segunda-feira, junho 12, 2017

NOITE DE SANTO ANTÓNIO


Um importante milagre do taumaturgo português vem referido em História do Cerco de Lisboa – o da mula que se ajoelhou ante a hóstia sagrada, desmontando as heréticas pretensões dos que negavam a presença de Cristo naquela partícula do corpo de Nosso Senhor. Em prédio da Rua do Milagre de Santo António, ao Castelo, há um painel azulejar que assinala o prodígio. Pela minha parte, não entendendo nada de tão elevados assuntos, limito-me a escrever estes versos em redondilha maior:
Ó meu rico Santo António
Ó rico Santo Antoninho
A mulher é um demónio
Que dá amor e carinho
Tenho dito. E agora que venha a festa.


quinta-feira, junho 08, 2017

PRÉMIO CAMÕES

(...)
Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.
(...)
MANUEL ALEGRE, O Canto e as Armas, "Poemarma"

segunda-feira, junho 05, 2017

CINEMA PARAÍSO

Belle de Jour (1957), de Luis Buñuel, com Chaterine Deneuve. Amanhã às 21:30 na Cinemateca Portuguesa.
 
 

FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO (6)

GUSTAV KLIMT, Danae (1907)
A casa parada, o pó sobre os móveis e os tapetes húmidos, um vento súbito metendo-se pelas frinchas das portas e janelas, o desafio. É tarde, tão tarde que a casa hesita nos alicerces de pedra e sonho, como se aquele fosse um falso vento e ali chegasse fora de horas por um insondável desvario atmosférico. São sempre horas de encher a casa de palavras, de arrancar das paredes as velhas fotografias silenciosas, de descobrir devagar o sentido ignorado das coisas. A casa é, agora, um lugar de esperança.

 

quinta-feira, maio 25, 2017

POESIA CLANDESTINA


Apócrifa, projecto literário em curso – antologia desta revista de poetas  com um prefácio de João Barrento. Em venda no bar/clube nocturno TITANIC SUR MER, Cais da Ribeira Nova, ao Cais do Sodré, onde, às terças-feiras, há “poesia clandestina” com personagens condizentes. O programa pode ser visto aqui: 
De um poema de ELSA OLIVEIRA, “A Cesariny”:
«Conheci-te em Elsinore.
A desmesura dos teus passos cruzou-se acidentalmente
com a embriaguez dos meus,
e eu achei que era belo tropeçar
para a estética gargalhada geral.» (...)
 

quarta-feira, maio 24, 2017

THE 13th LETTER (1950), de Otto Preminger

Ontem, mais um fabuloso Preminger na Cinemateca. Na imagem, as cabeças do elenco: Linda Darnell (1923-1965) e Michael  Rennie (1909-1971).

terça-feira, maio 23, 2017

A REALIDADE DA FICÇÃO

Exposição patente na Sociedade Nacional de Belas-Artes. João Motta (1949), que se define como "sintetizador cultural", estabelece pontes entre diferentes formas de expressão criativa, a política internacional e a consciência. O resultado aponta para o conceito de "instalação", os diversos trabalhos expostos dialogando entre si e como "actores" de dois filmes interpelantes: Human Characters e Earth 2. Não dá para explicar com mais clareza, o melhor, mesmo, é ir ver.
 
 

sexta-feira, maio 19, 2017

BONJOUR TRISTESSE (1958), DE OTTO PREMINGER

Passou hoje na Cinemateca, a estupenda Jean Seberg no papel principal –  um anjo louro, tocado pelo pecado, num éden da riviera francesa. Script baseado no livro de Françoise Sagan e, talvez por isso, só em 1974, dezasseis anos após a sua estreia mundial, pôde ser exibido em Portugal. Ainda com Juliette Greco, David Niven e Deborah Kerr. Muito bom.
 

quinta-feira, maio 18, 2017

TABERNA ANTI-DANTAS


Na Rua de São José, em Lisboa

MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!
José de Almada-Negreiros
poeta d´Orpheu
Futurista
e
tudo
 

quarta-feira, maio 17, 2017

A COR E O AMOR

O Nosso Amor (2012), óleo sobre tela, 100x100cms.
Da exposição retrospectiva de ANTÓNIO CARMO (1949) na Biblioteca Nacional, Maio a Agosto de 2017.

