segunda-feira, março 25, 2019

A TERRA PROMETIDA


Rosa de Sharon, filha mais velha dos Joad, é uma das personagens mais interessantes da epopeia desta família de Oklahoma em demanda de um futuro digno na Califórnia. Nela se deposita a esperança ingénua dos pobres na construção de uma nova vida. A sua aspiração a uma casa (e com um frigorífico) onde pudesse criar em boas condições o filho que em breve nasceria, é comparável à de Horácio em A Lã e a Neve. Contava para isso com Connie, o marido, que acabou por lhe fugir no fim da atribulada viagem para a terra prometida. Rosa de Sharon não chegou a compreender, como compreendeu o seu irmão Tom (e também, amargamente, o protagonista do romance de Ferreira de Castro), a necessidade de se ultrapassar a acção individual, de se juntarem os homens e as mulheres com vista a lutarem pela concretização dos seus sonhos. O filho esperado nasceu morto e os seus úberes, prontos para criar uma vida, deram alimento a um velho moribundo que já pouco tempo de vida podia esperar. Que me lembre, não vi nada de igual em outro romance.


2 comentários:

Ricardo António Alves disse...

ah, que obra-prima absoluta!
(e viva a literatura comparada!)

Manuel Nunes disse...

Sim, meu caro, é fundamental irmos recuperando estes clássicos. Obrigado.