domingo, dezembro 08, 2019

INSTANTÂNEOS

Em fila para entrarem. Café, carioca, descafeinado ou pingo a 5 €.
= Majestic Café, Porto, foto de 7-12-2019 =

quarta-feira, dezembro 04, 2019

GRANDE PLANO

CATHERINE DENEUVE em Belle de Jour (1967). Filme de Luis Buñuel, realizador que viria a dirigir a actriz em Tristana (1970). Belle de Jour foi apresentado em Portugal só em Julho de 1974.


terça-feira, dezembro 03, 2019

VIAGENS (4)

«Que é viajar, e para que serve viajar? Qualquer poente é o poente; não é mister ir vê-lo a Constantinopla. A sensação de libertação, que nasce das viagens? Posso tê-la saindo de Lisboa até Benfica, e tê-la mais intensamente do que quem vá de Lisboa à China, porque se a libertação não está em mim, não está, para mim, em parte alguma.» - Bernardo Soares, Livro do Desassossego.
Marselha, Julho de 2014. Torre da Basílica de Nôtre-Dame de la Garde na colina que domina a cidade. Os testemunhos de graças recebidas são às centenas: uns poéticos, outros nem tanto...

domingo, dezembro 01, 2019

CINEMA

Vi hoje no Cinema Ideal. Documentário-manifesto sobre o Conservatório Nacional, realizado por Miguel Moraes Cabral e Nathalie Mansoux. O património educativo confrontado com a degradação do património material - o velho edifício da Rua dos Caetanos, ao Bairro Alto. Pelo que me dizem, as obras de recuperação já começaram. Assiste-se no filme a perto de duas horas de aulas de música e a conclusão que se tira é que aquela gente - alunos e professores - merece mais. O ensino da música merece mais. No fim, o público bateu palmas como em qualquer concerto.


VIAGENS (3)

«A ideia de viajar nauseia-me.
Já vi tudo que nunca tinha visto.
Já vi tudo que ainda não vi.»
- Bernado Soares, Livro do Desassossego.

Toledo, Junho de 2016. Um enterro a que se assiste com muita satisfação.


sábado, novembro 30, 2019

DIVAS - Patricia JANEČKOVÁ: "Frühlingsstimmen" (Johann Strauss II)

VIAGENS (2)

«Como todo o indivíduo de grande mobilidade mental, tenho um amor orgânico e fatal à fixação. Abomino a vida nova e o lugar desconhecido.» - Bernardo Soares, Livro do Desassossego. 

CYRANO DE BERGERAC (1619-1655), o do nariz proeminente, fotografado em Agosto de 2013 na cidade onde não nasceu. Ao fundo passa o rio Dordogne e perto há boas lojas de vinhos.


sexta-feira, novembro 29, 2019

PINACOTECA

HENDRICK GOLTZIUS (1558-1617), Lot e as suas filhas (1616). Foto tirada no Rijksmuseum, Amesterdão, anno Domini 2013. O pai estava bêbado, miúdas danadas.

quinta-feira, novembro 28, 2019

VIAGENS (1)

«Compreendo que viaje quem é incapaz de sentir» - Bernardo Soares, Livro do Desassossego

Basílica de Santa Giustina, Pádua. Entramos e descobrimos que ali mesmo, num dos braços do transepto, estão os restos mortais de S. Lucas Evangelista. Nem mais, o evangelista representado pelo Touro segundo o Livro de Ezequiel. Lucas morreu na Grécia e os seus ossos andaram por Constantinopla e outros lugares até chegarem a Itália. Em 17 de Setembro de 1998, ao ser aberta a arca de chumbo que os continha, encontrou-se um esqueleto em bom estado de conservação, mas sem crânio. Este, está desde o século XIV na catedral de S. Vito, em Praga, porque uma relíquia dá muito jeito à propagação da fé.
Confortado com tão importante descoberta, dirigi-me para a saída da basílica. Fui então abordado por um padre que me perguntou de que país vinha eu. Respondi-lhe de Portugal e ele, exultando, exclamou: «Fátima!». Um jovem com quem tinha falado umas horas antes, ao saber-me português, gritara: «Ronaldo!». 
Assim se vê a grandeza de uma nação: esta capacidade de suscitar tão diferentes paixões. 


