sábado, fevereiro 22, 2020

LEITURAS


Cheguei à estação de Davos-Dorf e subi para o Sanatório Berghof, cinco mil pés de altitude. Até ao momento, apenas uma noite dormida no alto, a minha perplexidade é tão grande como a de Hans Castorp. 80 páginas lidas de um total de 826. Lá chegarei, espero, não será tão difícil como subir a montanha.  
E lembrei-me de Manuel Bandeira:
«– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o 
     [pulmão direito infiltrado.
– Então doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino

segunda-feira, fevereiro 17, 2020

PINACOTECA

CÂNDIDO COSTA PINTO (Figueira da Foz, 1911 - São Paulo, 1976), Aurora hiante (1942), óleo sobre madeira.



domingo, fevereiro 09, 2020

INSTANTÂNEOS

A noite caindo sobre o rio. Exercício pseudo-impressionista.
= Vila Franca de Xira, 9-2-2020=



sábado, fevereiro 08, 2020

sexta-feira, fevereiro 07, 2020

ESTADOS DE ALMA


Livro do Desassossego, "Primeira nota para uma regra de vida": «Precisar de dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente.»
Inteira verdade. E, por outro lado, não só de chefe para subordinado, também entre iguais. A tentativa de domínio é quase sempre o resultado de uma fragilidade. Quanto mais frágil, mais dominador - é uma questão de sobrevivência. E vem a terceira das regras enunciadas por Bernardo Soares: «Reduzir as necessidades ao mínimo, para que em nada dependamos de outrem.» A ideia tem parecenças de boa, mas não é fácil de se realizar.

quarta-feira, fevereiro 05, 2020

GRANDE PLANO

MARILYN MONROE em Rio sem Regresso (1954). Estreado em Portugal a 6 de Junho de 1955.


terça-feira, fevereiro 04, 2020

ESTADOS DE ALMA

Diz o tipo:
«Tenho andado inquinado da mente, desvinculado de ânimo, já a não posso ouvir quando fala a solo. Há uma noite de cinza que nos cerca, que nos trava a marcha até quando viajamos de carro, a cento e tal à hora, por auto-estradas com custo para o utilizador. Um dia destes dragamos o lodo e vamos mar fora, cada um por si, e seremos finalmente felizes. Entretanto, dói-me tudo. Mas ao contrário de Boris, sou capaz de o dizer.»
DÓI-ME O FLORETE
(J´ai mal a ma rapière)

Dói-me o florete
Mas nunca tal direi
Dói-me o podão
Mas nunca tal direi
Doem-me as cerdãs
Doem-me os untadores
Dói-me a pernola
Dói-me a sacola
Mas nunca tal direi lá
Mas nunca tal direi

BORIS VIAN - Canções e Poemas, tradução de Irene Freire Nunes / Fernando Cabral Martins, Lisboa, Assírio & Alvim, 1997, pp. 234-235.

domingo, fevereiro 02, 2020

ARTE URBANA

Do artista BORDALO II, em prédio de Lisboa na esquina da Av. 24 de Julho com a Rua do Instituto Industrial. Arte composta a partir de lixo (componentes de automóveis, embalagens, etc.).
=Foto de 2-2-2020=

sexta-feira, janeiro 31, 2020

quinta-feira, janeiro 30, 2020

A ESPUMA DOS DIAS


Devolução aos países de origem das colecções de arte africana existentes nos museus portugueses. A proposta é de oportunidade duvidosa, porque nem os países de origem parecem preocupados com isso, nem o país Portugal está livre de questões maiores carecentes de resolução. Tenho para mim – e peço desculpa se me engano – que é coisa feita para agitar a malta e desviar atenções…
A reacção dos do costume é ridícula e falha de originalidade, à maneira do magnata de Mar-a-Lago no caso das congressistas Ocasio-Cortez, Pressley, Rashida e Omar (na foto). Também elas foram aconselhadas a voltar aos “seus países de origem”, quando três nasceram na América e uma é cidadã americana por naturalização.  
No caso doméstico, é claro que estas reacções (reaccionárias) dão e consolidam votos. Eu até compreendo os que acabam de chegar ao poleiro e aproveitam todas as oportunidades para apresentar serviço; o que me custa a aceitar é a pobreza de espírito dos desgraçados que os puseram lá.


domingo, janeiro 26, 2020

TOPÓNIMOS

O autor de Paquita, talvez mais conhecido no mundo da gastronomia do que na literatura, dá nome a esta rua modesta, mas digna, da cidade do Montijo. 
Quando penso em Bulhão Pato lembro-me sempre do Tomás de Alencar do Eça. E depois, queria o mestre que o homem se retirasse de dentro da sua personagem, quando foi ele que lá o pôs. Nomeadamente no capítulo XVI d´Os Maias, no episódio do sarau de angariação de fundos para as vítimas das cheias.
=Fotos de 26-1-2020=

quinta-feira, janeiro 23, 2020

A ESPUMA DOS DIAS

Falar de perseguição ou injustiça e invocar a condição de «mulher» e «negra» para justificar o desastre que o erro próprio causou, é matéria que nauseia e assusta. Ouvimo-lo em casos, entre si muito diferentes, durante a semana que passou. Misérias dos humanos de todos os tempos e condições, como n´A Nave dos Loucos, de Hieronymus Bosch.

quinta-feira, janeiro 16, 2020

PINACOTECA

ALMADA NEGREIROS, Maternidade (1935), óleo sobre tela, Museu Calouste Gulbenkian.



sexta-feira, janeiro 10, 2020

VIAGENS (8)

«Quando se sente de mais, o Tejo é Atlântico sem número, e Cacilhas outro continente, ou até outro universo» - Bernardo Soares, Livro do Desassossego.
Abril de 2018: vitrinas de estabelecimentos em ALBI (departamento do Tarn, região de Occitânia) - cidade do museu Toulouse-Lautrec.

terça-feira, janeiro 07, 2020

BIBLIOMANIAS

Volume precioso, deram-mo hoje.


(…)
E, arremessando a bíblia, o velho abade
Murmurou:
                      «Há mais fé e há mais verdade,
             Há mais Deus com certeza
Nos cardos secos dum rochedo nu
Que nessa bíblia antiga… Ó Natureza,
A única bíblia verdadeira és tu!...»

= GUERRA JUNQUEIRO, O Melro, estrofe final


sábado, janeiro 04, 2020

ARTE NA RUA

Homenagem fotográfica a remotas regiões do globo e aos seus povos: dos círculos polares às savanas, selvas tropicais, desertos e ilhas solitárias. A evidência de «um planeta frágil, que todos temos o dever de proteger.»
=Foto de 4-1-2020=

segunda-feira, dezembro 30, 2019