Livro da exposição de homenagem a JULIO (Júlio dos Reis Pereira) organizada em 2013 pelo CAM-Fundação Calouste Gulbenkian em colaboração com a Fundação Cupertino de Miranda. Edição belíssima com textos de Artur Santos Silva e Pedro Álvares Ribeiro, António Gonçalves e Patrícia Rosas, e Valter Hugo Mãe. Com reprodução das pinturas e dos desenhos expostos. A este artista ( JULIO como pintor e SAÚL DIAS como poeta) aplica-se bem a máxima de Simónides de Céos (séculos VI e V a. C.) citado por Plutarco: «A pintura é poesia muda e a poesia é pintura falante»; ou o sentido do verso 361 da Epistola aos Pisões, de Horácio: «Ut pictura poesis», isto é, «Como a pintura é a poesia».
quinta-feira, julho 12, 2018
terça-feira, julho 10, 2018
segunda-feira, julho 09, 2018
VOU LENDO
Marco Polo como viajante e Rustichello de Pisa como
cronista apresentaram em finais do século XIII uma descrição tão minuciosa
quanto possível dos reinos, cidades, línguas, religiões e costumes de uma vasta
região do mundo compreendida entre o Próximo Oriente e os confins do Império
Mongol. O relato detém-se em pormenores históricos da Europa como o comércio de
Veneza com o Oriente e o longo período que demorou a escolha do sucessor
do papa Clemente IV, falecido em Novembro de 1268. A passagem pela Arménia e a Geórgia
dá lugar, no capítulo 21, a uma curiosa referência a «uma fonte de onde surge
tanto óleo e em tal abundância que cem barcos se carregariam ao mesmo tempo», óleo
esse que, não sendo «bom para comer, mas sim para queimar», traz «homens de
muito longe» por sua causa. Se era assim no século XIII, que dizer então do que
se passa nos dias de hoje?
domingo, julho 08, 2018
sábado, julho 07, 2018
quinta-feira, julho 05, 2018
Só uma vez fui verdadeiramente amado. Simpatias, tive-as sempre, e de todos. Nem ao mais casual tem sido fácil ser grosseiro, ou ser brusco, ou ser até frio para comigo. Algumas simpatias tive que, com auxílio meu, poderia - pelo menos talvez - ter convertido em amor ou afecto. Nunca tive paciência ou atenção do espírito para sequer desejar empregar esse esforço.
= Bernardo Soares, Livro do Desassossego.
domingo, julho 01, 2018
CASA DE ANTERO DE QUENTAL EM VILA DO CONDE
O autor de Odes Modernas e Causas da Decadência dos Povos Peninsulares viveu nesta casa de Vila do Conde entre 1881 e 1891. De construção recente é a escada de madeira que liga os diversos pisos da casa, materialização simbólica dos versos do soneto "Evolução", de Março de 1882:
Hoje sou homem - e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, na imensidade...
=Fotos de 28-6-2018=
sábado, junho 30, 2018
terça-feira, junho 26, 2018
domingo, junho 24, 2018
NO MUSEU DO FADO
Num dos painéis alusivos a figuras do fado, os poetas David Mourão-Ferreira, José Régio e Alexandre O' Neill cujos poemas foram e são cantados por renomados fadistas. Destaque para Régio que no ensaio António Boto e o Amor (1938) tece interessantes considerações sobre a canção nacional: «Várias são as modalidades do fado, conforme o meio em que se desenvolve: Assim há o fado dos lupanares, das tabernas, das alfurjas: o fado de salão, de palco, de retiro, de coreto de rancho popular estilizado; o fado das alfamas e mourarias de Lisboa; dos luares do Mondego e becos da Alta de Coimbra; das revistas chulas do Porto ou dos cegos das feiras dos subúrbios. Assim há o fado que arrota e o que põe água de cheiro, o que soluça e o que satiriza, o que pode refrescar a literatura e o que a envilece, o que vai barra fora em terceira classe, guardado numa caixa de guitarra como no coração dum búzio saudoso, e o que se embarca em discos ou navega em ondas sonoras enviadas pelas emissoras. Assim há o fado às vezes execrável e o fado às vezes tocante, - um e outro característicos através das suas modalidades.» Mais adiante, o poeta de Vila do Conde e Portalegre aponta como fontes de inspiração do fado a «paixão do solo pátrio», a «vontade de aventura», o «desgosto das injustiças sociais», o «exibicionismo da desgraça», o «amor filial» e o «amor maternal», a «sede de piedade» e as saudades de tudo, palavras de um verso de António Nobre. Penso que o Museu do Fado terá em arquivo este texto do poeta, mas não deixarei de perguntar da próxima vez que lá for.
