domingo, outubro 02, 2011
segunda-feira, setembro 26, 2011
JOÃO CABRAL DO NASCIMENTO (Funchal, 1897 - Lisboa, 1978)
Vasco Graça Moura diz encontrarem-se na sua escrita ecos que vão da poesia finissecular a Eugénio de Castro e Mário de Sá-Carneiro.
Tem vasta obra no domínio da poesia e da historiografia. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, dedicou-se ao ensino e foi director do Arquivo Histórico da Madeira.
EPIGRAMA
Deixarei vir a noite, a noite escura,
Porque sei que regressa o claro dia.
Verei cair a chuva, sossegadamente,
Porque sei que após ela o sol há-de raiar.
Assistirei tranquilo
Ao decurso do Inverno, porque sei
Que ao fim dessa jornada
Desponta a Primavera – lúcida promessa
Enfim cumprida!
Mas como hei-de deixar correr a vida?
(Digressão, 1953)
domingo, setembro 25, 2011
sábado, setembro 24, 2011
O DESCOBRIMENTO DA ILHA DA MADEIRA
domingo, setembro 18, 2011
CLÁUDIA DE CAMPOS (1859-1916) - escritora de Sines
Ficcionista e ensaísta, recebeu referências elogiosas de diversas personalidades literárias do seu tempo: Bulhão Pato, Trindade Coelho, Thomaz Ribeiro e Abel Botelho. Inspirada pela tradição inglesa, escreveu sobre Percy Shelley e Charlotte Brontë. Deixou uma narrativa à clef – Ele – da qual ela mesma é personagem com o poético nome de Cléo.Tive agora notícia desta interessante mulher durante os poucos dias que passei em Sines.
domingo, setembro 11, 2011
"APARIÇÃO"
O livro é velho, dos mais velhos que possuo. Li-o pela primeira vez há muito tempo, depois de ter ouvido falar dele e do seu autor num almoço de colaboradores do suplemento juvenil do “Diário de Lisboa”. O meu exemplar pertence à 4.ª edição de 1964, 12.º milhar, uma cifra editorial que não deixa de surpreender.Nunca mais esqueci o episódio da mão do Bailote (capítulo V), o semeador que se enforca por não dispor de condições físicas para trabalhar, logo, por não poder garantir a sua subsistência:
– Quando foi da sementeira, o patrão Arnaldo disse-me: “Ó Bailote, tu já não tens a mesma mão para semear.” Porque eu, senhor doutor, tive sempre uma mão funda, assim grande, como um cocho de cortiça. Eu metia a mão ao saco e vinha cheia de semente. Atirava-a à terra e semeava uma jeira num ar.
(…)
E mostrava a sua desgraçada mão, envelhecida, carbonizada de anos e soalheira.
(…)
– Dê-me um remédio, senhor doutor. Um remédio que me ponha a mão como a tinha. Assim, grande, assim, funda, assim, assim…
Aparição é um belo romance-ensaio sobre o Homem e a sua condição existencial, sobre a privação de Deus e o destino trágico do pensamento. Mas este episódio da mão do Bailote, pela questão social que levanta, sabe de certa forma a neo-realismo.
sexta-feira, setembro 09, 2011
AMARANTE VI
AMARANTE I
"Chega a Amarante o Macdonell, general-em-chefe dos revoltosos, ex-frades, morgados, soldados e oficiais do extinto exército legitimista, bandos de campónios armados, de chapéu de palha e tamancos de pau, prontos a largarem-nos para a fuga, ante o inimigo aparecido no primeiro cabeço de monte ou curva de caminho. Camilo, ao saber da estada do escocês, na Flor do Tâmega, faz dum cordel um correão, dependura dele uma pistola, monta no Pégaso dos raptos alados, e vai juntar-se ao célebre general, que o nomeia seu ajudante-às-ordens."quarta-feira, agosto 24, 2011
MEMÓRIAS
As Pequenas Memórias de José Saramago, focando o período da infância e o início da adolescência, visam suprir a falta de um registo que os diários iniciados em 1993 (Cadernos de Lanzarote) dificilmente poderiam dar: o da origem humilde de que tanto se orgulhava, sentimento bem patente no discurso de Estocolmo perante a Academia Sueca (7 de Dezembro de 1998):
O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcos de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia.
