quarta-feira, janeiro 16, 2019

432-202


Sempre que vejo imagens do parlamento britânico, admiro aqueles bancos corridos, com estofos de um verde esmeralda, onde se sentam com abnegação os rígidos lawmakers da mais velha democracia do mundo. Não há computadores nem telefones, não há mesas (salvo as que estão ao centro da sala), e as notas tomam-nas os parlamentares sobre os joelhos em simples blocos ou folhas soltas. Computadores, telefones e mesas para escrever são luxos de parlamentos como o português onde, extraordinariamente, os deputados não são info-excluídos e sabem proteger a boca com a mão quando comunicam por telefone os seus estados de alma. Em Westminster, a navegação na Internet, as folhas excel e os demais programas e programinhas ficam para os amanuenses de serviço; os parlamentares entregam-se à arte nobre da oratória e, imagino, marcam as presenças manualmente, assinando em livro de ponto, sem necessitarem de passwords que acabam sempre por ser conhecidas, potenciando sortilégios de ubiquidade e outros fenómenos raros.
Gostei do score e fico à espera dos próximos capítulos. E que dizer de John Bercow, o espectacular speaker?



1 comentário:

Ricardo António Alves disse...

Espectacular, é a palavra!)