sábado, junho 23, 2018
sexta-feira, junho 22, 2018
LEITURAS TARDIAS
Ainda nos primeiros capítulos. Ismael, o narrador, professor rural oriundo de famílias distintas, embarca como marinheiro em qualquer navio sempre que se sente atacado por estados mórbidos. É, diz ele, a sua estratégia de luta contra o suicídio.
quinta-feira, junho 21, 2018
quarta-feira, junho 20, 2018
RECOLHA DE TEXTO E COLAGEM *
uma voz existe intersticial.
mole é contudo a espera
e tu jazes no chão.
passos na escada vacilante enganam.
é ela ou não ainda?
é ela quem sobe firmamente
é ela.
sem bater entrou
correu beijou-te a testa os olhos e a boca
o lábio inferior dela no superior da tua boca
num instante de paz.
hoje não posso
problemas de fêmea.
autoirónica sorriu e tu sorriste:
que chatice.
* ALMEIDA FARIA, I Fragmento de Rumor Branco, 5ª edição revista, Lisboa, Assírio & Alvim, 2012.
mole é contudo a espera
e tu jazes no chão.
passos na escada vacilante enganam.
é ela ou não ainda?
é ela quem sobe firmamente
é ela.
sem bater entrou
correu beijou-te a testa os olhos e a boca
o lábio inferior dela no superior da tua boca
num instante de paz.
hoje não posso
problemas de fêmea.
autoirónica sorriu e tu sorriste:
que chatice.
* ALMEIDA FARIA, I Fragmento de Rumor Branco, 5ª edição revista, Lisboa, Assírio & Alvim, 2012.
terça-feira, junho 19, 2018
segunda-feira, junho 11, 2018
domingo, junho 10, 2018
quinta-feira, junho 07, 2018
MADAME HYDE (2017), DE SERGE BOZON
ISABELLE
HUPPERT, foi por ela que me sentei na sala do Monumental. A transfiguração de
uma professora de Física perante uma
classe de jovens descendentes africanos, árabes e magrebinos. Lycée Arthur Rimbaud,
escola com nome de poeta maldito. O rap insubmisso
(«Demasiado trabalho na escola, e depois da escola não há trabalho») e versos
de “Les Phares”, de Charles Baudelaire. Um estranho caso, como o do Dr. Jekyll
e Mr. Hyde.
terça-feira, junho 05, 2018
TOPÓNIMOS
Domingo, 3-6-2018
Nenhum jasmim nestas escadas de luz e
sombra em cujas pedras cresce uma árvore como uma alegoria verde. Árvores em flor em
outros pontos da cidade. Nesta Lisboa, onde agora «a cor dos jacarandás floridos / se
mistura à do Tejo, em flor também,» (Eugénio de Andrade).
quinta-feira, maio 31, 2018
quinta-feira, maio 24, 2018
domingo, maio 06, 2018
segunda-feira, abril 09, 2018
Que é viajar, e para que serve viajar? Qualquer poente é o poente; não é mister ir vê-lo a Constantinopla. A sensação de libertação que nasce das viagens? Posso tê-la saindo de Lisboa até Benfica, e tê-la mais intensamente do que quem vá de Lisboa à China, porque se a libertação não está em mim, não está, para mim, em parte alguma.
(...)
Quem cruzou todos os mares cruzou somente a monotonia de si mesmo. Já cruzei mais mares do que todos. Já vi mais montanhas que as que há na terra. Passei já por cidades mais que as existentes, e os grandes rios de nenhuns mundos fluíram , absolutos, sob os meus olhos contemplativos. Se viajasse, encontraria a cópia débil do que já vira sem viajar.
= Bernardo Soares, Livro do Desassossego.
quinta-feira, abril 05, 2018
PINACOTECA
Praia de Banhos, Póvoa de Varzim (1884), de MARQUES DE OLIVEIRA (Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado).
José Régio veio décadas depois
José Régio veio décadas depois
na nave redonda do Diana Bar.
Não a banhos, como as figuras
do quadro, mas para escrever
a confissão derradeira
no limiar da morte,
a luta perdida
nos corredores do tempo,
a moeda na mão para o sonâmbulo
barqueiro.
28-6-2017
quarta-feira, abril 04, 2018
VOU LENDO
PORTUGAL
O teu Produto Interno
é Bruto.
(p. 50)
--- Com uma epígrafe tirada de Mário de Sá-Carneiro, poema "Caranguejola":
Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras, / Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou. / Agora no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras: / Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo o mais acabou.
Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras, / Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou. / Agora no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras: / Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo o mais acabou.
terça-feira, abril 03, 2018
domingo, março 25, 2018
terça-feira, março 20, 2018
segunda-feira, março 19, 2018
VOU LENDO
« – Falei-te uma vez de uma
rapariguinha que conheci em Mira, lembras-te? Antes de entrar para a Faculdade…
– Ela assentiu com a cabeça. –
Reencontrei-a há poucas semanas. Não aconteceu nada entre nós, mas já poderia
ter acontecido, só não aconteceu porque nem eu nem ela quisemos, embora
quiséssemos. – Observa-a em silêncio, como se pretendesse seguir os pensamentos
da mulher. – Preferimos manter um futuro de reserva , não o gastar já no
presente, entendes? Recorrer a ele apenas quando tudo o mais tiver falhado.»
--- A superação do tempo linear e a plasticidade das personagens. Uma forma de
narrar não tradicional. Cruzamento de planos narrativos, de vozes, avanços e
recuos na linha da história. A sugestão
de ambientes, como os que nos são dados por uma câmara de filmar. Mais “aventura
da escrita” do que “escrita da aventura”. Ó meus caros amigos, isto está muito à frente do que agora nos é dado pelos escritores da moda.
quarta-feira, março 14, 2018
PINACOTECA
FERNAND LÉGER (1831-1955), Les Loisirs - Hommage à Louis David ou Le Beau est partout (1948-49). Musée national d´art moderne, Centre Pompidou, Paris.
domingo, março 11, 2018
Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos.
Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa. O onanista é abjecto, mas, em exacta verdade, o onanista é a perfeita expressão lógica do amoroso. É o único que não disfarça nem se engana.
= Bernardo Soares, Livro do Desassossego.
quarta-feira, março 07, 2018
CARTOON XIRA
A CARTOON XIRA, retrospectiva dos melhores cartoons publicados em 2017, decorre este ano na FÁBRICA DAS PALAVRAS. Na imagem, o trabalho de Cristiano Salgado (n. 1977): Ida de Mário Centeno para presidente do Eurogrupo.
domingo, março 04, 2018
sexta-feira, março 02, 2018
Não se subordinar a nada – nem a um homem, nem a um amor, nem
a uma ideia, ter aquela independência longínqua que consiste em não crer na
verdade, nem, se a houvesse, na utilidade do conhecimento dela – tal é o estado
em que, parece-me, deve decorrer, para consigo mesma, a vida íntima intelectual
dos que não vivem sem pensar. Pertencer – eis a banalidade. Credo, ideal,
mulher ou profissão – tudo isso é a cela e as algemas.
= Bernardo Soares, Livro do Desassossego.
quinta-feira, março 01, 2018
A DAMA DO OCULTO
«Decretado o divórcio,
a dama do oculto estabeleceu-se com um homem mais novo sem papéis nem
assinaturas. Uma espécie de toy boy, na
sugestiva expressão que só a língua de Shakespeare e John Keats é capaz de nos
dar. Mas não durou muito este casamento do diabo, expressão da Carta de Guia de Casados de D. Francisco
Manuel de Melo: casamento de Deus, o dos noivos da mesma idade; da morte, o do
velho com a jovem; do diabo, o que tem lugar entre o jovem e a velha. O toy boy não desistira de ser brinquedo
de outras senhoras, e a dama do oculto, dona da casa que servia de cenário às
brincadeiras do casal, demitiu-o das suas funções sem sobressalto ou angústia
de qualquer das partes.»
---
Excerto duma narrativa inédita.
quarta-feira, fevereiro 28, 2018
PINACOTECA
HENRIQUE POUSÃO (Vila Viçosa, 1859-1884), Cecília (1882), óleo s/ tela 82 x 57,5 cm, Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto.
terça-feira, fevereiro 27, 2018
CATERINA DE CAMÕES
«Não
se sabe ao certo quando e por que razões começou a tomar medicamentos
homeopáticos. Segundo as notas do dossiê, Hermes falara do assunto com a
florista, tendo sabido que além de tomar os ditos medicamentos Caterina de
Camões adquirira o hábito de os prescrever a amigos e familiares como se fosse
mestra encartada daquelas artes de curar. Watson lembrou-se então do falso
homeopata José Dias, agregado da família de Bentinho Santiago no romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. E
aproveitou, no desenvolvimento da conversa, para arrasar o método terapêutico e
o princípio similia similibis curantur, o
mesmo é dizer o semelhante pelo
semelhante se cura, classificando-os como pseudociência e charlatanismo.»