No entanto, é interessante verificar que alguns registos de As Pequenas Memórias apareçem já em Manual de Pintura e Caligrafia de 1977. Romance autobiográfico, então? Talvez não. Para um romance ser autobiográfico terá de haver uma clara identificação entre o protagonista e o autor empírico, o que parece não acontecer aqui. É verdade que há esses registos avulsos da infância de Saramago, é verdade que o autor deverá ter feito as peregrinações nele referidas por museus, monumentos e pinacotecas de Itália. Mas não chega. Manual de Pintura e Caligrafia, não obstante a deriva final em que surgem em cena o apodrecimento do regime marcelista e o movimento do 25 de Abril, é um ensaio em forma de ficção sobre a autobiografia, o auto-retrato e a posição do artista perante a obra de arte. Diz o narrador: Biografamos tudo. Às vezes, contamos certo, mas o acerto é muito maior quando inventamos. A invenção não pode ser confrontada com a realidade, logo, tem mais probabilidades de ser exacta.
terça-feira, agosto 23, 2011
O "EU" QUE FALA DE SI
Por esta passagem se percebe como a autobiografia de Roland Barthes é tudo menos a explanação da noção tradicional de autobiografia:
A mim, eu (Moi, je)
Um estudante americano (positivista ou contestatário: já não consigo distinguir) identifica, como se fosse óbvio, subjectividade com narcisismo; pensa certamente que a subjectividade consiste em falar de si, para dizer bem. Isto, por ser vítima dum velho casal, dum velho paradigma: subjectividade/objectividade. Todavia, hoje em dia o sujeito toma-se noutro lado e a “subjectividade” pode regressar noutro ponto da espiral: desconstruída, desunida, deportada, sem amarras: porque não hei-de falar de “eu”, uma vez que “eu” já não é “mim mesmo” (je – moi-même)?
segunda-feira, agosto 22, 2011
"AS PALAVRAS" - A AUTOBIOGRAFIA DE SARTRE
Da sua autobiografia, diz Sartre: Penso que Les mots (As Palavras) não é mais verdadeiro do que La nausée ou Les chemins de la liberté. Não que os factos que aí relato não sejam verdadeiros, mas Les mots é uma espécie de romance também, um romance em que acredito. Significa para Sartre que a autobiografia, usando os mesmos processos técnicos e formais do romance, com este se igualiza em dignidade artística, não se limitando a uma escrita meramente referencial.
As Palavras é um retorno não sentimentalista à infância do autor com a descoberta de dois tesouros: a leitura e a escrita. O menino Jean-Paul, órfão de pai, tutelado por um avô culto e liberal, conheceu cedo o episódio protagonizado por Carlos V, dobrando-se humildemente para apanhar do chão o pincel de Ticiano. Ficou assim a saber que a arte está acima do poder dos príncipes.
Sobre a importância da escrita na construção da sua personalidade, diz: Nasci da escrita: antes dela, havia apenas um jogo de espelhos; desde o meu primeiro romance, soube que uma criança se introduzira no palácio dos espelhos. Escrevendo, eu existia, e se dizia eu, isso significava eu que escrevo.
domingo, agosto 21, 2011
AS "CONFISSÕES" DE ROUSSEAU
Do preâmbulo do autor: Este é o único retrato de homem, pintado exactamente segundo o natural e em toda a sua verdade, que existe e que provavelmente existirá jamais.
Do início do Livro Primeiro: Eis aqui o que fiz, o que pensei, aquilo que fui. Falei, com igual franqueza, do bem e do mal. Nada calei de mau, nada acrescentei de bom, e, se me aconteceu empregar qualquer insignificante adorno, foi tão-somente para tapar uma lacuna motivada pela minha falta de memória; posso ter tomado como verdadeiro o que sabia havê-lo podido ser, nunca o que sabia ser falso.
Estes excertos das Confissões remetem-nos para três perspectivas teóricas sobre a autobiografia: 1ª. A de que a autobiografia, como documento, é referencial: há um sujeito que precede a escrita; 2ª. A de que o autobiógrafo, embora querendo dizer a verdade, não está imune aos desvios da memória, aos impulsos do inconsciente e ao desejo de construir um mito pessoal; 3ª. A de que a escrita não pode narrar a vida de ninguém, partindo da ilusão referencial para sempre chegar à ficção; assim, a escrita autobiográfica não reproduz o sujeito, este é que se cria através da escrita.
sábado, agosto 20, 2011
NABOKOV: AUTOBIOGRAFIA E MNEMÓSINE
A autobiografia de Vladimir Nabokov (1899-1977), cujo título na edição portuguesa é Na Outra Margem da Memória, foi designada como Speak, Memory desde a sua primeira versão de 1947.
No prefácio da edição de 1966 é referido pelo autor que a primeira ideia para título teria sido Speak, Mnemosyne , ideia entretanto abandonada por razões comerciais, porque, segundo conselho recebido, “as velhinhas nunca pediriam um livro com um título que não soubessem pronunciar”. As “velhinhas”daqueles já distantes tempos eram, pelos vistos, grandes leitoras. Convinha pois tê-las em conta.
Ao ler hoje o prefácio e os três primeiros capítulos da edição portuguesa, e ao reparar na palavra que não vingou no título – Mnemosyne – pensei na questão da memória, aspecto importante da teoria autobiográfica pelo uso que dela faz o autobiógrafo quando se dispõe a recuperar factos passados há muitos anos, alguns deles do período longínquo da infância.
É o problema da verdade da autobiografia, dos sempre possíveis desvios da memória (sob a forma de omissões ou embelezamento dos factos narrados) e dos impulsos inconscientes que levam a dar como verdadeiro aquilo que nunca foi.