sexta-feira, outubro 18, 2019

PINACOTECA

JOSEFA DE ÓBIDOS (1630-1684), Lactação de São Bernardo de Claraval, óleo sobre tela, Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra. Pintura mística de uma visão de São Bernardo - a mãe de Deus Menino esguichando leite para os seus lábios sequiosos de santidade. 

quinta-feira, outubro 17, 2019

CARTAS A MARIA


A Maria das cartas é a madrasta de Mário de Sá-Carneiro, Maria Cardoso Peixoto, que contraiu matrimónio com o pai do poeta em 4 de Novembro de 1915. Maria tinha na altura 41 anos e Mário 25. As cartas de antes e de depois do casamento mostram uma relação de amizade muito terna, por vezes piegas, com tratamento por tu e vocativos demonstrativos destes sentimentos: «Minha Querida Maria», «Querida Mimi», «Mimi do Mário Querida», «Querido  amor» e «Querida Maria do Mário». Uma das cartas é assinada como «Mário (teu! teu! teu!)»  e outra pelo nome secreto de Bezerro.
Em carta de Paris, de 9 de Agosto de 1914, quando a guerra já havia começado e o pai viajava por África, Mário diz a Maria: «Em primeiro lugar está tranquila. Aqui não corro perigo nenhum! Apenas às 8 horas – cama me fecit (sic) porque fecha tudo!... E há também que andar à pata todo o dia pois os ómnibus andam todos em serviço militar – e o pessoal dos eléctricos e do metropolitano foi todo para a guerra…» E mais adiante: « (…) tenho muita pena da minha querida, querida Mimi pelo preocupada que está – e de resto eu compreendo muito bem. Não julgues tu que não avalio como deves ter andado triste – que não avalio o que tu e o papá devem sofrer. Juro-te que o sei medir muito bem – e que tudo isso, tudo isso me contrista muito. Simplesmente o que havemos de fazer?» Mário estava triste pela separação e pela tristeza dos seus, mas o apelo de Paris, mesmo com uma guerra à porta, era mais forte em si.  


quarta-feira, outubro 16, 2019

PINACOTECA

EGON SCHIELE (Áustria, 1890-1918), Fazendo Amor (1915), lápis e guache sobre papel, Museu Leopold, Viena.


segunda-feira, outubro 14, 2019

50 ANOS DA MORTE DE JOSÉ RÉGIO

Conferência de imprensa da CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, de tendência socialista) em 8 de Outubro de 1969 na Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Sentados, à direita, José Régio e Sophia de Mello Breyner Andersen. Foi a última aparição pública do poeta de Poemas de Deus e do Diabo que viria a falecer a 22 de Dezembro. 
= Fotografia tirada do livro de António Macedo Na outra margem de Abril, Lisboa, Edições "O Jornal", 2º edição, 1989 = 

domingo, outubro 06, 2019

LEITURAS

Aí vai um poema do engenheiro:

Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite,
Cada um a vida das linhas das vigias iluminadas
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada.
Navios que se afastam ponteados de luz na treva,
Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro
Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe do mar.

quarta-feira, outubro 02, 2019

LEITURAS DO DIA

«fui lírico demais / mas só quando me não vias / e escondias de mim / as minhas mãos / feridas // ninguém teve culpa // se nunca te disse amo-te / mesmo às escuras / foi porque não soube // puseram a cal / alinharam as testemunhas // para mim continuas viva»
p. 17.


