6-8-2017
terça-feira, agosto 08, 2017
quinta-feira, julho 20, 2017
VIPASCA
Por razões que se prendem com a preparação de uma próxima deslocação a Vipasca, recupero este texto antigo para leitura dos interessados. Alea jacta est.
quarta-feira, julho 19, 2017
POIESIS
Segundo a nota que antecede o poema, JOSÉ GOMES FERREIRA está de férias no Senhor da Serra (Coimbra), hospedado em casa de uma tal Sra. Rosinha. Por debaixo do seu quarto há um porco que "toda a noite grunhe em forma de símbolo".
Eh! vizinho porco,
todo o dia de borco
a foçar na terra onde nasceu!
Ensine ao aldeão
a sua lição
de pensar menos no céu
e mais no chão.
(Na terra, camponês,
também há estrelas
que tu não vês...
Mas hás-de vê-las.)
JOSÉ GOMES FERREIRA, Poeta Militante 2º volume, "Província" (1945), poema XXXVI.
quinta-feira, julho 13, 2017
CITADOR
Belo e vivo é o que fulge e passa. Tudo o que fica é das pedras e da morte.
--- Vergílio Ferreira, Cântico Final, capítulo VII.
sábado, julho 01, 2017
MITO DA CRIAÇÃO
Abri as pernas
para dar luz ao sol.
O calor derretia-se nas minhas costas
e a sua luz
iluminava os meu joelhos.
As articulações, ao rodar,
transformaram-se em música
que se apaziguava com o passar do tempo.
Abri os braços
e dos seios nasceu a lua.
Então a tua língua
ergueu-se para a humanidade inteira.
--- LOURDES ESPÍNOLA, tradução de Albano Martins, As Núpcias Silenciosas.
para dar luz ao sol.
O calor derretia-se nas minhas costas
e a sua luz
iluminava os meu joelhos.
As articulações, ao rodar,
transformaram-se em música
que se apaziguava com o passar do tempo.
Abri os braços
e dos seios nasceu a lua.
Então a tua língua
ergueu-se para a humanidade inteira.
--- LOURDES ESPÍNOLA, tradução de Albano Martins, As Núpcias Silenciosas.
terça-feira, junho 27, 2017
PINACOTECA
CRISTINO DA SILVA, Cinco artistas em Sintra (1855): Francisco A. Metrass, Tomás da Anunciação, Vitor Bastos, Cristino da Silva e José Rodrigues. Os saloios, em trajes de domingo, observam o trabalho do artista. Ao fundo, entre brumas, o Palácio da Pena. ---Museu Nacional de Arte Contemporânea (Chiado), Exposição "A Sedução da Modernidade 1850-1910".
segunda-feira, junho 26, 2017
PALÁCIO DOS CONDES DE COCULIM
«(…) a alta pedra de armas dos
Mascarenhas no cunhal de um prédio do Arco de Jesus, onde teria sido uma porta
da cerca moura, (…) o portal neoclássico do palácio dos condes de Coculim, que Mascarenhas
eram, armazéns de ferro, nisso deram as grandezas, (…)» -- JOSÉ SARAMAGO, História do Cerco de Lisboa
----- Depois das vicissitudes por que
passou o vetusto palácio, veja-se a transformação do edifício: hotel de luxo
em vias de abrir, acrescentado e lavado, mantendo o cunhal de armas e o portal neoclássico. [Foto
de 25-6-2017]
domingo, junho 25, 2017
quinta-feira, junho 22, 2017
quarta-feira, junho 21, 2017
CINEMA PARAÍSO
O filme O Baile dos Bombeiros, de Milos Forman, hoje na sessão da noite da Cinemateca Portuguesa. «Uma metáfora de todo o corrupto e incompetente sistema soviético», assim o classificou o realizador depois de ter deixado a Checoslováquia.

Produção Checoslováquia/Itália, 1967.
segunda-feira, junho 19, 2017
domingo, junho 18, 2017
sexta-feira, junho 16, 2017
quinta-feira, junho 15, 2017
quarta-feira, junho 14, 2017
FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO (7)
I
Gosto de si, disse
com os olhos
ainda na infância da noite.
Não acreditei, que uma coisa
é o que os olhos dizem
e outra, bem diferente,
o que a pele sente.