Mnemósine era na mitologia grega a deusa da Memória. Mas mais do que isso era a mãe das nove musas das artes liberais, sendo que uma delas, Calíope, era a musa da poesia e da eloquência. E é assim que tudo faz sentido no título que Nabokov escolheu e não teve coragem de levar por diante. A autobiografia, que nasce da memória, acolhe-se por direito ao templo de Calíope: porque embora sendo história, é também poesia; porque sendo eloquência, é sobretudo retórica. Tanto como deleitar, a autobiografia está obrigada a convencer o leitor das verdades que narra. Mesmo que sejam ficções.
sexta-feira, agosto 19, 2011
quinta-feira, agosto 18, 2011
ASSUNÇÃO!
A rapariga até é engraçadinha. Com o seu ar sensato e voluntarioso, com o seu olhar de inteligência calma e irradiante, assemelha-se bastante à colega que todos gostaríamos de ter tido na faculdade para nos passar os apontamentos das aulas a que faltávamos ou para nos explicar as matérias que a nossa limitada compreensão de machos dificilmente conseguia absorver. É ministra da agricultura, actividade humana à qual se aplica na perfeição o decreto do Eterno: “Comerás o pão com o suor do teu rosto”.
Don Lope, ancião por quem começo a ganhar algum afecto (co-extensivo, em moldes especiosos, à sua filha dilecta) dizia-me há tempos que o chefe partidário de Assunção era o único homem em Portugal que poderia salvar a nossa agricultura! Afinal foi salvar outras agriculturas, mas deixou a pequena no lugar em que ele deveria estar – o lugar que lhe pertencia por todas as razões e mais uma, que é a de ser um lugar em que nunca se poderia meter a comprar submarinos ou a fazer outras despesas intoleráveis com material de guerra.
Vi ontem a Assunção numa herdade do Alentejo, na reportagem do telejornal, a escolher tomate ao lado de mulheres de chapéu e lenço sobre a nuca (é bom ver os governantes a meterem a mão na massa – na do trabalho, entenda-se) e aproveitando para falar de fundos que se encontravam paralisados por incompetência de anteriores governos, e que ela acabava de desbloquear para felicidade de todos os agricultores.
Enquanto não chegam as manifestações dos polícias, da Intersindical, dos indignados do Rossio e da Avenida da Liberdade, enquanto não se sentir bem o peso dos efeitos do IVA na electricidade, no gás e os que resultarão da redução da TSU, enquanto não chegar o Natal mais pobre das últimas décadas, é bom que a televisão nos dê estas imagens tranquilizantes. Para susto já bastam as malcriadices do Alberto João, a voz gutural do Aníbal, a cidadania apocalíptica do Nobre.
Haja Deus!
quarta-feira, agosto 17, 2011
"DESVIO COLOSSAL" II
A Madeira exige uma fatia dos 78 mil milhões de euros que a 'troika' emprestou a Portugal para pôr em ordem as contas da região. Alberto João Jardim fez saber isso mesmo a Passos Coelho e a Cavaco Silva, mas a região autónoma não parece disposta a fazer mais sacrifícios, além dos que estão escritos no memorando. As Finanças estão a estudar a hipótese de ajuda, depois de a 'troika' ter descoberto um buraco de 277 milhões nas contas da região, que contribuiu para o "desvio colossal" do Estado.
terça-feira, agosto 16, 2011
OBRA COMPLETA DE ALMEIDA GARRETT
Quem possuir os dois tomos que se perfilam na banda direita desta imagem, pode estar certo de que tem consigo uma obra valiosa. Para comprová-lo bastará ler a abertura do capítulo II das Viagens, um exemplo vívido e inultrapassável de ironia romântica:
segunda-feira, julho 18, 2011
UM NOVO BLOGUE
É altura de saudar o blogue A CURVA DOS LIVROS - www.acurvadoslivros.blogspot.com - do Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro. Nasceu a 13 de Julho e, por enquanto, tem apenas três contribuidores.quarta-feira, julho 13, 2011
sábado, julho 09, 2011
quinta-feira, julho 07, 2011
A " LONGA MANUS" DA JUSTIÇA PORTUGUESA
Não é impunemente que se dão murros no estômago do Primeiro-Ministro de Portugal. Força contra as forças obscurantistas dos mercados! Cavaco Silva, insuspeitíssima figura, será arrolado como testemunha; Sócrates, a estudar Filosofia em Paris, fará o seu depoimento por escrito. O País tem finalmente um novo Timor, uma nova causa. Podia parecer que nos faltava um Baltasar Garzón, mas não. “Avancemos sem medos” contra a barbárie capitalista!
domingo, julho 03, 2011
"PATOLOGIA SOCIAL"
Eis a doença que êste livro acusa: – A dissolução dos costumes burgueses.
O mais característico sintoma dêsse mal é a falsa educação. A educação burguesa tem um defeito fundamental: mantém na mulher a mais terrível, a mais perigosa de todas as fraquezas. Esta fraqueza consiste no seguinte: No fundo mais íntimo e mais secreto da sua existência de artifício e de aparato, a burguesa sente-se conscenciosamente mesquinha e reles. Vamos ver porquê.
