sexta-feira, janeiro 22, 2021

PEIXOTO À BEIRA-RIO bis

Esta tarde, em retiro unipessoal diante do rio, a acabar a leitura de Cemitério de Pianos, de José Luís Peixoto. 
Umas memórias póstumas servidas em puzzle ao leitor benévolo.
A história tem consistência e a escrita é estimulante, com alguns efeitos vanguardistas e pós-modernos:

«Puxou a Maria pelo. Pulso e levou-a pelo corredor e entraram no quarto onde dormiam todas. As noites e apontou. Para a estante cheia de romances. De amor que a Maria. Guardava desde menina. E que organizava por. Ordem alfabética e todas as histórias. Que conhecia de cor e que seria capaz de contar. Com todos os pormenores e. Apontou para a estante cheia.» (p. 173)
«Sobre a cama, um monte de páginas rasgadas e de capas rasgadas, títulos: sonhos de, paixão casamento na, primavera as chamas do coração mais, forte do que o preconceito vitória, do destino apaixonada pelo homem, certo rapariga e mulher amar pela primeira, vez o desconhe, cido irresistível flo, res demasia, do tarde pa, ra além do, desejo so, rriso c, rue, l am, a, nhecer, de e, mo, ç, õe, s.» (p. 174)

Peixoto, ó pá, o trabalho que tu me deste!

= Foto de 22-1-2021=