quinta-feira, maio 25, 2017

POESIA CLANDESTINA


Apócrifa, projecto literário em curso – antologia desta revista de poetas  com um prefácio de João Barrento. Em venda no bar/clube nocturno TITANIC SUR MER, Cais da Ribeira Nova, ao Cais do Sodré, onde, às terças-feiras, há “poesia clandestina” com personagens condizentes. O programa pode ser visto aqui: 
De um poema de ELSA OLIVEIRA, “A Cesariny”:
«Conheci-te em Elsinore.
A desmesura dos teus passos cruzou-se acidentalmente
com a embriaguez dos meus,
e eu achei que era belo tropeçar
para a estética gargalhada geral.» (...)
 

quarta-feira, maio 24, 2017

THE 13th LETTER (1950), de Otto Preminger

Ontem, mais um fabuloso Preminger na Cinemateca. Na imagem, as cabeças do elenco: Linda Darnell (1923-1965) e Michael  Rennie (1909-1971).

terça-feira, maio 23, 2017

A REALIDADE DA FICÇÃO

Exposição patente na Sociedade Nacional de Belas-Artes. João Motta (1949), que se define como "sintetizador cultural", estabelece pontes entre diferentes formas de expressão criativa, a política internacional e a consciência. O resultado aponta para o conceito de "instalação", os diversos trabalhos expostos dialogando entre si e como "actores" de dois filmes interpelantes: Human Characters e Earth 2. Não dá para explicar com mais clareza, o melhor, mesmo, é ir ver.
 
 

sexta-feira, maio 19, 2017

BONJOUR TRISTESSE (1958), DE OTTO PREMINGER

Passou hoje na Cinemateca, a estupenda Jean Seberg no papel principal –  um anjo louro, tocado pelo pecado, num éden da riviera francesa. Script baseado no livro de Françoise Sagan e, talvez por isso, só em 1974, dezasseis anos após a sua estreia mundial, pôde ser exibido em Portugal. Ainda com Juliette Greco, David Niven e Deborah Kerr. Muito bom.
 

quinta-feira, maio 18, 2017

TABERNA ANTI-DANTAS


Na Rua de São José, em Lisboa

MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!
José de Almada-Negreiros
poeta d´Orpheu
Futurista
e
tudo
 

quarta-feira, maio 17, 2017

A COR E O AMOR

O Nosso Amor (2012), óleo sobre tela, 100x100cms.
Da exposição retrospectiva de ANTÓNIO CARMO (1949) na Biblioteca Nacional, Maio a Agosto de 2017.

domingo, maio 14, 2017

FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO (5)

 
 
«Algum dia o poema será a buganvília / pendente deste muro da Calçada da Graça. / Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família, / e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.» Só que a buganvília da fotografia, se é que é mesmo buganvília, não atapeta o passeio da Calçada da Graça, mas o tejadilho de um automóvel estacionado no passeio da Calçada da Tapada, perto da Rua da Creche, caminho da Igreja de Alcântara, numa tarde de luz sob um pálio movente de nuvens esparsas. É tudo tão singular quando chamamos as buganvílias em nosso auxílio. «Mas antes desse dia há-de secar a buganvília», diz o poeta, e também há-de acabar a Calçada da Tapada, o automóvel, o muro e o gradeamento que cavalga o muro, digo eu. «Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso / que é o mais leve de tudo que se pode supor, / será esse o momento de o poema ser flor, / mas já não é preciso.»
--- Os versos citados são de ANTÓNIO GEDEÃO, Linhas de Força, "Poema da buganvília".
 

sexta-feira, maio 12, 2017

FÉ, ESPECTÁCULO E INDIGNAÇÃO

Na “Introdução à leitura de Confissão dum Homem Religioso”, obra de José Régio, escreveu Orlando Taipa: «Visitara Portalegre, em 12 de Maio desse ano [1947], a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima e pareceram-lhe [a ele, José Régio] tão descomandadas as manifestações com o mais grosseiro feiticismo, o mais chão paganismo, a mais rasteira idolatria – desde o ridículo dos programas que anunciavam a visita até às arengas de certo frade franciscano – , que deveras se indignou.» Hoje – 100 anos depois das aparições – o espectáculo grotesco que é fornecido pelos canais de televisão (ávidos de audiências) rivaliza com as arengas sobre o milagre obrado pelos pastorinhos na criancinha brasileira,  enquanto as figuras cimeiras do estado (laico) se ajoelham ante o jesuíta Bergoglio e a sua cúria. Com o devido respeito pelos crentes, continua a haver motivo de  indignação.