Veja-se em As Farpas de Ramalho Ortigão, tomo IX, Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1944, pp. 245-262
sábado, julho 02, 2011
VÓRTICES
O problema, para mim, era insuperável. A jovem morava na rua da escola, cem metros abaixo, quase a chegar ao Largo do Calvário do cinema Promotora e da esquadra da PSP. Cem metros era espaço curto para uma declaração vorticista que nunca poderia acontecer no pátio escolar ou nas escadas e corredores do velho edifício da Rua da Creche.
Rua da Creche, do bairro típico de Alcântara. A creche, de que recebeu o nome, ficava mais acima, na Calçada da Tapada. Quem por lá passar, ainda hoje pode ver, inscrita no frontispício dum velho edifício, a palavra “parvulário” – do latim parvulus, que quer dizer criança ainda pequena. Parvulário era um infantário, uma creche – coisas e nomes do tempo erudito da I República!
Esta Rua da Creche é histórica. Era lá que morava, num rés-do-chão revestido de marmorite e com cortinas de renda nas janelas, o mestre Fonseca, professor de dactilografia e caligrafia que escreveu livros e críticas de televisão com o sibilante pseudónimo de Mário Castrim. Foi ele que me publicou uns poemas no Diário de Lisboa – Juvenil, ou, melhor dizendo, publicou dois ou três poemas e deitou para o caixote do lixo uns vinte ou trinta. Como eu lhe agradeço a medida higiénica! Que a terra te seja leve, meu Mestre!
Foi nesta rua que a Pide matou José Dias Coelho, o pintor da balada de José Afonso, e eu estava lá para ouvir o tiro e não saber nada do que acontecera. A Rua da Creche chama-se hoje Rua José Dias Coelho e uma lápide atesta, no local, o hediondo crime.
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue de um peito aberto sai.
sexta-feira, julho 01, 2011
"Abandono" (Fado de Peniche) - Amália Rodrigues
Por teu livre pensamento
Foram-te longe encerrar.
Tão longe que o meu lamento
Não te consegue alcançar.
E apenas ouves o vento
E apenas ouves o mar.
Levaram-te, a meio da noite:
A treva tudo cobria.
Foi de noite, numa noite
De todas a mais sombria.
Foi de noite, foi de noite,
E nunca mais se fez dia.
Ai! Dessa noite o veneno
Persiste em me envenenar.
Oiço apenas o silêncio
Que ficou em teu lugar.
E ao menos ouves o vento
E ao menos ouves o mar.
(Cantado ontem por Cristina Branco no espectáculo de encerramento das Festas de Lisboa.)
terça-feira, junho 28, 2011
INESPERADAMENTE A MEIO DA TARDE
1/. “A única alegria neste mundo é a de começar”;
2/. “Nada se acrescenta ao que ficou para trás, ao passado. Recomeçamos sempre”.
Fez-me bem. Atiro-me ao trabalho com renovada alegria.
quarta-feira, junho 22, 2011
REYNO DE BABYLONIA
Inspirada no tema e nos emblemas duma obra do jesuíta flamengo Hermano Hugo, também com influências da novela A Preciosa de Sóror Maria do Céu, a narrativa moral REYNO DE BABYLONIA GANHADO PELAS ARMAS DO EMPYREO, de Sóror Magdalena da Glória (pseudónimo: Leonarda Gil da Gama), foi publicada em Lisboa no ano de 1749.Sóror Magdalena da Glória nasceu em Sintra em 11 de Maio de 1672. Professou com dezasseis anos no Convento da Esperança de Lisboa, da regra de S. Francisco, tendo falecido em provecta idade por volta de 1760.
A seguir se transcreve um resumo da narrativa, feito por este escriba em 2008 no quadro de um trabalho sobre Literatura Portuguesa do Período Barroco.
Tudo se passa num vale confuso da antiga Babilónia (o mundo terreno, lugar de pecado), onde um Príncipe, fiho do Supremo Emperador (Deus Todo Poderoso), põe os olhos apaixonados numa formosa aldeã de nome Angélica (a Alma). Longe de corresponder ao sentimento do seu amante, Angélica mantém-se indiferente, gozando os prazeres mundanos, o que desgosta profundamente o Príncipe. Este envia-lhe diversos membros da sua corte com o intuito de a demoverem de tão ingratos propósitos: fiéis conselheiras (as Virtudes), um embaixador (o Anjo da Guarda) e até um ancião muito respeitado e valoroso que era o mais importante dos seus vassalos (Santo Agostinho).
Ao longo do assédio que lhe move o Príncipe, Angélica tem momentos em que parece inclinar-se para ele, e outros, menos felizes, em que persiste nas vaidades de Babilónia. Manifesta-se então o ciúme do amador, doído por não encontrar correspondência em tal paixão, vendo a sua amada a ceder às tentações de falsos conselheiros (os anjos revoltados) que lhe enalteciam os prazeres dos cinco sentidos. Pretende o Príncipe castigá-la, pois tinha poderes para tal, mas, infinitamente bom e apaixonado, está sempre disposto a conceder-lhe o perdão.
