segunda-feira, março 19, 2018

VOU LENDO


« – Falei-te uma vez de uma rapariguinha que conheci em Mira, lembras-te? Antes de entrar para a Faculdade…  – Ela assentiu com a cabeça. – Reencontrei-a há poucas semanas. Não aconteceu nada entre nós, mas já poderia ter acontecido, só não aconteceu porque nem eu nem ela quisemos, embora quiséssemos. – Observa-a em silêncio, como se pretendesse seguir os pensamentos da mulher. – Preferimos manter um futuro de reserva , não o gastar já no presente, entendes? Recorrer a ele apenas quando tudo o mais tiver falhado.» --- A superação do tempo linear e a plasticidade das personagens. Uma forma de narrar não tradicional. Cruzamento de planos narrativos, de vozes, avanços e recuos na linha da história.  A sugestão de ambientes, como os que nos são dados por uma câmara de filmar. Mais “aventura da escrita” do que “escrita da aventura”.  Ó meus caros amigos, isto está muito à frente do que agora nos é dado pelos escritores da moda.



1 comentário:

Ricardo António Alves disse...

Mais, meu caro, mais!