terça-feira, outubro 01, 2019

FORMA E CONTEÚDO

Esta colectânea reúne vinte e quatro textos escritos entre 1947 e 1970. Alguns deles, publicados em jornais e revistas, foram entretanto remodelados para a edição definitiva em livro. Li hoje o texto com o título "Almanaque Literário", uma reflexão em 12 alíneas sobre a arte, a literatura e o trabalho de criação literária. Trata-se de uma escrita elegante como hoje pouco se vê. Cito umas passagens onde se aborda a questão do estilo e do fundo, que o mesmo é dizer da forma e do conteúdo, achas que foram para a  fogueira das velhas polémicas internas do Neo-Realismo:
«Farei hoje o elogio do estilo. Não ignoro que a "estratégia da glória", tão condicionada à pressa do "triunfo", gasta muito pouco tempo com estas ninharias: estilo, expressão, linguagem, quando não insinua mesmo que são óptimas desculpas para criadores vagarosos, regatos de água quase mortos no estio literário. Não me refiro, claro, aos rios tumultuosos por natureza, onde há uma limpidez profunda de torrente, mas aos charcos que se julgam a caminho do mar, à babugem turva que se toma já pela fosforescência da onda.» 
Em continuação:
«O interesse pelo tratamento da "forma" na obra literária ganha com frequência outra animosidade, a dos partidários do "fundo", que põem o problema no quadro esquemático duma luta mortal entre expressão e conteúdo. Considerar o romance, o poema, como bichos de duas cabeças é desfigurá-los. Entendo mal a incompatibilidade entre uma ideia ou uma imagem e a busca das palavras que as tornam cintilantes. "Procuro encostar as palavras à ideia", dizia Alberto Caeiro.»
E finalmente:
«Parece ocioso repetir que "fundo" e "forma" são indissolúveis, se determinam entre si no âmbito da linguagem.»

domingo, setembro 29, 2019


A ideia de Cristina, prima de Arturzinho Corvelo, sobre a leitura de romances: « É uma trapalhada, e depois são tudo mentiras... »



sábado, setembro 28, 2019

DELÍRIOS ECFRÁSTICOS


PRAIA DE BANHOS, PÓVOA DE VARZIM (1884), DE MARQUES DE OLIVEIRA

José Régio veio décadas depois
na nave redonda do Diana Bar.
Não a banhos, como as figuras
do quadro, mas para escrever
a confissão derradeira
no limiar da morte,
a luta perdida
nos corredores do tempo,
a moeda na boca para o sonâmbulo
barqueiro. 

--- Cadernos

quarta-feira, setembro 25, 2019

ANTÍGONA, DE SÓFOCLES

Um desafio ao poder iníquo. Com mais de 2400 anos.
ANTÍGONA para CREONTE: «Não nasci para odiar, mas para amar.»


segunda-feira, setembro 23, 2019

DELÍRIOS ECFRÁSTICOS


JULIO, Epitalâmio (1931), óleo sobre cartão, colecção CMVC.
O noivo regurgita um esgar
de dentes rombos e já a garra adunca
dentro da luva de cerimónia
cerimonialmente  avança
sobre o braço da eleita.

À noite, no suor do tálamo,
chupar-lhe-á os lábios,
os bicos dos seios
e sempre o sangue.

Uma terceira figura,
talvez do pai que lha passou,
assobia de mansinho
ao ar festivo.

Em fundo, a coluna
de volutas jónicas
ameaça desabar
sobre a convenção insana.

--- Cadernos 


domingo, setembro 22, 2019

EM DEFESA DO CLIMA

GRETA THUNBERG. «Grande é a poesia, a bondade e as danças... / Mas o melhor do mundo são as crianças, (...)»


sábado, setembro 21, 2019


«A vida vai muito mais longe que toda a literatura...»