Entre avanços e recuos, rasgos místicos e recaídas no erro, debate-se Angélica com a sua própria inconstância. São trazidos ao leitor exemplos de mulheres que nunca negaram o seu amor ao Divino Amante: Santa Luzia, Santa Rosa de Lima, Santa Catarina de Alexandria, Santa Clara.
O Príncipe, que nunca deixou de seguir a inconstante aldeã, consegue no final que ela se lhe entregue. Emendada a profia dos descaminhos, desfeitos os fumos da vaidade, Angélica une-se com o Príncipe (Jesus Cristo), subindo com ele ao trono do Empíreo.
Se estas tivessem sido as leituras de Emma Bovary…
domingo, junho 19, 2011
"MADAME BOVARY"
Isabelle Huppert (Emma) no filme Madame Bovary (1991) de Claude ChabrolE, no entanto, Emma Bovary lia. Lia e tinha amantes, uma associação de gostos (ou uma relação de causa e efeito) frequentemente estabelecida na ficção naturalista de oitocentos. A Luiza d’ O Primo Bazilio também era leitora de novelas, o que vem reforçar aquela máxima que vi inscrita não sei em que livro ou revista: mulheres que lêem são perigosas!
Também me convenço de que O Primo Bazilio de Eça de Queiroz, em que já se viu uma imitação de Flaubert, é bem melhor do que o romance do mestre francês. Luiza, apesar de tudo, amava o marido; era vítima da criada Juliana, uma das mais notáveis personagens criadas pelo nosso grande romancista; tinha no seu círculo de amigos um conselheiro Acácio, figura muito mais interessante do que o jacobínico Homais; e quanto a refinamentos amorosos, bem, não sei se Léon ou Rodolphe alguma vez fizeram a Emma aquilo que Bazilio fez a Luiza em certa tarde de amor no “Paraíso”…
A terminar, uma pequena declaração: não concordo com a máxima citada. Acho que hoje em dia, mulheres perigosas são mesmo as que não lêem!
Tenho dito, e já me safei (espero).
segunda-feira, junho 13, 2011
PENEDONO, MEU AMOR
Comia-se numa mesa rectangular a que se juntavam cadeiras de espaldar alto: o pai e a mãe nos topos, a filha e o convidado de cada um dos lados.
A sala era digna de um solar: lajedo no chão, granito nas paredes, grossas traves de carvalho no tecto, candelabros de ferro forjado, retratos de avós em cima de móveis de nogueira e uma escada de madeira que rangia na direcção dos quartos.
O leite-creme sumiu-se da travessa de loiça com os bordos pintados de flores, deixando ver no fundo uma cena bucólica em azul pálido. Vieram bagaceiras e cafés, charutos que o convidado recusou não se sabe bem porquê.
A mãe era uma senhora roliça, com muitas rugas, setenta anos bem medidos. O pai, que andava pela mesma roda, parecia uma personagem de Buñuel, talvez o Don Lope de Tristana, Amor Perverso. Só que este Don Lope tinha mulher em casa e a filha era mesmo filha, ainda que um bocado mais velha que a Catherine Deneuve do filme.
Isto passava-se em Penedono. Para quem não saiba, é terra que fica lá para as bandas de S. João da Pesqueira e Foz Côa, perto do Douro, à volta de um castelo medieval que parece um cenário de filme sobre cavaleiros da Távola Redonda. D. Álvaro Gonçalves Coutinho, o Magriço, um dos Doze de Inglaterra, saiu dali, num tempo de brumas e cavalarias, para ir defender a sua dama em terras dos Duques de Lencastre. Camões, pela boca do marinheiro Veloso, enaltece o feito no Canto VI d’Os Lusíadas – estrofes 43 a 69 para quem queira queimar os olhos com tão incerto episódio histórico.
Veio o serão. Don Lope gabava o novo rumo que o país finalmente ia tomar, os resultados eleitorais, o governo com uma maioria e um presidente. O convidado concordava por delicadeza, os olhos postos nas traves do tecto como quem pede o auxílio de Deus, trocando olhares com a filha e fazendo uma figa atrás das costas.
A filha ia bocejando, a semana de trabalho tinha sido dura, estava cansada e queria dormir. Subiu com a mãe as escadas rangentes.
Don Lope falava de economia e finanças, de política agrícola. Que havia, sim, um político em Portugal capaz de endireitar a nossa agricultura, assim o deixassem! Não só capaz de endireitar a agricultura como de restabelecer a segurança no país! Uma pouca vergonha o que se passava em matéria de segurança, a polícia sem autoridade, os tribunais contra a polícia, libertando os delituosos e atenuando-lhes as penas.
Parece que o político de Don Lope tinha lugar garantido como vice-primeiro-ministro! O convidado, por desfastio ou maldade, pedia mais um balão de bagaceira e lembrava-se de Alexandre O´Neill: Neste país em diminutivo… Respeitinho é que é preciso.
