domingo, fevereiro 09, 2020

INSTANTÂNEOS

A noite caindo sobre o rio. Exercício pseudo-impressionista.
= Vila Franca de Xira, 9-2-2020=



sábado, fevereiro 08, 2020

sexta-feira, fevereiro 07, 2020

ESTADOS DE ALMA


Livro do Desassossego, "Primeira nota para uma regra de vida": «Precisar de dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente.»
Inteira verdade. E, por outro lado, não só de chefe para subordinado, também entre iguais. A tentativa de domínio é quase sempre o resultado de uma fragilidade. Quanto mais frágil, mais dominador - é uma questão de sobrevivência. E vem a terceira das regras enunciadas por Bernardo Soares: «Reduzir as necessidades ao mínimo, para que em nada dependamos de outrem.» A ideia tem parecenças de boa, mas não é fácil de se realizar.

quarta-feira, fevereiro 05, 2020

GRANDE PLANO

MARILYN MONROE em Rio sem Regresso (1954). Estreado em Portugal a 6 de Junho de 1955.


terça-feira, fevereiro 04, 2020

ESTADOS DE ALMA

Diz o tipo:
«Tenho andado inquinado da mente, desvinculado de ânimo, já a não posso ouvir quando fala a solo. Há uma noite de cinza que nos cerca, que nos trava a marcha até quando viajamos de carro, a cento e tal à hora, por auto-estradas com custo para o utilizador. Um dia destes dragamos o lodo e vamos mar fora, cada um por si, e seremos finalmente felizes. Entretanto, dói-me tudo. Mas ao contrário de Boris, sou capaz de o dizer.»
DÓI-ME O FLORETE
(J´ai mal a ma rapière)

Dói-me o florete
Mas nunca tal direi
Dói-me o podão
Mas nunca tal direi
Doem-me as cerdãs
Doem-me os untadores
Dói-me a pernola
Dói-me a sacola
Mas nunca tal direi lá
Mas nunca tal direi

BORIS VIAN - Canções e Poemas, tradução de Irene Freire Nunes / Fernando Cabral Martins, Lisboa, Assírio & Alvim, 1997, pp. 234-235.

domingo, fevereiro 02, 2020

ARTE URBANA

Do artista BORDALO II, em prédio de Lisboa na esquina da Av. 24 de Julho com a Rua do Instituto Industrial. Arte composta a partir de lixo (componentes de automóveis, embalagens, etc.).
=Foto de 2-2-2020=

sexta-feira, janeiro 31, 2020

quinta-feira, janeiro 30, 2020

A ESPUMA DOS DIAS


Devolução aos países de origem das colecções de arte africana existentes nos museus portugueses. A proposta é de oportunidade duvidosa, porque nem os países de origem parecem preocupados com isso, nem o país Portugal está livre de questões maiores carecentes de resolução. Tenho para mim – e peço desculpa se me engano – que é coisa feita para agitar a malta e desviar atenções…
A reacção dos do costume é ridícula e falha de originalidade, à maneira do magnata de Mar-a-Lago no caso das congressistas Ocasio-Cortez, Pressley, Rashida e Omar (na foto). Também elas foram aconselhadas a voltar aos “seus países de origem”, quando três nasceram na América e uma é cidadã americana por naturalização.  
No caso doméstico, é claro que estas reacções (reaccionárias) dão e consolidam votos. Eu até compreendo os que acabam de chegar ao poleiro e aproveitam todas as oportunidades para apresentar serviço; o que me custa a aceitar é a pobreza de espírito dos desgraçados que os puseram lá.


domingo, janeiro 26, 2020

TOPÓNIMOS

O autor de Paquita, talvez mais conhecido no mundo da gastronomia do que na literatura, dá nome a esta rua modesta, mas digna, da cidade do Montijo. 
Quando penso em Bulhão Pato lembro-me sempre do Tomás de Alencar do Eça. E depois, queria o mestre que o homem se retirasse de dentro da sua personagem, quando foi ele que lá o pôs. Nomeadamente no capítulo XVI d´Os Maias, no episódio do sarau de angariação de fundos para as vítimas das cheias.
=Fotos de 26-1-2020=

quinta-feira, janeiro 23, 2020

A ESPUMA DOS DIAS

Falar de perseguição ou injustiça e invocar a condição de «mulher» e «negra» para justificar o desastre que o erro próprio causou, é matéria que nauseia e assusta. Ouvimo-lo em casos, entre si muito diferentes, durante a semana que passou. Misérias dos humanos de todos os tempos e condições, como n´A Nave dos Loucos, de Hieronymus Bosch.