II
Numa ponte do Sena,
ou do Arno,
os amantes inscrevem os nomes
em cadeados que prendem às grades
e deitam as chaves
ao rio. Promessas
de amor eterno
sobre as águas mudáveis de Heraclito.
III
Os rios,
água íntima dos lábios,
segundo li em Fiama. Antemanhãs
de insondáveis pélagos.
13-6-2017
segunda-feira, junho 12, 2017
NOITE DE SANTO ANTÓNIO
Um importante milagre do taumaturgo
português vem referido em História do
Cerco de Lisboa – o da mula que se ajoelhou ante a hóstia sagrada,
desmontando as heréticas pretensões dos que negavam a presença de Cristo naquela
partícula do corpo de Nosso Senhor. Em prédio da Rua do Milagre de Santo
António, ao Castelo, há um painel azulejar que assinala o prodígio. Pela minha
parte, não entendendo nada de tão elevados assuntos, limito-me a escrever estes
versos em redondilha maior:
Ó meu rico Santo António
Ó rico Santo AntoninhoA mulher é um demónio
Que dá amor e carinho
Tenho dito. E agora que venha a
festa.
sábado, junho 10, 2017
quinta-feira, junho 08, 2017
PRÉMIO CAMÕES
(...)
Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.
(...)
MANUEL ALEGRE, O Canto e as Armas, "Poemarma"
Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.
(...)
MANUEL ALEGRE, O Canto e as Armas, "Poemarma"
segunda-feira, junho 05, 2017
CINEMA PARAÍSO
Belle de Jour (1957), de Luis Buñuel, com Chaterine Deneuve. Amanhã às 21:30 na Cinemateca Portuguesa.
FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO (6)
GUSTAV KLIMT, Danae (1907)
A casa parada, o pó sobre os móveis e os tapetes húmidos, um
vento súbito metendo-se pelas frinchas das portas e janelas, o desafio. É
tarde, tão tarde que a casa hesita nos alicerces de pedra e sonho, como se aquele
fosse um falso vento e ali chegasse fora de horas por um insondável desvario
atmosférico. São sempre horas de encher a casa de palavras, de arrancar das
paredes as velhas fotografias silenciosas, de descobrir devagar o sentido ignorado
das coisas. A casa é, agora, um lugar de esperança.
sexta-feira, maio 26, 2017
quinta-feira, maio 25, 2017
POESIA CLANDESTINA
Apócrifa, projecto
literário em curso – antologia desta revista de poetas com um prefácio de João Barrento.
Em venda no bar/clube nocturno TITANIC SUR MER, Cais da Ribeira Nova, ao Cais
do Sodré, onde, às terças-feiras, há “poesia clandestina” com personagens condizentes. O programa pode ser visto aqui:
De um poema de ELSA OLIVEIRA, “A
Cesariny”:
«Conheci-te em Elsinore.
A desmesura dos teus passos cruzou-se acidentalmente
com a embriaguez dos meus,
e eu achei que era belo tropeçar
para a estética gargalhada geral.» (...)
quarta-feira, maio 24, 2017
THE 13th LETTER (1950), de Otto Preminger
Ontem, mais um fabuloso Preminger na Cinemateca. Na imagem, as cabeças do elenco: Linda Darnell (1923-1965) e Michael Rennie (1909-1971).
terça-feira, maio 23, 2017
A REALIDADE DA FICÇÃO
Exposição patente na Sociedade Nacional de Belas-Artes. João Motta (1949), que se define como "sintetizador cultural", estabelece pontes entre diferentes formas de expressão criativa, a política internacional e a consciência. O resultado aponta para o conceito de "instalação", os diversos trabalhos expostos dialogando entre si e como "actores" de dois filmes interpelantes: Human Characters e Earth 2. Não dá para explicar com mais clareza, o melhor, mesmo, é ir ver.
sexta-feira, maio 19, 2017
BONJOUR TRISTESSE (1958), DE OTTO PREMINGER
Passou hoje na Cinemateca, a
estupenda Jean Seberg no papel principal – um anjo louro, tocado pelo pecado, num éden da
riviera francesa. Script baseado no livro de Françoise Sagan e, talvez por isso,
só em 1974, dezasseis anos após a sua estreia mundial, pôde ser exibido em
Portugal. Ainda com Juliette Greco, David Niven e Deborah Kerr. Muito
bom.
quinta-feira, maio 18, 2017
TABERNA ANTI-DANTAS
Na Rua de São José, em Lisboa
MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!