---
Excerto duma narrativa inédita.
quarta-feira, fevereiro 21, 2018
segunda-feira, fevereiro 19, 2018
LA FEMME DE MES RÊVES
Exposição da
artista Bela Silva (n. 1966) na galeria Alecrim 50. Aqui, o trabalho de desenho-pintura-colagem La femme de mes
rêves. Não imaginava que pudesse ser assim, mas senti-o como tal. Uma questão de percepção sinestésica, talvez. Gostei.
=Fotos de 17-2-2018=
sexta-feira, fevereiro 16, 2018
quinta-feira, fevereiro 15, 2018
PINACOTECA
NICOLAAS VERKOLJE (1678-1764), Thamar violada por Amnón, óleo sobre tela, 49x57,5cm, Staatsgalerie Stuttgart.
Episódio bíblico, 2 SAMUEL 13 (Thamar e Amnón eram meios-irmãos, filhos de David).
Poema de F. García Lorca em Romancero Gitano (excerto):
«Thamar, bórrame los ojos
con tu fija madrugada.
Mios hilos de sangre tejen
volantes sobre tus faldas.
Déjame tranquila, hermano.
Son tus besos en mi espalda,
avispas y vientecillos
en doble enjambre de flautas.
Thamar, en tus pechos altos
hay dos peces que me llaman,
y en las yemas de tus dedos
rumor de rosa encerrada.»
quarta-feira, fevereiro 14, 2018
terça-feira, fevereiro 13, 2018
sábado, fevereiro 10, 2018
sexta-feira, fevereiro 09, 2018
PINACOTECA
BORIS TASLITZKY, Télégramme (1936), óleo sobre tela, 27x35cm.
IGNORONS LIEU RESIDENCE ACTUEL DE
MONSIEUR GARCIA LLORCA
MONSIEUR GARCIA LLORCA
COLONEL ESPINOSA COMMANDANT MILITAIRE
DE LA PLACE DE GRANADE
ESPAGNE
quinta-feira, fevereiro 08, 2018
"A CARTOMANTE", DE MACHADO DE ASSIS
Nada canónico. No conto, a carta
anónima não foi enviada ao marido, mas ao amante prevaricador, por sinal amigo
extremoso do atraiçoado. Chamava-lhe imoral e pérfido, avisando-o de que a
aventura era sabida de todos. Uma subtileza de Machado de Assis no século de
Emma Bovary e Luiza Carvalho. A cartomante, uma italiana, sondara o insondável
na claridade fosca do seu baralho de cartas, e encorajou-os a ambos: a infeliz
apaixonada e o fogoso ragazzo innamorato.
Morreram – o que a cartomante não previra (ou se calhar previra) – às mãos justiceiras do varão desonrado.
= Leitura a 22 de Fevereiro na Comunidade de Leitores da Casa da Achada.
quinta-feira, fevereiro 01, 2018
RÉGIO, PESSOA E AS VIAGENS
«Neste meu
estado, falam-me em viagens! Digo, eu próprio, que tenciono ir a Itália no
próximo ano; – e o mais curioso é que efectivamente alimento esse vago plano:
ir lá com os Mirandas. Na verdade, porém, que me interessam actualmente as
viagens? que me interessam pessoal e
profundamente? que poderão ensinar-me que eu não saiba, dar-me que eu não
tenha? (O que não quer dizer que não me possam entreter muito.) É aos extrovertidos que as viagens interessam: aos
cujo relativo vazio da vida interior se tapa com uma aparência de
enriquecimento. Eu sei que é em mim que tenho o mundo – o mundo que me é
possível apreender. Em mim vive toda a multidão dos meus personagens possíveis;
e são em multidão! Em mim se desenrolam os dramas, tragédias, comédias que
posso criar. Em mim há diversos meios, ambientes, paisagens…»
--- JOSÉ
RÉGIO, Páginas do Diário Íntimo, Vila
do Conde, 27 de Setembro de 1948.
«A ideia de
viajar nauseia-me.
Já vi tudo
que nunca tinha visto.
Já vi tudo
que ainda não vi.
(…)
Ah, viagem
os que não existem! Para quem não é nada, como um rio, o correr deve ser vida.
Mas aos que pensam e sentem, aos que estão despertos, a horrorosa histeria dos
comboios, dos automóveis, dos navios não os deixa dormir nem acordar.
(…)
Quando se sente
de mais, o Tejo é Atlântico sem número, e Cacilhas outro continente, ou até
outro universo.»
--- BERNARDO
SOARES, Livro do Desassossego.
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