quarta-feira, fevereiro 17, 2021

BESTIÁRIO DAS ALMAS

 Tigre (1912), de FRANZ MARC (Munique, 1880 - Braquis, França, 1916)

O peso da denotação fragilizou-lhe os liames para o mundo conotativo.  Só se exprime por aquilo que é certo, seguro e absolutamente verificável. Daí a sua limitada compreensão das metáforas, das hipérboles e das metonímias. Então dos oximoros nem é bom falar. Lê romances com histórias bem contadas, ligando mais aos enredos do que aos processos de linguagem.  Gosta de (alguma) pintura e de (alguma) música, mas com o mistério da poesia nunca marcou encontro. É pessoa determinada, ousada e previsível – como um tigre natural!

Tigre, tigre que flamejas / Nas florestas da noite / Que mão, que olho imortal / Se atreveu a plasmar a tua terrível simetria? (William Blake).  

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