- Jaime Franco para Lelito em Os Avisos do Destino, de José Régio.

sexta-feira, setembro 20, 2019

NATÉRCIA FREIRE (1919-2004)


Uma das exposições em curso na Biblioteca Nacional sobre escritores nascidos há cem anos. Natércia Freire foi poeta, contista, romancista e jornalista cultural. Diz Teresa Sousa de Almeida, autora da folha da exposição: «O caso de Natércia Freire é muito particular, porque dirigiu o suplemento "Artes e Letras" do Diário de Notícias, entre 1954 e 1974, tendo sido a primeira mulher a fazê-lo, numa altura em que a instituição literária era sobretudo masculina, o que lhe deu uma grande visibilidade. Só muito mais tarde, em 1968, Maria Teresa Horta será convidada para dirigir o suplemento cultural de A Capital.» Sobre o livro de contos A Alma da Velha Casa (1945), há uma curiosa reacção de José Régio, autor do ciclo romanesco A Velha Casa (5 volumes publicados entre 1945 e 1966), em carta para o seu grande amigo Alberto de Serpa datada de Portalegre, 18 de Junho de 1945: «(...) Provas do primeiro volume de A Velha Casa, o qual se chama Uma Gota de Sangue (...) Não confies o título do romance. A Natércia Freire talvez se não tivesse lembrado de chamar a um seu livro A Alma da Velha Casa se o meu título geral se não tivesse espalhado tanto. E eu então, que nisto dos títulos sou duns zelos maníacos e ferozes! Já não lhe perdoo  tal abuso.»

segunda-feira, setembro 16, 2019

EXPOSIÇÕES



"SARAH AFFONSO E A ARTE POPULAR DO MINHO", até 7 de Outubro na Gulbenkian, comemora os 120 anos do nascimento da artista. Na imagem, A Estrela, óleo sobre tela de 1937.
=Foto de 15-9-2019=


domingo, setembro 15, 2019

sábado, setembro 14, 2019

ANO DE 1919


Escritores nascidos no ano:
= João José Cochofel (1919-1982)
= Natércia Freire (1919-2004)
= Joel Serrão (1919-2008)
com exposições na Biblioteca Nacional;
= Fernando Namora (1919-1989)
com exposição no Museu do Neo-Realismo;
= Sophia (1919-2004)
= Jorge de Sena (1919-1978)
e há certamente mais...

quarta-feira, setembro 11, 2019

GRANDE PLANO

ORNELLA MUTI, no papel de Odette de Crécy, em Un amour de Swann (1984) de Volker Schlöndorff. Adaptado de Proust, pois então.


terça-feira, setembro 10, 2019

PINACOTECA

YASUO KUNIYOSHI (1889-1953), Circus Girl Resting (1925). Pintura exibida na "Advancing American Art", em 1946, exposição que reuniu 79 pinturas a óleo de 45 importantes artistas norte-americanos. A exposição viajou depois de Nova Yorque para Paris e Praga, onde obteve grande sucesso e polémica. O presidente Harry Truman criticou a orientação artística dominante, tendo proferido a propósito deste quadro a célebre declaração racista e reaccionária: « If that is art, then I am a Hottentot.» 

sexta-feira, setembro 06, 2019

UM BANQUINHO...

«Pani Krysia, debruçada sobre a mesa de jantar, saia arregaçada, esticava os braços como se fosse uma cruz, fincando as mãos à toalha de renda. Com o peito espremido no tampo, erguia o queixo para o tecto como se visse o céu. Atrás dela, com os pés apoiados num banquinho, o presidente da Câmara trazia as calças pelos joelhos e dominava a beata puxando-a pelos atilhos do corpete
No capítulo seguinte é o escritor fictício que se pronuncia sobre a fabulação do seu relato: «O gajo não prestava, não valia nada! Um tipo daquele tamanho não chega aonde ele chegou sem se empoleirar. Há quem lhe chame canalhice, eu vi  ali um banquinho, qual é o problema? Tens um banquinho, tens uma história.»
Este é um romance em que a história narrada se confronta com as motivações da narração, as fontes, o poder da fabulação, a angústia da criação, o real e o imaginário. Um bom romance, prémio Leya 2017.

quarta-feira, setembro 04, 2019

ORDEEEEER!

NOT A GOOD START BORIS!, disse o incrível speaker John Bercow. Isto sim, vale a pena, não tem nada a ver com a pasmaceira enfatuada de S. Bento. 

