Porque, como disse ontem o Sérgio Godinho, A VIDA É FEITA DE PEQUENOS NADAS.
domingo, setembro 08, 2013
sábado, setembro 07, 2013
COMO CHEGAR A ST MICHEL DE MONTAIGNE
A estação está desactivada, mas é servida, como apeadeiro, duas vezes ao dia. Fica a pouco mais de 3 quilómetros de St Michel de Montaigne, Dordogne. Depois é ir a pé, bebendo a poesia dos campos como os pastores da Arcádia.
terça-feira, setembro 03, 2013
ROMANCEIRO
(...)
- «Renego de ti, demónio,
Que me estavas a atentar!
A minha alma é só de Deus;
O corpo dou eu ao mar.»
Tomou-o um anjo nos braços,
Não no deixou afogar,
Deu um estouro o demónio,
Acalmaram vento e mar;
E à noite a nau Catrineta
Estava em terra a varar.
"A NAU CATRINETA"
- «Renego de ti, demónio,
Que me estavas a atentar!
A minha alma é só de Deus;
O corpo dou eu ao mar.»
Tomou-o um anjo nos braços,
Não no deixou afogar,
Deu um estouro o demónio,
Acalmaram vento e mar;
E à noite a nau Catrineta
Estava em terra a varar.
"A NAU CATRINETA"
segunda-feira, setembro 02, 2013
ISABEL DE ARAGÃO ou RAINHA SANTA ISABEL (Saragoça, 1271 - Estremoz, 1336)
O milagre da consorte do nosso rei trovador evocado num vitral da Cathédrale Notre-Dame Ste-Marie de Dax (Landes):
SEIGNEUR DIT ELISABETH
CE SONT DES ROSES
domingo, setembro 01, 2013
SETEMBRO
Agosto acabou como um milagre inconsútil,
com os seus teares de luz extinguindo-se
na trama roxa da noite.
Continuarei a sentar-me diante do mar,
mas escusas de vir: bastam-me,
na promessa do novo mês,
o sol e o sal sobre a pele,
o triângulo duma vela de barco,
fendendo, como numa epopeia,
a superfície rasa das águas.
1-9-2013
1-9-2013
sábado, agosto 31, 2013
sexta-feira, agosto 30, 2013
AGOSTO É UMA FESTA
Agosto com os seus belos dias de praia e sol. Setembro promete. Acabaram os briefings do governo, mas recomeçam os do Tribunal Constitucional.
quinta-feira, agosto 29, 2013
NO SUSPEITO CONFORMISMO, poema leve com gatos
Gato de Mont-de-Marsan
Os poemas são
poliedros do indizível, irregulares
volutas nas sombras
parietais dos sonhos sonhados.
Por isso – e não por
qualquer outra razão
mais ou menos válida –
é que cada um vê neles
aquilo que muito bem
quer ver:
planície ou montanha, ribeiro
ou estuário, árvore
ou floresta. Já
cheguei a pensar – mas isso
é algo de que muitas
vezes me rio por não ser coisa
de levar a sério – que
os poemas têm parecenças
com os gatos: felpudos
e incertos, belos e perigosos,
fugidios moradores das
nossas almas de donos
angustiados
no suspeito
conformismo
de nos descobrirem
sempre de maneira diferente.
29-8-2013
quarta-feira, agosto 28, 2013
terça-feira, agosto 27, 2013
Estou à beira do mar e espero sob este vento
que risca de cabeleiras brancas a superfície
das águas. Pergunto-me que frases,
que palavras devo dizer que não venham
nos dicionários informais do amor,
que gestos me devo permitir
para além dos imponderáveis acenos
ou dos cerrados encontros das mãos.
Esperarei como se não tivesse feito mais nada
desde o princípio dos tempos,
com o mesmo desejo de quem volta
de uma longa viagem
e abre a porta de casa para morar num novo lugar
ou se abrigar no coração de alguém.
