sexta-feira, dezembro 29, 2017
quinta-feira, dezembro 28, 2017
quarta-feira, dezembro 27, 2017
SONIA DELAUNAY, pintora (Gradizhsk, Ucrânia, 1885 – Paris, 1979)
Veio viver para Vila do Conde, durante a
Primeira Grande Guerra, acompanhada do marido, o artista francês Robert
Delaunay. Trabalharam durante cerca de um ano e meio na casa a que chamaram La
Simultanée, relacionando-se com os pintores Amadeo de Souza-Cardoso, Almada
Negreiros e Eduardo Viana.
A casa situa-se na actual Avenida Bento de
Freitas, junto à praia.
= Fotos tiradas em 22-12-2017.
= Pintura: “Prismas Eléctricos”, óleo s/ tela, Museu
Nacional de Arte Moderna, Centro Pompidou, Paris.
quinta-feira, dezembro 21, 2017
PINACOTECA
FRANÇOIS BOUCHER, Retrato de Marie-Louise O' Murphy (1751)
Óleo sobre tela 59x73cm
Alte Pinakotheke, Munique
quarta-feira, dezembro 20, 2017
FICÇÕES
Há tanta coisa que eu ignoro
e é tão irremediável este tempo perdidoÓ boi da paciência sê meu amigo!
António Ramos Rosa
O boi da paciência,
explica-me o sentido do boi da paciência, pedia-lhe ela, agitando no frenesim
das mãos o livro do poeta António Ramos Rosa.
E eu sei!? E eu sei!?
Resposta dele.
Que ele sabia, sim
senhor, não tinha era vontade de lhe dar atenção, de perder tempo com ela, pois
se não sabia por que razão lia tão avidamente os escritos dos poetas? A voz
fraquejou-lhe em falsete, o peito sobressaltado
e ofegante, tremeu-lhe a vista e uma ruga insinuou-se-lhe no rosto no auge da
contrariedade que a tomava.
Ele disse-lhe que a
poesia é a expressão de sentimentos indizíveis, inexplicáveis, mas ela não quis
ouvir. Atirou com o livro para cima da mesa, o qual ficou estranhamente aberto,
as folhas levantadas em leque. Gostava mais de romances e narrativas históricas,
o boi da paciência não estava com ela na leitura de poesia.
Não se pode amar alguém
que não lê o mesmo poema, pensou ele, lembrando-se de uma conhecida canção
popular, e saiu para a varanda a olhar o céu da noite. Julgou ver o poeta na
sua viagem através de uma nebulosa, transfigurado de anos e esquecimento,
cruzando no carro de Apolo o vasto tecto de estrelas.
Esteve ali muito tempo
a olhar o céu, a noite era gelo. Não se pode amar, não se pode amar, ia dizendo
baixinho.
Foi então que ela veio
ter com ele à varanda. Afagou-lhe o braço, puxou-o para si e levou-o para
dentro. A mesa da sala coalhava-se de estrelas que saíam do livro aberto. E
ambos conseguiam vê-las.
terça-feira, dezembro 19, 2017
segunda-feira, dezembro 18, 2017
QUINZE POETAS PORTUGUESES DO SÉCULO XX
Selecção de Gastão Cruz para a edição da Assírio e Alvim, ano de 2004. Os quinze poetas mais representativos do nosso século XX: Camilo Pessanha (1867-1926), Fernando Pessoa (1888-1935), Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), Vitorino Nemésio (1901-1978), Jorge de Sena (1919-1978), Sophia (1919-2004), Carlos de Oliveira (1921-1981), Eugénio de Andrade (1923-2005), Mário Cesariny (1923-2006), António Ramos Rosa (1924-2013), Alexandre O´Neill (1924-1986), Herberto Helder (1930-2015), Ruy Belo (1933-1978), Fiama (1938-2007) e Luiza Neto Jorge (1939-1989). Considerando vinte poetas quem viria a seguir? Teixeira de Pascoaes (1877-1952), José Régio (1901-1969), Mário Dionísio (1916-1993), Manuel Alegre (1936) e Al Berto (1948-1997)? E Gastão Cruz (1941), ficaria entre os vinte e cinco ou os trinta?
quinta-feira, dezembro 14, 2017
O EU E O OUTRO
«Há um ser que ocupa o meu ser e me
domina quer eu queira ou não queira. Quem há aí capaz de dizer que a mesma
ideia o não persegue? – Se ela morresse… – Arreda-a. Também eu. Mas saio disto
aos gritos. Esfacelado. Tenho por força de o admitir na minha companhia.