CINEMA PARAÍSO

Uma fantasia americana de 1946 dirigida por Frank Borzage. Apesar da "implausibilidade do argumento" e das "grotescas interpretações dos protagonistas" (João Bénard da Costa), é um filme que engaja o espectador no delírio, no conto de fadas, na música de Rachmaninoff com um invisível Rubinstein ao piano. Uma Catherine McLeod fabulosa e o final feliz que cai sempre bem. Passou ontem na Cinemateca. 

terça-feira, setembro 03, 2019

PINACOTECA

PABLO PICASSO, Retrato de Dora Maar (1937). Mário Dionísio escreveu no prefácio de A Paleta e o Mundo: «A pintura moderna é obra de loucos? A pintura moderna é a verdadeira e única pintura? (...) A pintura moderna é uma parada de monstruosidades ou um encantador jogo decorativo? É uma arte requintada para raros conhecedores apenas ou o garatujar confrangedor de gente inepta e sem gosto?» -- As respostas são dadas ao longo de cinco volumes, 2ª edição pela Europa-América em 1973. Nova edição da Imprensa Nacional-Casa da Moeda em preparação.


domingo, setembro 01, 2019

DIÁRIO

Domingo a escutar a música radiofónica da vida. Aquilo que Amadeus Mozart aconselhou a Harry Haller, o lobo das estepes.

segunda-feira, agosto 26, 2019

GRANDE PLANO


LISE DANVERS no primeiro episódio de Contos Imorais (1973), de Walerian Borowczyk. Filme visto no desaparecido cinema Castil por alturas de 1975. Numa praia, um primo perverso e uma felação ao ritmo da subida da maré. Interessante.


domingo, agosto 25, 2019

NADA DE RESSENTIMENTOS


Agora que se vem falando de Salazar, do projecto de um museu, centro de interpretação, exposição biográfica, cenográfica ou antológica, quiçá multimédia e interactiva, conceitos bem conhecidos dos entendidos, chamem-se eles Irene Pimentel, Nogueira de Brito ou Zé da Silva, dou o meu contributo para a discussão com a parte final do poema "Portugal", de Jorge Sousa Braga:
«Portugal estás a ouvir-me? / Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete e Salazar estava no poder nada de ressentimentos / O meu irmão esteve na guerra tenho amigos que emigraram nada de ressentimentos / Um dia bebi vinagre nada de ressentimentos / Portugal depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas a nado na piscina municipal de Braga / ia agora propor-te um projecto eminentemente nacional / Que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho que Camões lá deixou / Portugal  / Sabes de que cor são os meus olhos? / São castanhos como os da minha mãe / Portugal / gostava de te beijar muito apaixonadamente / na boca »
Este sim, seria um grande projecto! Com o beijo na boca e tudo.

sábado, agosto 24, 2019

DIÁRIO

Dei ontem com outra representação deplorável do poeta Sebastião da Gama, esta em espaço nobre de Vila Nogueira de Azeitão. Tirada polo natural a partir da fotografia na esplanada do forte do Portinho da Arrábida, dá-nos o artista, cujo nome não indaguei, uma espécie de figura serpentinata ao jeito de um maneirismo pós-moderno ou coisa que o valha.
A inauguração do conjunto foi feita em 2007 pelo PR Aníbal C. Silva.

quinta-feira, agosto 22, 2019

DIÁRIO


Almoço frugal, hoje, no exacto lugar de onde tirei a foto. O mar e a serra. Aqui não há pardais, só gaivotas. Sebastião da Gama: «Morreu no Mar a gaivota mais esbelta, / a que morava mais alto e trespassava / de claridade as nuvens mais escuras com os olhos.» - "Elegia para uma gaivota", Campo Aberto (1951), livro dedicado a José Régio e a Virgílio Couto (professor que acompanhou o estágio pedagógico de Sebastião da Gama na Escola Veiga Beirão de Lisboa). 