Foi por respeito que a mãe mandou a empregada preparar dois quartos. Não se tratava de um namoro de miúdos, afinal a filha até já tinha sido casada, mas há coisas que em certas casas e em certos momentos não são assumidas sem ponderação.
Enquanto falava com Don Lope o convidado recordava-se da primeira vez que viera a Penedono, em outros tempos e noutro histórico de afectos, já lá iam uns bons dez anos, talvez mais.
No piso de cima, dizia a mãe para a filha:
– Se ficarem na mesma cama, desfaçam a do outro quarto como se alguém tivesse lá dormido. A empregada não tem que saber, muito menos o pai.
O pai, Don Lope, aproveitava uma pausa na conversa para repousar os olhos. Era a sonolência que lhe costumava vir por volta das onze da noite, efeito da medicação, do vinho ou da diabetes ferina.
O convidado aproveitou para sair de mansinho. Encaminhou-se para as escadas e começou a subi-las, enquanto uma voz lhe atravessava a mente: “Penedono, meu amor”. Por mais que quisesse, não conseguia perceber de que tempo, próximo ou distante, provinha ela.
sábado, junho 11, 2011
sexta-feira, junho 03, 2011
CASAMENTO DA MORTE


D. Francisco Manuel de Melo
Carta de Guia de Casados
Ela dava aulas na faculdade, lia Foucault, tinha a cabeça cheia de filosofia e o corpo muito feito a satisfações metafísicas, a fenomenologias frenéticas, a ontologias gritantes. Ele limitava-se a passear os olhos por romances, por um ou outro livro de poesia, e tentava uma vaga investigação literária num trabalho académico de improvável mérito.
Como é que tudo começou? Ninguém pode dizer ao certo o princípio das coisas! Se fosse possível saber onde se levanta o vento, em que região do mar se forma a onda, em que recesso da alma desponta o amor – então o homem seria um lago de águas paradas, não haveria a emoção da vida nem o milagre da dúvida, estaria condenado ao mais pardo dos conformismos existenciais, sujeito a um determinismo tirânico, abominável e destruidor.
Na primeira noite que passaram juntos a coisa não correu mal de todo. Quando entraram na alcova, ela fechou um livro que estava aberto sobre a cama, no qual se viam grandes sublinhados a lápis castanho, tirou os óculos, a camisa e as calças, deixou brilhar o mármore dos seios e a promessa segura do triângulo púbico, e ele agiu como se lhe lesse, sem perceber, uma página densa de Heidegger. A parada era alta, mas lá se safou.
Na noite imediata foi como se lhe recitasse um poema mal decorado. Falhou nas estrofes preliminares, conseguiu recompor-se a meio do texto, e acabou no limiar duma indisposição grave, o coração a galope nas arcadas do peito.
Foram assim as duas primeiras noites. Nas que se seguiram é que foi pior. Ela queria Foucault, Deleuze, Derrida, e ele mal lhe conseguia ler um capítulo de Régio, um poema de Sophia, um artigo do JL dos mais ligeiros.
O amor pelas leituras, no entanto, parecia feito de uma liga forte. Ao fim do dia, antes de se meterem pelo Calhariz e subirem a Rua da Rosa a caminho do segundo andar do prédio em que ela morava, bebiam imperiais na Trindade e passeavam no Chiado de mãos dadas. Uma vez, uma senhora idosa que ia para a missa da tarde na Igreja dos Mártires gabou aquela ternura que via entre pai e filha, algo a que já não se assistia num tempo tão dado a conflitos geracionais. Uma amiga não menos carregada de anos que a acompanhava, mais preparada, contudo, para as realidades do século, pediu-lhe que não dissesse asneiras e ficasse calada. A senhora caiu em si e benzeu-se com veemência, rezando mentalmente a Santo Expedito por todos os que neste mundo se desviam do caminho certo.
O tempo foi passando. Na maior parte das noites não havia filosofia que viesse em seu auxílio. Ela mostrava-se compreensiva, lia e sublinhava encostada ao espaldar da cama, enquanto ele dormia, passeando por sonhos em que entravam pastoras da arcádia, toques de flauta e amores castos.
Sentiu o cheiro da morte numa madrugada de Primavera assustadora e quente. Ela lera os filósofos até tarde, os olhos correndo as páginas como se as quisesse meter dentro de si. Da rua vinha o ruído da malta dos copos, peregrinando de bar em bar. Ele estivera ao computador, escrevendo umas linhas frouxas, e a inevitabilidade do diálogo filosófico crescia como a sombra da noite. Os primeiros embates ultrapassou-os de forma satisfatória, só depois veio o mais complicado. Ela fixava-se num texto de Blanchot sobre Foucault e sexualidade, sabendo ele que quem fala em barcos quer embarcar. Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!, disse o poeta. Ele sentiu saudades de outros tempos e de outros cais onde embarcara, e deixou-se ir na corrente como quem se entrega. Acabou destroçado do excesso, um comprimido de emergência debaixo da língua. Filosofias…
Foi então que se lembrou de ter visto e fotografado no campus universitário de São Paulo, nas paredes de uma qualquer faculdade, uma inscrição a que agora dava completo sentido:
FOUCAULT É A MORTE DA FILOSOFIA!