Subjuga-me. Pior: faz-me falta quando o não tenho ao pé de mim.»
--- RAUL BRANDÃO, Húmus, 10 de Janeiro
terça-feira, dezembro 12, 2017
quinta-feira, dezembro 07, 2017
PINACOTECA
FRANÇOIS BOUCHER (1703-1770), Visita de Vénus a Vulcano (1757), óleo sobre tela, Museu do Louvre.
[Livro VIII da Eneida, Vénus exerce o seu poder de sedução para pedir armas para Eneias.]
quarta-feira, dezembro 06, 2017
FICÇÕES
Era tão insegura que as pernas lhe tremiam
nervosamente sempre que estava perto da pessoa amada. Tinha receios
inexplicáveis, como imaginar que ele a diminuía aos olhos dos outros ou que se
ria dela depois de terem terminado uma conversa telefónica. Por vezes,
ligava-lhe de seguida, dizendo que o tinha ouvido rir, que não se enganara,
indagando a razão do suposto riso. Achava-se feia e sem graça, vivendo temerosa
da possibilidade de ter mau hálito ou de não vestir a roupa certa quando saía
para ir com ele ao cinema. Coisa mais extraordinária, beijava sempre de olhos
abertos, como se quisesse certificar-se de que o céu não lhe caía em cima nos
momentos de prazer em que lhe entregava os lábios. Um dia deixou de responder
aos seus convites por temer que ele lhe aparecesse com outra mulher só para a
ofender e humilhar. E passou a andar sozinha, sem falar com ninguém, lendo
histórias infantis para adormecer e sonhar. Uma noite leu a história do patinho
feio e pensou que ainda poderia vir a ser um cisne. Deve-se ter afogado no lago
ou voado para longe, tal como o cisne do conto, pois nunca mais foi vista.
domingo, dezembro 03, 2017
PINACOTECA
VAN GOGH, "Casa Amarela de Arles", óleo sobre tela, Fundação Vincent van Gogh (Arles). Foto de Julho de 2014
«Tenciono ir morar para a casa amanhã; mas como comprei coisas e ainda faltam outras (...), preciso que me envies mais uma vez 100 francos em lugar de 50.»
--- Cartas de Van Gogh a seu irmão Theo, 17 de Setembro de 1888.
sábado, dezembro 02, 2017
FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO
CABEÇA (c.
1913), DE GUILHERME SANTA-RITA
O pintor dizia-se ultramonárquico e imperialista,
como se lê numa carta de Mário de Sá-Carneiro
para Fernando Pessoa, datada de Paris,
28 de Outubro de 1912,
quando provavelmente já começara a esboçar
o rútilo delírio da sua cabeça cubo-futurista.
Filho de oleiro, dizia-se,
saltimbanco em Badajoz,
pintou o silêncio num quarto sem móveis
e foi Gervásio Vila-Nova
em A Confissão de Lúcio.
Cabeça diferente de todas as cabeças,
elmo de perfil trágico, prenúncio
da carnificina próxima.
quinta-feira, novembro 30, 2017
TOPÓNIMOS
O rio Nabão é um afluente do rio Zêzere que passa na cidade de Tomar. Nasce no concelho de Ansião, no lugar dos Olhos de Água, e a ele junta- se, a cerca de dez quilómetros de Tomar, a nascente do Agroal. Tem um percurso de 61,47 km.
= Fotos de 30-11-2017=
= Fotos de 30-11-2017=
quarta-feira, novembro 29, 2017
FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO
GADANHEIRO (1949),
DE JÚLIO POMAR
Lança o brilho da sua lâmina
ao manto plúmbeo do céu.
Deus, escondido e indiferente,
dorme entre as nuvens roxas
da Eternidade.
A terra a quem a trabalha,
grita. E um anjo caído
vem acender línguas de fogo
no ouro da seara.
Lança o brilho da sua lâmina
ao manto plúmbeo do céu.
Deus, escondido e indiferente,
dorme entre as nuvens roxas
da Eternidade.