GRANDE PLANO

NAOMI WATTS em King Kong (2005), de Peter Jackson.


quinta-feira, agosto 15, 2019

DIÁRIO

A ler Siddharta, «um poema indiano». Ainda não escutei o Om, mas estou a gostar. Como diz o brâmane, é preciso pensar, esperar, jejuar. Não sei se bem, mas é o que tenho feito nestes últimos tempos.   

terça-feira, agosto 13, 2019

PINACOTECA

PIETER BRUEGEL, o jovem (1564-1636), Festa de Casamento (1620). Quadro arrestado a Ricardo Salgado em exposição no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, Évora. Fotografia tirada hoje.

quinta-feira, agosto 08, 2019

quarta-feira, agosto 07, 2019

O QUE SE VÊ E OUVE NA TELEVISÃO


Sobre o convite ao advogado PARDAL para ser vice-presidente do sindicato dos motoristas de mercadorias perigosas, diz um dos sindicalistas: o convite surgiu por o dr. ser primo da minha esposa, também irmão de um motorista, etc.  
Esta coisa do “family gate”, de que o governo tem sido vastamente acusado, também se pega à classe operária.
Tenho a impressão de que isto só lá vai com a unicidade sindical.


segunda-feira, agosto 05, 2019

DIÁRIOS E SINCERIDADE

Hoje, veio-me este livro às mãos. É um conjunto de textos diarísticos que abre com o "Diário que Vergílio Ferreira escreveu para Regina Kasprzykowski"(19 de Julho a 14 de Outubro de 1944). E lembrei-me do que deixei escrito num trabalho académico de 2012. Citação:
« Vergílio Ferreira diz no diário que escreveu para Regina Kasprzykowsky (o que constitui uma curiosa derrogação do cânone do género, já que os escritos diarísticos, ainda que por vezes possam ter o próprio diário como interlocutor, costumam ser uma conversa do diarista consigo mesmo): Tu sabes que um diário é sempre falso. Nós somos quase sempre falsos até mesmo quando pensamos, porque o pensar é já desnudar-se uma pessoa perante si mesma. E no primeiro volume de Conta-corrente, regressa a este tema da sinceridade: Volto a isto - porquê? Um subtil ridículo de um "diário", da "confissão" - já o disse. Creio que a única possibilidade de me "pôr a nu" está no saldo de cada romance. O resto é pudor e consequente disfarce. Béatrice Didier vê a questão da sinceridade do diário íntimo como uma querela inútil: Le journal est insincère comme toute écriture; il a le privilège sur d´autres types d´écriture de pouvoir être doublement insincère, puisque, encore une fois, le "moi" est en même temps sujet et object.» 
Pronto. Depois disto, é pensar se vale mesmo a pena escrever um diário.


sábado, agosto 03, 2019

DIÁRIO

No Parque Urbano da Quinta das Conchas, cidade de Lisboa, cuja obra de qualificação recebeu os Prémios Valmor  e Municipal de Arquitectura 2005. É o que se lê numa placa que por lá se encontra, enquanto outra, não menos interessante, lembra ter sido inaugurado pelo edil Santana Lopes. As voltas que, depois disso, já o homem deu! Tirando algumas espécies infestantes, é um lugar ameno, quase poético. A poesia, afinal, é dentro de nós que está, e não nas árvores, nos relvados ou nos lagos. Deu para três quartos de hora de leitura: O Lobo das Estepes, de Hermann Hesse. 
=Foto de 3-8-2019=

quinta-feira, agosto 01, 2019

«Ó SORRISO DO MAR! Ó BÚZIO LONGO»

Representação de Sebastião da Gama no terraço do forte de Santa Maria da Arrábida. Trabalho um bocado risível, feito a partir de uma fotografia de 1947. O forte foi alugado em 1932 a Sebastião Leal da Gama, pai do poeta, para instalação de um restaurante e, mais tarde, uma pousada. Frequentado desde os dez anos pelo autor de Serra-Mãe, ali terão sido escritos alguns dos seus poemas. 
=Fotos de 31-7-2019=