DELEUZE E DERRIDA TAMBÉM!
Gostava muito dela, mas não aguentou o alto nível do debate filosófico em curso. Nunca mais poderá esquecer o andar velhinho da Rua da Rosa, a alcova semeada de livros, a roupa íntima espalhada pelo chão e o ruído que subia da rua até alta madrugada. Às vezes, por muito que custe, é preciso aprender com os clássicos. Casamento da morte…
segunda-feira, maio 30, 2011
A VIZINHA
- Então o seu menino como está? E a senhora? Faz tempo que não a vejo!
Ele mastigava umas palavras contidas, delicadas, que causavam consternação e dúvida.
- Então está em casa da mãe… Era o que eu devia fazer, tenho a minha mãezinha muito doente. Devia deixar tudo isto e ir ajudá-la.
A vizinha era talvez daquele tempo em que uma das filhas costumava ficar solteira para assistir a mãe nos achaques da velhice. Ela, porém, tinha constituído família, deixado o marido quando já não lhe fazia falta, e agora estava em casa da filha, que era casada- descasada-recasada, com descendência da união actual e da antecedente, e ali cumpria a sua nobre missão de auxílio doméstico: filha, netos e genro actual ao seu cuidado, a mãezinha doente que esperasse.
Isto começara em Novembro. O Inverno, entretanto, despira o arvoredo da praceta, correra veloz sobre a sombra dos dias, insuflando-lhes, semana a semana, suplementos líquidos de luz: em Janeiro uma hora por inteiro, e quem bem contar hora e meia vai achar.
O cheiro das lareiras, esfumado por chaminés altas, foi diminuindo. Escassearam as manchas brancas das garças que vinham do campo debicar a relva dos jardins. Os pássaros miúdos, de penas tufadas, já voltavam mais tarde para os ramos das árvores onde pernoitavam. No escuro da rua, encostados às paredes dos prédios, os jovens beijavam-se enquanto bebiam cervejas, línguas de alterne entre os gargalos frios das garrafas e o húmido quente das bocas.
Quando a Primavera chegou houve ameaços de felicidade em todos os rostos. De um dia para o outro passaram a vestir-se calções e camisas de manga curta. A senhora do segundo andar, que numa manhã partilhara com ele o elevador, já mostrava com naturalidade o terço superior dum seio redondo mas ainda pálido. Se ao menos a senhora do segundo andar lhe perguntasse alguma coisa… Mas não, limitava-se a um breve cumprimento, nada mais, e apenas a vizinha, avó de família, lhe dirigia impiedosamente a palavra.
Um dia em que dera com ele debruçado sobre o estendal da roupa, expondo ao sol três camisas e um par de calças, atirou-lhe de janela para janela, a voz bem timbrada como fazem os artistas de teatro, uma fala laudatória, audaciosa e clara:
- O meu marido nunca me ajudou em nada. Um homem não tem que se envergonhar de fazer o trabalho de casa.
E rematou:
- E a sua senhora, quando volta? Olhe, se precisar de alguma coisa minha…
O assédio continuava com o crescendo dos dias. Por motivos despropositados tocava-lhe à porta a meio da tarde, interpelava-o na rua, e lá vinham os rodeios, as perguntas. Ele já tinha feito o levantamento das suas rotinas: as horas em que ia ao supermercado ou ao café, quando saía para ir buscar a netinha ao colégio. E esquivava-se.
Em Maio veio um Verão precoce e desaustinado. A senhora do segundo andar continuava a mostrar o apetecível. Num domingo em que descera tranquilamente à rua deu com a figura lábil da vizinha que ia atravessando sem grandes pressas a porta larga do prédio. Tentou evitá-la. Deu-lhe a salvação e ia escapar-se, mas ela não lho permitiu:
- Olhe lá, senhor Manuel…
Ele parou, por delicadeza, e para evitar as incómodas perguntas passou ao ataque: começou a falar-lhe da reunião do condomínio, da falta de luz no terceiro andar. Há dois meses que a lâmpada ou o detector tinham falido e ninguém da administração parecia interessado em solucionar o problema; como é que ela se arranjava quando saía do elevador e tratava de introduzir a chave na fechadura da porta?
- Olhe, vou às apalpadelas. Ainda se fosse para apalpar alguma coisa de jeito.
Calou-se uns segundos e contra-atacou:
- Mostre-me as suas mãos.
Ele, surpreendido, levantou-as à altura da cara como quem se rende perante uma arma que acabasse de lhe ser apontada. E a vizinha, exultante, depois de uma observação rápida, disparou:
- Eu bem me parecia, não tem aliança! Já andava desconfiada de que alguma coisa não estava bem!