José de Almada-Negreiros
poeta d´Orpheu
Futurista
e
tudo
quarta-feira, maio 17, 2017
A COR E O AMOR
O Nosso Amor (2012), óleo sobre tela, 100x100cms.
Da exposição retrospectiva de ANTÓNIO CARMO (1949) na Biblioteca Nacional, Maio a Agosto de 2017.
domingo, maio 14, 2017
FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO (5)

«Algum dia o poema será a buganvília / pendente deste muro da Calçada da Graça. / Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família, / e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.» Só que a buganvília da fotografia, se é que é mesmo buganvília, não atapeta o passeio da Calçada da Graça, mas o tejadilho de um automóvel estacionado no passeio da Calçada da Tapada, perto da Rua da Creche, caminho da Igreja de Alcântara, numa tarde de luz sob um pálio movente de nuvens esparsas. É tudo tão singular quando chamamos as buganvílias em nosso auxílio. «Mas antes desse dia há-de secar a buganvília», diz o poeta, e também há-de acabar a Calçada da Tapada, o automóvel, o muro e o gradeamento que cavalga o muro, digo eu. «Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso / que é o mais leve de tudo que se pode supor, / será esse o momento de o poema ser flor, / mas já não é preciso.»
--- Os versos citados são de ANTÓNIO GEDEÃO, Linhas de Força, "Poema da buganvília".
sexta-feira, maio 12, 2017
FÉ, ESPECTÁCULO E INDIGNAÇÃO
Na “Introdução
à leitura de Confissão dum Homem
Religioso”, obra de José Régio, escreveu Orlando Taipa: «Visitara Portalegre, em 12 de
Maio desse ano [1947], a imagem peregrina
de Nossa Senhora de Fátima e pareceram-lhe [a ele, José Régio] tão
descomandadas as manifestações com o mais grosseiro feiticismo, o mais chão
paganismo, a mais rasteira idolatria – desde o ridículo dos programas que
anunciavam a visita até às arengas de certo frade franciscano – , que deveras
se indignou.» Hoje – 100 anos depois das aparições
– o espectáculo grotesco que é fornecido pelos canais de
televisão (ávidos de audiências) rivaliza com as arengas
sobre o milagre obrado pelos pastorinhos na criancinha brasileira, enquanto as figuras cimeiras
do estado (laico) se ajoelham ante o jesuíta Bergoglio e a sua cúria. Com o devido respeito pelos crentes, continua a haver motivo de indignação.
terça-feira, maio 09, 2017
segunda-feira, maio 08, 2017
THE CIRCLE (2017)

O poder das redes sociais da
Internet, à escala global, sem possibilidade de regulamentação pelos estados
nacionais. E se, de repente, os utilizadores da rede passassem a andar com uma
microcâmara ao peito, tornando “transparentes” os detalhes da suas vidas
quotidianas? E se a própria rede pudesse servir para o exercício do direito de voto, substituindo os serviços
públicos na organização das eleições? Um filme que se vê com interesse.
domingo, maio 07, 2017
NA CARTOON XIRA - EXPOSIÇÃO ATÉ 28 DE MAIO
Este ano com
uma ala dedicada a Quino, o criador de Mafalda
– a menina que odeia sopa e adora os
Beatles – e também dos seus companheiros
Manolito, Felipe, Susanita e Liberdade.
sábado, maio 06, 2017
ALEXANDRE O´NEILL
Com Alexandre O´Neill, na passada quinta-feira, no bar-livraria "Menina e Moça". Um poeta que entrou na língua portuguesa, disse Clara Ferreira Alves.
O adjectivo
dá-me de comer.
Se não fora ele
o que houvera de ser?
Vivo de acrescentar às coisas
o que elas não são.
Mas é por cálculo,
não por ilusão.