A terra a quem a trabalha,
grita. E um anjo caído
vem acender línguas de fogo
no ouro da seara.
segunda-feira, novembro 27, 2017
PIZICATO
PIZICATO –
Passagem ou trecho de música que se toca dedilhando as cordas de instrumento de
arco. Execução da juvenil Orquestra de Cordas do Conservatório Regional Silva
Marques, este domingo em Vila Franca de Xira, interpretando justamente Pizzicato Polka, de Johann Strauss II.
domingo, novembro 26, 2017
sábado, novembro 25, 2017
FICÇÕES
Ela fustigou-o com os olhos
incendiados de ciúme, reverberantes e ao mesmo tempo carregados de sombra. Ele
disse para si, tem calma que a crise vai passar, daqui a umas horas, no máximo
um dia, tudo voltará ao normal, e lembrou-se de coisas filosóficas como o
eterno retorno de Nietzsche ou o refluxo das águas dos rios sob o efeito das
marés, algo com que Heraclito de Éfeso nunca sonhou. Era sua convicção profunda
de que tudo o que vai há-de voltar, e isso dava-lhe ao mesmo tempo uma grande
dose de tranquilidade e outra ainda maior de excitação.
Você não me convidou para sair no
fim-de-semana, esqueceu-se de mim que sou sua amiga e fetiche erótico, disse
ela.
Doeu-lhe aquela referência do fetiche
erótico, não queria acreditar no desconcerto da acusação, ele que se julgava sem
perversões e apenas se habituara a lamber-lhe as covas das axilas e os vales
húmidos das virilhas antes de partir para os vôos rasantes da satisfação do
corpo. Chamar fetiche a um exercício preludial era algo que não conseguia conceber.
Assustou-se quando passadas as
primeiras vinte e quatro horas ela continuava sem responder a telefonemas e
mensagens. Depois, faltara a um jantar há muito aprazado com um grupo de amigos
e, por último, quase deixara de lhe falar quando por acaso se encontravam na
rua: boa tarde, boa noite, passe bem que não posso perder tempo.
Para grandes males, grandes remédios,
escreveu-lhe uma carta, dessas de envelope e selo de correio, narrando o
deserto em que se transformara a sua vida, só areia e nenhum fulgor de
welwitschia na dobra cálida das dunas.
Fechemos a caixa de Pandora dos
nossos desentendimentos, aproveitemos os dias e ainda mais as noites, riscou o
amante em perigo no papel da carta. Lembre-se de quando lhe dei aquele beijo na
mão, foi o instante inicial, é pelas mãos que começam os sonhos e a felicidade
dos homens, e para lá do beijo na mão todos os beijos que se seguiram em partes
mais húmidas e desafiantes do seu corpo de sílfide, a boca, claro, a boca
bilingue, como dizia o poeta Ruy Belo, sendo que os meus significados de boca e de bilingue
são diversos, a língua usa-se em várias bocas e de diferentes formas como muito bem sabe
por experiência adquirida. Nenhuma resposta veio. Ela que tanto gostava da
fluência da sua escrita, tipo escritor pós-moderno com laivos gordos de
classicismo, era uma boa arma, a escrita, mas não funcionou. Venha para mim,
acrescentou ainda o coitado em desespero de causa, venha para mim que eu
segredo-lhe aquela frase que tanto gostava de ouvir, lembra-se?, e era…
Recebeu em troca um grosso
sobrescrito normalizado com carimbo redondo sobre vinheta de correio azul:
devolvia-lhe todos os poemas que ele lhe fizera durante mais de três meses. Um
deles, feito depois de um passeio à beira-Tejo, terminava assim:
Os rios,
água íntima dos lábios
como li em Fiama, antemanhãs
de escaldantes pélagos.
O poema não saiu grande coisa e bem
escusava o poetastro de meter a Fiama ao barulho. Foi castigado por tudo isso:
ela arranjou um novo namorado e, coisa extraordinária, ficou a odiar poesia.
quinta-feira, novembro 23, 2017
PINACOTECA
BORIS TASLITZKY (Paris, 1911-2005), o
pintor de Buchenwald. Esteve internado no campo de concentração alemão de
Agosto de 1944 a 11 de Abril de 1945, data da chegada das tropas aliadas. Ali
produziu, com grande dificuldade em reunir materiais, mais de uma centena de desenhos
e aguarelas sobre as condições em que viviam os prisioneiros. Taslitzky era de ascendência
russa, entrara em 1935 no PCF e estivera em Espanha durante a Guerra Civil.
Aguarela: Le petit camp en février 1945.
Desenho: Portrait de Émile Chevalier.
Fotografias obtidas em 111 Dessins faits à Buchenwald 1944-1945, Paris, La Bibliothèque Française, 1946, apresentação de Julien Cain.
quinta-feira, novembro 16, 2017
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