26-8-2013
segunda-feira, agosto 26, 2013
CENOTÁFIO DE GOYA
No Cimetière de la Chartreuse, em Bordéus. Entre outras inscrições, as seguintes: "Mort a Bordeaux en 1828" e "Le celèbre peintre a reposé en face a huit metres d' ici. Ses cendres ont été transportées a Madrid en 1899 et son tombeau a Saragosse en 1927."
domingo, agosto 25, 2013
A TORRE DE MONTAIGNE
"A primeira de todas as coisas deste mundo é saber pertencer a si mesmo. Já é tempo de nos desligarmos da sociedade, posto que nada podemos procurar nela, e a quem não pode emprestar, imponha-se o sacrifício de não pedir emprestado. Quando nos faltar alento, retiremo-nos e concentremo-nos. Aquele que puder deitar por terra, tirando-as das suas próprias forças, as obrigações da amizade e da sociedade, que o faça. No período de decaimento que converte o homem em ser inútil, pesado e importuno para os outros, livre-se de ser importuno para si mesmo, pesado e inútil. Curve-se e acaricie-se, e sobretudo governe-se, respeitando e temendo a sua razão, e a sua consciência até ao ponto em que não possa, sem que o seu poder sofra, tropeçar na presença delas."
MONTAIGNE, Ensaios
sábado, agosto 24, 2013
A VÉNUS COM CORNO
Baixo-relevo do paleolítico superior - Musée d´Aquitaine, Bordéus
Vénus com corno, do ventre inchado e rasgado
na sucessão natural dos compassos lunares.
Ubérrima mãe da humanidade nascente,
Eva sem pecado
– que artista te arrancou à pedra da gruta,
ao olvido glaciar dos profundos milénios?
Não nasceste das águas, como a dos panteões,
não geraste a linhagem de Eneias
de que nos fala o Mantuano no seu poema.
Deusa dum Olimpo sem deuses e arroubos épicos,
Citereia de carne e sangue,
minha avó e
amante.
14-8-2013
sexta-feira, agosto 23, 2013
PONTE-CANAL DE AGEN
Ponte-canal de Agen (Lot et Garonne), 18 de Agosto de 2013. Os barquinhos passam sobre a ponte. Vem-me à memória um filme com Jean Gabin, de 1959: "Le baron de l´écluse".
quinta-feira, agosto 22, 2013
"CYRANO", de Edmond Rostand
Bergerac, 17 de Agosto de 2013
Um Cyrano histórico (1619-1655), cantado na comédia heróica de Edmond Rostand, que na verdade não era de Bergerac, mas de Paris. Poeta, espadachim, mosqueteiro do rei, fidalgo insolente e extravagante, só para efeitos de nobilitação juntou ao seu nome o título "de Bergerac". A cidade ficou-lhe agradecida.
domingo, agosto 11, 2013
"CYRANO DE BERGERAC"
CYRANO:
Quem amo?... Pensa bem. A mim, é-me interdito
sonhar que me amem, pois nem a mais feia o pede,
que sempre um quarto de hora o nariz me precede;
Então, eu amo quem?... Mas já decerto viste!
Amo - mas é forçoso! - a mais bela que existe!
EDMOND ROSTAND, Cyrano de Bergerac, edição bilingue de Vasco Graça Moura, Lisboa, Bertrand Editora, 2007, p. 151.
sábado, agosto 10, 2013
MONTAIGNE - SOBRE A AMIZADE E O AMOR
A afeição para com as
mulheres, embora nasça da nossa escolha, também não se pode equiparar à
amizade. O seu fogo, confesso-o, é mais activo, mais forte e mais rude, mas é
um fogo temerário, inseguro, ondulante e
vário; fogo febril, sujeito a acessos e intermitências e que só se apodera de
nós por um lado. Na amizade, pelo contrário, o calor é geral, igualmente
distribuído por todas as partes, temperado; um calor constante e tranquilo, todo
doçura e sem asperezas, que nada tem de violento nem de possante.
(…) Quanto ao
matrimónio, e o facto de ser um mercado em que só a entrada é livre, se
considerarmos que a sua duração é obrigatória e forçada, e dependente de
circunstâncias alheias à nossa vontade, obedece ordinariamente a fins
bastardos; acontecem nele uma quantidade de acidentes que os esposos têm que
resolver, os quais bastam para romper o fio da afeição e alterar o curso da
mesma, enquanto na amizade não há nada que lhe ponha travões por ser ela
própria o seu fim.
MICHEL DE MONTAIGNE, Ensaios, Lisboa, Amigos do Livro, s/d,
pp. 154-156.
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