domingo, maio 14, 2017

FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO (5)

 
 
«Algum dia o poema será a buganvília / pendente deste muro da Calçada da Graça. / Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família, / e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.» Só que a buganvília da fotografia, se é que é mesmo buganvília, não atapeta o passeio da Calçada da Graça, mas o tejadilho de um automóvel estacionado no passeio da Calçada da Tapada, perto da Rua da Creche, caminho da Igreja de Alcântara, numa tarde de luz sob um pálio movente de nuvens esparsas. É tudo tão singular quando chamamos as buganvílias em nosso auxílio. «Mas antes desse dia há-de secar a buganvília», diz o poeta, e também há-de acabar a Calçada da Tapada, o automóvel, o muro e o gradeamento que cavalga o muro, digo eu. «Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso / que é o mais leve de tudo que se pode supor, / será esse o momento de o poema ser flor, / mas já não é preciso.»
--- Os versos citados são de ANTÓNIO GEDEÃO, Linhas de Força, "Poema da buganvília".
 

sexta-feira, maio 12, 2017

FÉ, ESPECTÁCULO E INDIGNAÇÃO

Na “Introdução à leitura de Confissão dum Homem Religioso”, obra de José Régio, escreveu Orlando Taipa: «Visitara Portalegre, em 12 de Maio desse ano [1947], a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima e pareceram-lhe [a ele, José Régio] tão descomandadas as manifestações com o mais grosseiro feiticismo, o mais chão paganismo, a mais rasteira idolatria – desde o ridículo dos programas que anunciavam a visita até às arengas de certo frade franciscano – , que deveras se indignou.» Hoje – 100 anos depois das aparições – o espectáculo grotesco que é fornecido pelos canais de televisão (ávidos de audiências) rivaliza com as arengas sobre o milagre obrado pelos pastorinhos na criancinha brasileira,  enquanto as figuras cimeiras do estado (laico) se ajoelham ante o jesuíta Bergoglio e a sua cúria. Com o devido respeito pelos crentes, continua a haver motivo de  indignação.

 

segunda-feira, maio 08, 2017

THE CIRCLE (2017)

O poder das redes sociais da Internet, à escala global, sem possibilidade de regulamentação pelos estados nacionais. E se, de repente, os utilizadores da rede passassem a andar com uma microcâmara ao peito, tornando “transparentes” os detalhes da suas vidas quotidianas? E se a própria rede pudesse servir para o exercício  do direito de voto, substituindo os serviços públicos na organização das eleições? Um filme que se vê com interesse.  
 

domingo, maio 07, 2017

NA CARTOON XIRA - EXPOSIÇÃO ATÉ 28 DE MAIO

Este ano com uma ala dedicada a Quino, o criador de Mafalda –  a menina que odeia sopa e adora os Beatles –  e também dos seus companheiros Manolito, Felipe, Susanita e Liberdade.
 
 

sábado, maio 06, 2017

ALEXANDRE O´NEILL

Com Alexandre O´Neill, na passada quinta-feira, no bar-livraria "Menina e Moça". Um poeta que entrou na língua portuguesa, disse Clara Ferreira Alves.
 
O adjectivo
dá-me de comer.
Se não fora ele
o que houvera de ser?
 
Vivo de acrescentar às coisas
o que elas não são.
Mas é por cálculo,
não por ilusão.
 
----- Do livro De Ombro na Ombreira (1969)

quarta-feira, maio 03, 2017

M. K. TCHIURLIONIS (Varena-Lituânia,1875 - Pusteinik-Polónia,1911)

Sonata das Estrelas (1908), Museu de Arte da Lituânia
«Tchiurlionis (...) foi "um abstracto sete anos antes de Kandinsky, um pintor metafísico dez anos antes da pintura metafísica e um surrealista vinte anos antes do manifesto surrealista".»
---- MÁRIO DIONÍSIO, Colóquio Artes e Letras, nº 17, Fevereiro de 1962.