domingo, abril 26, 2020

TOPÓNIMOS

Em 2005, já lá vão 15 anos, escrevi um conto razoavelmente estrambótico em cuja acção entravam umas estudantes universitárias muito interessadas pela figura do Duque de Coimbra e pelo episódio histórico da batalha de Alfarrobeira. Feita a leitura da Chronica de El-Rey D. Affonso V, de Rui de Pina, foram as estudantes para o terreno à descoberta do local exacto onde se deu a batalha. Também eu lá fui, antes delas, tendo tomado como boa a ideia de que o dito local é o das actuais portagens da autoestrada em Alverca. O conto tem apontamentos de costumes modernos, apontamentos históricos, e até dá uma piscadela de olho ao género fantástico. Com uma revisão paciente, talvez se conseguisse fazer daquilo uma coisa medianamente decente. Enquanto não trato disso, deixo aí a foto da placa toponímica, tirada hoje durante uma fuga saudável do confinamento. 

sábado, abril 25, 2020

COMEMORAÇÃO DO 25 DE ABRIL

Em Alhandra, «a toireira», como lhe chamou Garrett no Cap. I das Viagens. Na Praça 7 de Março (data alusiva ao nascimento, em 1843, do Dr. Sousa Martins), a comemoração possível do 25 de Abril. Máscaras e cravos, "Grândola, vila morena» e o hino da nação. 

sábado, março 07, 2020

PINACOTECA

ÁLVARO PIRES D´ ÉVORA, Anunciação (c. 1430-1434), têmpera e ouro sobre madeira, MNAA. Faz parte de exposição temporária sobre o pintor quatrocentista até 15 de Março. Esta obra maravilhosa foi recentemente adquirida pelo estado português (Fevereiro de 2018) em leilão realizado em Nova Iorque. Preço, incluindo comissões da leiloeira: 349 mil euros.

sábado, fevereiro 22, 2020

LEITURAS


Cheguei à estação de Davos-Dorf e subi para o Sanatório Berghof, cinco mil pés de altitude. Até ao momento, apenas uma noite dormida no alto, a minha perplexidade é tão grande como a de Hans Castorp. 80 páginas lidas de um total de 826. Lá chegarei, espero, não será tão difícil como subir a montanha.  
E lembrei-me de Manuel Bandeira:
«– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o 
     [pulmão direito infiltrado.
– Então doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino

segunda-feira, fevereiro 17, 2020

PINACOTECA

CÂNDIDO COSTA PINTO (Figueira da Foz, 1911 - São Paulo, 1976), Aurora hiante (1942), óleo sobre madeira.



domingo, fevereiro 09, 2020

INSTANTÂNEOS

A noite caindo sobre o rio. Exercício pseudo-impressionista.
= Vila Franca de Xira, 9-2-2020=



sábado, fevereiro 08, 2020

sexta-feira, fevereiro 07, 2020

ESTADOS DE ALMA


Livro do Desassossego, "Primeira nota para uma regra de vida": «Precisar de dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente.»
Inteira verdade. E, por outro lado, não só de chefe para subordinado, também entre iguais. A tentativa de domínio é quase sempre o resultado de uma fragilidade. Quanto mais frágil, mais dominador - é uma questão de sobrevivência. E vem a terceira das regras enunciadas por Bernardo Soares: «Reduzir as necessidades ao mínimo, para que em nada dependamos de outrem.» A ideia tem parecenças de boa, mas não é fácil de se realizar.

quarta-feira, fevereiro 05, 2020

GRANDE PLANO

MARILYN MONROE em Rio sem Regresso (1954). Estreado em Portugal a 6 de Junho de 1955.