----- Do livro De Ombro na Ombreira (1969)
quarta-feira, maio 03, 2017
M. K. TCHIURLIONIS (Varena-Lituânia,1875 - Pusteinik-Polónia,1911)
Sonata das Estrelas (1908), Museu de Arte da Lituânia
«Tchiurlionis (...) foi "um abstracto sete anos antes de Kandinsky, um pintor metafísico dez anos antes da pintura metafísica e um surrealista vinte anos antes do manifesto surrealista".»
---- MÁRIO DIONÍSIO, Colóquio Artes e Letras, nº 17, Fevereiro de 1962.
segunda-feira, maio 01, 2017
sexta-feira, abril 28, 2017
O QUE ELES DIZEM
Não há mais elegante delineio da Natureza que aquela abençoada fenda, sulcada em macios conchegos, figurando duas mãos que rezam, unidas ao alto, entrada de catedral, gasalho de mistério.
--- MÁRIO DE CARVALHO, Ronda das Mil Belas em Frol (2016).
retrato oval da virtude,
consoladora do triste,
remanso, beatitude
para o colérico em riste.
--- ALEXANDRE O´NEILL, Poemas com Endereço (1962).
quinta-feira, abril 27, 2017
DON JUAN
O Sedutor de Sevilha e o Convidado de Pedra, texto fundador do mito de Don Juan. Na língua original, El Burlador de Sevilla, o que demonstra que o catálogo de mulheres não se constituía pela aquiescência das mesmas, mas pelo engano a que eram levadas. Foi assim com Isabela, com a pescadora Tisbea, com D. Ana ou com a inocente Aminta na noite que deveria ter sido das suas núpcias. Releitura a propósito do último livro de Mário de Carvalho, Ronda das Mil Belas em Frol, e de algumas ideias que vejo formarem-se em espíritos menos avisados. O narrador das Mil Belas não é um Don Juan, embora o autor nos dê uma epígrafe retirada do libreto de Don Giovanni, de Mozart. Ainda sobre o incómodo que estes contos parecem ter gerado em alguns leitores, veja-se o que publiquei em www.comolhosdeler.blogspot.com. Há 90 anos, José Régio estava mais avançado do que certos "críticos" do século XXI. A distinção entre "literatura viva" e "literatura livresca" ainda não é, hoje, um dado adquirido. Posto isto...terça-feira, abril 25, 2017
JORNAIS DE ANTANHO
Jornal Globo, fundado por Bento de Jesus Caraça e José Rodrigues Miguéis. De efémera existência - dois números, apenas, saídos em Novembro de 1933 -, publicou um artigo não assinado "O velho Marrocos visto por um escritor novo" contra uma crónica de viagem de Ferreira de Castro na edição de O Século de 16 de Setembro do mesmo ano. Estou a tentar avaliar o caso.
sexta-feira, abril 21, 2017
RELEITURAS
Edição em que se inclui o ensaio de 1953 "Caracterização da Presença ou as Definições Involuntárias", no qual David Mourão-Ferreira sustenta o provincialismo dos escritores do movimento da Presença.
quarta-feira, abril 19, 2017
ORA NUMA NOITE DE LUAR MEDONHO
Capa da 2º edição corrigida, de 1943 (Portugália Editora), dos Poemas de Deus e do Diabo, aquela em que surge o posfácio "Um trecho das minhas memórias críticas", depois sucessivamente reformulado por José Régio até à sua versão final de 1969.
quarta-feira, abril 12, 2017
A TORRE DE ANTO
Torre do Prior do Ameal, fazia parte das muralhas de Coimbra, tendo sido transformada em habitação no princípio do século XVI. Nela morou António Nobre (Anto), o poeta do "Só".
«Ouvi estes carmes que eu compus no exílio, / Ouvi-os vós todos, meus bons Portugueses! / Pelo cair das folhas, o melhor dos meses, / Mas, tende cautela, não vos faça mal... / Que é o livro mais triste que há em Portugal.»
(Fotos de 9-4-2017)
(Fotos de 9-4-2017)
quarta-feira, abril 05, 2017
ALMADA NEGREIROS
Os belos desenhos de Almada nas capas da presença. Há mais dois: no nº 38, de Abril de 1933, e no nº 48, de Julho de 1936. Nenhum deles se encontra na actual exposição da Gulbenkian.
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