quinta-feira, janeiro 16, 2020

PINACOTECA

ALMADA NEGREIROS, Maternidade (1935), óleo sobre tela, Museu Calouste Gulbenkian.



sexta-feira, janeiro 10, 2020

VIAGENS (8)

«Quando se sente de mais, o Tejo é Atlântico sem número, e Cacilhas outro continente, ou até outro universo» - Bernardo Soares, Livro do Desassossego.
Abril de 2018: vitrinas de estabelecimentos em ALBI (departamento do Tarn, região de Occitânia) - cidade do museu Toulouse-Lautrec.

terça-feira, janeiro 07, 2020

BIBLIOMANIAS

Volume precioso, deram-mo hoje.


(…)
E, arremessando a bíblia, o velho abade
Murmurou:
                      «Há mais fé e há mais verdade,
             Há mais Deus com certeza
Nos cardos secos dum rochedo nu
Que nessa bíblia antiga… Ó Natureza,
A única bíblia verdadeira és tu!...»

= GUERRA JUNQUEIRO, O Melro, estrofe final


sábado, janeiro 04, 2020

ARTE NA RUA

Homenagem fotográfica a remotas regiões do globo e aos seus povos: dos círculos polares às savanas, selvas tropicais, desertos e ilhas solitárias. A evidência de «um planeta frágil, que todos temos o dever de proteger.»
=Foto de 4-1-2020=

segunda-feira, dezembro 30, 2019

domingo, dezembro 29, 2019

A ESPUMA DOS DIAS : AVENTURAS NAS REDES SOCIAIS (2)


Tropecei numa página do facebook: "O Juiz Carlos Alexandre". Segundo se informa, a página tem 11452 seguidores, o que até não é coisa de monta tendo em conta a personalidade em causa. São indicadas algumas páginas relacionadas, supostamente interessantes para quem se interessa por esta: "Todos a Apoiar o Super Juiz Carlos Alexandre", "Super-procurador Rosário Teixeira" e "Pedro Passos Coelho Sempre"... 
O último "post" é de 27 de Dezembro às 21:24. Tem uma fotografia do deputado André Ventura com as seguintes palavras do próprio: «Mas com que fundamento o conselho de Estado contornou o pedido do juiz Carlos Alexandre para um depoimento presencial?» Depoimento presencial de António Costa no processo de Tancos. Curiosa a expressão contornou. 
Até há poucos minutos, o "post" tinha recebido 46 likes (polegar ao alto e coração) e apenas 4 comentários, 3 deles filtrados, pois não estão visíveis. Esperava mais...
Fiquei desiludido e não vou voltar àquela página de apoio ao juiz. No facebook, há páginas de grupos mais apelativas e frequentadas. Dou exemplos: "Novo Amor depois dos 40", 114227 membros; "Preces Espíritas Allan Kardec", 773212 membros; "Cantinho do Amor", 426 mil membros; "Trintões, Quarentões e Cinquentões", 524311 membros... Por esta, podemos fazer uma ideia de como a população está a envelhecer. 

terça-feira, dezembro 24, 2019

MISSA DO GALO

 
Conto de MACHADO DE ASSIS, não sei quantas vezes já o li. O narrador, de dezassete anos, tem uma conversa com a sua hospedeira, Dona Conceição, de trinta. O marido tinha ido para o teatro na noite de Natal, eufemismo usado pelo próprio para as suas surtidas de adúltero. O jovem, estudante de preparatórios para a universidade, esperava pela meia-noite para ir com um vizinho à missa do galo. Nunca compreendeu a conversa que teve com Dona Conceição, senhora de tão boa índole que até lhe chamavam "a santa". A conversa sobrepôs-se à leitura de Os Três Mosqueteiros que pensava tomar até à hora da missa. Diz ele: «Há impressões dessa noite, que me aparecem truncadas ou confusas. Contradigo-me, atrapalho-me. Uma das que ainda tenho frescas é que, em certa ocasião, ela, que era apenas simpática, ficou linda, ficou lindíssima.» Se o narrador não conseguiu perceber o sentido exacto da conversa, como havemos nós de o saber? Mas ainda bem, assim há sempre motivos para voltar ao conto.