIO, primeira quadra do poema "Havia na cidade", Cântico Suspenso, 1968.

terça-feira, julho 21, 2020

PINACOTECA

PAUL-JACQUES-AIMÉ BAUDRY (1828-1886), Madalena penitente

«A maneira de pintar é incapaz de acompanhar Maria Madalena na renúncia. Mais do que outra coisa qualquer, ela é pintada como mulher desejável e disponível. Ela permanece o objecto complacente da sedução do processo pictórico» - JOHN BERGER, Modos de Ver.

segunda-feira, julho 20, 2020

UM DIA DE CADA VEZ

COVID-19: 135 casos, 2 óbitos, 178 recuperados. Hackers publicam passwords de milhares de médicos e enfermeiros do SNS na Internet. Londres mantém limite de lotação nos autocarros, Madrid e Paris não. Medina e Moreira pedem capacidade de endividamento dos municípios. Centeno já está no Banco de Portugal, a providência cautelar do Cotrim não funcionou. Jesus vem de jacto particular para Lisboa, se quiser jogadores do Flamengo o clube que bata as cláusulas de rescisão. Costa leva máscaras e sapatos com solas de cortiça ao Conselho da Europa, a reindustrialização do Silva está em marcha. O tempo continua quente... Na Ericeira, Praia do Matadouro (raio de nome), a temperatura do ar foi hoje inferior em 10º à da região de Lisboa. Muito repousante, e a todos os títulos... Fotos tiradas pela hora do almoço, amanhã é outro dia. 

sexta-feira, julho 17, 2020

"OS AMANTES MOLHADOS" (1973), DE TATSUMI KUMASHIRO

O mais amargo, dramático e surpreendente dos filmes por mim vistos no ciclo "Roman Porno" do cinema Nimas. Uma história de cinema dentro do cinema: Katsu, o protagonista, regressa à terra natal perseguido pelos Yakuza, a máfia japonesa; arranja emprego numa sala de cinema de filmes pornográficos e envolve-se com a patroa, uma mulher mais velha que havia sido abandonada pelo marido; há ainda Yoko e o namorado, com quem vive uma espécie de relação a três; e uma triste rapariga que dá lugar a algumas das cenas mais violentas do filme. No final, quando estaria à beira de ser feliz, é assassinado pelos Yakuza num plano de puro cinema. Surpreendente a censura imposta à película em exibição (cópia digital restaurada), provavelmente no próprio país de origem: grandes tarjas negras sobre certas partes dos corpos nas cenas de sexo explícito. 
Os filmes eróticos "Roman Porno" (ou "Pornografia Romântica") procedem dos estúdios japoneses Nikkatsu com um modo de fazer cinema que se estendeu de 1971 a 2016. Entre outros lugares, este filme apresentou-se em 2002 no Festival de Cinema de Singapura; no festival de Locarno, em Agosto de 2016; na Alemanha, num festival de cinema japonês, em Maio de 2017; ontem estreou-se em Portugal.

quarta-feira, julho 15, 2020

"ROMAN PORNO" NO CINEMA NIMAS

"Roman Porno" que é como quem diz "Porno Romântico". Gymnopédies Escaldantes (Japão, 2016), de Isao Yukisada. Passou ontem à noite no cinema Nimas. «É considerado o título mais sentido, romântico e amargurado dos "Roman Porno", uma dura reflexão sobre a criação de um erotismo intenso», diz-se na folha de sala.

terça-feira, julho 14, 2020

O' NEILL

Deste livro velhinho, da série UMA LISBOA REMANCHADA:

OS ATACADORES

(...)
Ganha os campos, foge, precede-te a ti mesmo
como um homem legalmente espavorido
por anos de critério,
sê repentino como um menino!
(...)