terça-feira, fevereiro 04, 2020

ESTADOS DE ALMA

Diz o tipo:
«Tenho andado inquinado da mente, desvinculado de ânimo, já a não posso ouvir quando fala a solo. Há uma noite de cinza que nos cerca, que nos trava a marcha até quando viajamos de carro, a cento e tal à hora, por auto-estradas com custo para o utilizador. Um dia destes dragamos o lodo e vamos mar fora, cada um por si, e seremos finalmente felizes. Entretanto, dói-me tudo. Mas ao contrário de Boris, sou capaz de o dizer.»
DÓI-ME O FLORETE
(J´ai mal a ma rapière)

Dói-me o florete
Mas nunca tal direi
Dói-me o podão
Mas nunca tal direi
Doem-me as cerdãs
Doem-me os untadores
Dói-me a pernola
Dói-me a sacola
Mas nunca tal direi lá
Mas nunca tal direi

BORIS VIAN - Canções e Poemas, tradução de Irene Freire Nunes / Fernando Cabral Martins, Lisboa, Assírio & Alvim, 1997, pp. 234-235.

domingo, fevereiro 02, 2020

ARTE URBANA

Do artista BORDALO II, em prédio de Lisboa na esquina da Av. 24 de Julho com a Rua do Instituto Industrial. Arte composta a partir de lixo (componentes de automóveis, embalagens, etc.).
=Foto de 2-2-2020=

sexta-feira, janeiro 31, 2020

quinta-feira, janeiro 30, 2020

A ESPUMA DOS DIAS


Devolução aos países de origem das colecções de arte africana existentes nos museus portugueses. A proposta é de oportunidade duvidosa, porque nem os países de origem parecem preocupados com isso, nem o país Portugal está livre de questões maiores carecentes de resolução. Tenho para mim – e peço desculpa se me engano – que é coisa feita para agitar a malta e desviar atenções…
A reacção dos do costume é ridícula e falha de originalidade, à maneira do magnata de Mar-a-Lago no caso das congressistas Ocasio-Cortez, Pressley, Rashida e Omar (na foto). Também elas foram aconselhadas a voltar aos “seus países de origem”, quando três nasceram na América e uma é cidadã americana por naturalização.  
No caso doméstico, é claro que estas reacções (reaccionárias) dão e consolidam votos. Eu até compreendo os que acabam de chegar ao poleiro e aproveitam todas as oportunidades para apresentar serviço; o que me custa a aceitar é a pobreza de espírito dos desgraçados que os puseram lá.


domingo, janeiro 26, 2020

TOPÓNIMOS

O autor de Paquita, talvez mais conhecido no mundo da gastronomia do que na literatura, dá nome a esta rua modesta, mas digna, da cidade do Montijo. 
Quando penso em Bulhão Pato lembro-me sempre do Tomás de Alencar do Eça. E depois, queria o mestre que o homem se retirasse de dentro da sua personagem, quando foi ele que lá o pôs. Nomeadamente no capítulo XVI d´Os Maias, no episódio do sarau de angariação de fundos para as vítimas das cheias.
=Fotos de 26-1-2020=

quinta-feira, janeiro 23, 2020

A ESPUMA DOS DIAS

Falar de perseguição ou injustiça e invocar a condição de «mulher» e «negra» para justificar o desastre que o erro próprio causou, é matéria que nauseia e assusta. Ouvimo-lo em casos, entre si muito diferentes, durante a semana que passou. Misérias dos humanos de todos os tempos e condições, como n´A Nave dos Loucos, de Hieronymus Bosch.

quinta-feira, janeiro 16, 2020

PINACOTECA

ALMADA NEGREIROS, Maternidade (1935), óleo sobre tela, Museu Calouste Gulbenkian.



sexta-feira, janeiro 10, 2020

VIAGENS (8)

«Quando se sente de mais, o Tejo é Atlântico sem número, e Cacilhas outro continente, ou até outro universo» - Bernardo Soares, Livro do Desassossego.
Abril de 2018: vitrinas de estabelecimentos em ALBI (departamento do Tarn, região de Occitânia) - cidade do museu Toulouse-Lautrec.