 

segunda-feira, maio 08, 2017

THE CIRCLE (2017)

O poder das redes sociais da Internet, à escala global, sem possibilidade de regulamentação pelos estados nacionais. E se, de repente, os utilizadores da rede passassem a andar com uma microcâmara ao peito, tornando “transparentes” os detalhes da suas vidas quotidianas? E se a própria rede pudesse servir para o exercício  do direito de voto, substituindo os serviços públicos na organização das eleições? Um filme que se vê com interesse.  
 

domingo, maio 07, 2017

NA CARTOON XIRA - EXPOSIÇÃO ATÉ 28 DE MAIO

Este ano com uma ala dedicada a Quino, o criador de Mafalda –  a menina que odeia sopa e adora os Beatles –  e também dos seus companheiros Manolito, Felipe, Susanita e Liberdade.
 
 

sábado, maio 06, 2017

ALEXANDRE O´NEILL

Com Alexandre O´Neill, na passada quinta-feira, no bar-livraria "Menina e Moça". Um poeta que entrou na língua portuguesa, disse Clara Ferreira Alves.
 
O adjectivo
dá-me de comer.
Se não fora ele
o que houvera de ser?
 
Vivo de acrescentar às coisas
o que elas não são.
Mas é por cálculo,
não por ilusão.
 
----- Do livro De Ombro na Ombreira (1969)

quarta-feira, maio 03, 2017

M. K. TCHIURLIONIS (Varena-Lituânia,1875 - Pusteinik-Polónia,1911)

Sonata das Estrelas (1908), Museu de Arte da Lituânia
«Tchiurlionis (...) foi "um abstracto sete anos antes de Kandinsky, um pintor metafísico dez anos antes da pintura metafísica e um surrealista vinte anos antes do manifesto surrealista".»
---- MÁRIO DIONÍSIO, Colóquio Artes e Letras, nº 17, Fevereiro de 1962.

sexta-feira, abril 28, 2017

O QUE ELES DIZEM

Não há mais elegante delineio da Natureza que aquela abençoada fenda, sulcada em macios conchegos, figurando duas mãos que rezam, unidas ao alto, entrada de catedral, gasalho de mistério.
--- MÁRIO DE CARVALHO, Ronda das Mil Belas em Frol (2016).
 
retrato oval da virtude,
consoladora do triste,
remanso, beatitude
para o colérico em riste.
--- ALEXANDRE O´NEILL, Poemas com Endereço (1962).

quinta-feira, abril 27, 2017

DON JUAN

 
 
O Sedutor de Sevilha e o Convidado de Pedra, texto fundador do mito de Don Juan. Na língua original, El Burlador de Sevilla, o que demonstra que o catálogo de mulheres não se constituía pela aquiescência das mesmas, mas pelo engano a que eram levadas. Foi assim com Isabela, com a pescadora Tisbea, com D. Ana ou com a inocente Aminta na noite que deveria ter sido das suas núpcias. Releitura a propósito do último livro de Mário de Carvalho, Ronda das Mil Belas em Frol, e de algumas ideias que vejo formarem-se em espíritos menos avisados. O narrador das Mil Belas não é um Don Juan, embora o autor nos dê uma epígrafe retirada do libreto de Don Giovanni, de Mozart. Ainda sobre o incómodo que estes contos parecem ter gerado em alguns leitores, veja-se o que publiquei em www.comolhosdeler.blogspot.com. Há 90 anos, José Régio estava mais avançado do que certos "críticos" do século XXI. A distinção entre "literatura viva" e "literatura livresca" ainda não é, hoje,  um dado adquirido. Posto isto...

terça-feira, abril 25, 2017

JORNAIS DE ANTANHO

Jornal Globo, fundado por Bento de Jesus Caraça e José Rodrigues Miguéis. De efémera existência - dois números, apenas, saídos em Novembro de 1933 -, publicou um artigo não assinado "O velho Marrocos visto por um escritor novo" contra uma crónica de viagem de Ferreira de Castro na edição de O Século de 16 de Setembro do mesmo ano. Estou a tentar avaliar o caso.

sexta-feira, abril 21, 2017

RELEITURAS

Edição em que se inclui o ensaio de 1953 "Caracterização da Presença ou as Definições Involuntárias", no qual David Mourão-Ferreira sustenta o provincialismo dos escritores do movimento da Presença.
 

quarta-feira, abril 19, 2017

ORA NUMA NOITE DE LUAR MEDONHO

Capa da 2º edição corrigida, de 1943 (Portugália Editora), dos Poemas de Deus e do Diabo, aquela em que surge o posfácio "Um trecho das minhas memórias críticas", depois sucessivamente reformulado por José Régio até à sua versão final de 1969.