De soslaio, viu que a senhora do segundo andar se debruçava na sua varanda. Não podia garantir, mas parecia haver nela uma expressão de comiseração enternecida e calma.
sexta-feira, maio 27, 2011
PLAÇA CATALUNYA
Tenho um jovem que anda por lá. A verdade é que há mais de 24 horas que não consigo falar-lhe.
terça-feira, maio 24, 2011
"EURICO, O PRESBÍTERO"
LIMA DE FREITAS, painel de azulejos na Estação dos Caminhos de Ferro do Rossio. Evocação esotérica dum episódio de "Eurico, o Presbítero".Herculano disse de “Eurico” que não sabia como classificar o seu livro: romance histórico, lenda, ou crónica-poema. Tampouco isso o preocupava. O Romantismo foi um período de rupturas, de miscigenação dos géneros literários, de liberdade e libertação da linguagem poética. “Eurico” é um poema em prosa, dos mais belos livros que já se escreveram em língua portuguesa. Reli-o entre sábado e o dia de hoje, e não me saem dos olhos o povoado de Carteia, a sombra escura do Calpe, os alcantis dos Montes Cantábricos. Ler é encher os olhos de imagens, é viajar no espaço e no tempo.
quarta-feira, maio 18, 2011
"A SALA MAGENTA"

1ª Uma ADVERTÊNCIA do autor:
A acção e as figuras deste romance reportam-se a um mundo ficcional de entrada franca, sem chaves ou gazuas. Procurar moldes da vida real para acontecimentos e personagens é ter em má conta a imaginação do autor. Pode ser que ele o mereça, mas não os lesados por equívocos de leitura.
MdC
2ª Uma das cinco epígrafes do romance – parte de uma carta de Eça de Queirós em que o grande mestre do nosso realismo-naturalismo procura explicar que a personagem Tomás de Alencar de “Os Maias” nada tem a ver com a personagem real do escritor ultra-romântico Bulhão Pato:
E visto que nada agora pode justificar a permanência do Sr. Bulhão Pato no interior do Sr. Tomás de Alencar, causando-lhe manifesto desconforto e empanturramento – o meu intuito final com esta carta é apelar para a conhecida cortesia do autor da “Sátira”, e rogar-lhe o obséquio extremo de se retirar de dentro do meu personagem.
Digo-vos à puridade (comecei agora a usar esta expressão!) que acredito tanto em Eça como em Mário de Carvalho. Ou seja, apreço literário à parte, não tomo como sinceras nem a advertência do autor de “A Sala Magenta” nem a carta do grande escritor de “Os Maias”.
quinta-feira, maio 12, 2011
Catroga e as discussões de pentelhos
segunda-feira, maio 09, 2011
PORTUGAL E A FINLÂNDIA
domingo, maio 08, 2011
O FIDALGO APRENDIZ de D. Francisco Manuel de Melo
O que acontece a um fidalgo provinciano deslumbrado com a Corte ou como não se pode dar um passo maior que a perna. Um texto do século XVII de flagrante actualidade.
sexta-feira, maio 06, 2011
SONDAGENS
O homem é arrogante, mentiroso, desonesto (até cobarde, segundo as recentes declarações do tribuno Macedo), mas a última sondagem da Universidade Católica manda-o para a frente da corrida. Coisa estranha...
quinta-feira, maio 05, 2011
JERÓNIMO!
Li hoje na página Yahoo!France: “A utilização do nome do chefe apache Jerónimo como nome de código da operação militar americana que eliminou Ossama Bin Laden levantou protestos de vários representantes de comunidades índias dos Estados Unidos.”
O nome é, claro, politicamente incorrecto. Também entre nós, em certo quadrante político, poderá causar algum desconforto…
quarta-feira, maio 04, 2011
terça-feira, maio 03, 2011
segunda-feira, abril 25, 2011
sábado, abril 23, 2011
sexta-feira, abril 22, 2011
sábado, abril 16, 2011
TOMAR
terça-feira, abril 12, 2011
A CRISE - V
segunda-feira, abril 11, 2011
domingo, abril 10, 2011
O MALATO ENTRE O FACTO E O FATO
A CRISE - IV
A CRISE - II
A CRISE - I
segunda-feira, abril 04, 2011
De Mais Ninguém - Marisa Monte - Legendado
segunda-feira, março 28, 2011
BRUNO, MARCELO E A ESFINGE

segunda-feira, março 21, 2011
A CANÇÃO
Depois de uma manhã em que li duas páginas das Confissões de Rousseau e acabei de preencher com náusea os questionários dos Censos-2011, descobri que tinha a máquina de lavar roupa avariada. Perante tanta infelicidade, só uma canção como esta me pode confortar.
Os versos:
Se ela me deixou a dor é minha só
não é de mais ninguém...
…
A sala o quarto a casa está vazia
a cozinha o corredor
se nos meus braços ela não se aninha
a dor é minha a dor…
etc. etc. etc.
Oiçam bem a letra e a música em:




























