Hoje, em Belém, talvez mais polícias que manifestantes.
Em matéria de segurança, há que não confiar em milagres de Nossa Senhora de
Fátima.
segunda-feira, maio 20, 2013
O "SUPREMO EXTREMISTA"
Autor: GABRIEL VIGIL
O "supremo Extremista", segundo JOSÉ RÉGIO em "Multiplicidade de Jesus", Confissão dum Homem Religioso, Lisboa, IN-CM, 2001, pp. 96-116.
quinta-feira, maio 16, 2013
EDUARDO GUERRA CARNEIRO (1942-2004)
A dor é isto: um vazio. E sentir
depois um vazio maior - esperar
a morte. Escrevo, assim, convicto,
num estado semelhante já ao pó,
mas em lava ardente procuro
a maneira ainda de incendiar.
A morte é isto? Um vazio? Mas
escrevo para contar aos outros
deste sentimento estranho. Ao espelho
vejo ressentimento, usura, uso
e abuso do tempo que me deram.
E ardo na paixão gelada, sem morrer.
Espero por ti, seguro que já sei
nada mais de ti esperar.
EDUARDO GUERRA CARNEIRO
depois um vazio maior - esperar
a morte. Escrevo, assim, convicto,
num estado semelhante já ao pó,
mas em lava ardente procuro
a maneira ainda de incendiar.
A morte é isto? Um vazio? Mas
escrevo para contar aos outros
deste sentimento estranho. Ao espelho
vejo ressentimento, usura, uso
e abuso do tempo que me deram.
E ardo na paixão gelada, sem morrer.
Espero por ti, seguro que já sei
nada mais de ti esperar.
EDUARDO GUERRA CARNEIRO
quarta-feira, maio 15, 2013
CAPELINHA DAS APARIÇÕES
Não se
renovou a inspiração de Fátima revelada pelo vidente Aníbal no desfecho
auspicioso da 7ª avaliação da troika. Os fiéis esperaram, esperaram, mas a bênção do milagre não foi recebida. Aqui fica a imagem da malograda capelinha das
aparições. É de aspecto modesto, sim, mas em qualquer local se pode levantar um
altar, porque o importante é não deixar morrer a fé no coração dos homens.
REVISITAÇÃO
Revisito a
obra por boas razões. Segundo capítulo,
e reencontro D. Corina Peters, velha prima dos Dulmos, uma personagem
interessante: “Era literata, amadora de mistérios; gostava de proteger
inclinações romanescas. Os seus olhinhos doces falavam da floresta de Atala, tinha uma inocência picante,
cheia de cabelos brancos.” - É possível dizer melhor?
Corina, a elegíaca
Corina de Ovídio (Amores), cuja Arte de Amar tenho aí sobre a mesa. Isto
anda tudo ligado – lá dizia o poeta*.
* Eduardo Guerra Carneiro (1942-2004).
* Eduardo Guerra Carneiro (1942-2004).
terça-feira, maio 14, 2013
"EU AMO O LONGE E A MIRAGEM"
"Sempre serei odiado, não tanto pelos meus defeitos como, principalmente, por certas singularidades relacionadas com o que tenho de melhor." - JOSÉ RÉGIO pela voz de Lelito (Manuel Maria Trigueiros) no cap. I de Os Avisos do Destino.
segunda-feira, maio 13, 2013
OBVIAMENTE, DEMITAM-SE!
Basta de disparar contra o povo! Dia 20, em Belém, à hora do conselho da indignidade, lá estarei com as minhas armas.
O CROCHÉ E AS ÁRVORES
O começo de todos os projectos de croché é o nó corrediço. Para tal basta ter na agulha uma laçada com um nó e a criatividade começa aqui. -- Fala quem sabe.
Cores de croché em Constância, ali na confluência do Zêzere com o Tejo.
domingo, maio 12, 2013
sexta-feira, maio 10, 2013
TATUAGENS
Por vezes, consigo gostar de algumas tatuagens. É o caso desta: lucky you e um sapatinho de cavalo. Muito interessante... [S. J. em Paris, tanto quanto julgo perceber na Rue Ramey, 18e arrondissement, lá para os lados do Sacré Coeur.]
quinta-feira, maio 09, 2013
O MEU MESTRE RICARDO REIS
Não canto a
noite porque no meu canto
O sol que
canto acabará em noite.
Não ignoro o que esqueço.
Canto por esquecê-lo.
Pudesse eu
suspender, inda que em sonho,
O Apolíneo
curso, e conhecer-me,
Inda que louco, gémeo
De uma hora imperecível!
RICARDO REIS, 2-9-1923, Obra citada.
quarta-feira, maio 08, 2013
A "VELHA CASA" DE AZURARA
Rua Dr. Américo Silva (antiga Rua Direita) em Azurara, Vila do Conde - o modelo físico da "velha casa" de Régio.
Devagar, espaçadas, caíram onze horas no relógio da igreja.
Chegara; e ficou-se a ouvir a vibração
do bronze perdendo-se ao longo da rua deserta… Lá estava ela, a sua casa!
Comprida, muda, quase hostil, vista assim de fora com o seu largo portão
almofadado, a solene fila de janelas de sacada, – e fazendo esquina com a
travessa que a ladeava, e depois acompanhava o muro do quintal até à estrada do
Porto.
JOSÉ RÉGIO, A Velha Casa II (As Raízes do Futuro).
terça-feira, maio 07, 2013
"O INSTINTO SUPREMO"
Romance
prometido a Cândido Rondon e dedicado à sua memória, é uma transposição
ficcional do trabalho desenvolvido pelo etnólogo de origem alemã Curt
Nimuendajú com vista à pacificação dos índios Parintintins.
Publicado em 1968, o livro elogia essa “epopeia de humanitarismo”, embora registe uma certa visão da sua inconsequência social e moral.
O ex-operário Jarbas, possuidor de consciência de classe, uma das personagens envolvidas nas operações conduzidas por Nimuendajú, interroga-se: “ Mas que benefícios terão eles [os índios] em ser civilizados agora? Talvez os índios não sejam mais felizes do que nós, pode ser, mas com certeza mais infelizes também não são.” Civilizá-los, sim – dizia –, mas quando houvesse farinha e feijão para todos, tanto no Brasil como no mundo inteiro, quando o homem tivesse ascendido a uma condição superior e “a civilização já estivesse também civilizada”.
Publicado em 1968, o livro elogia essa “epopeia de humanitarismo”, embora registe uma certa visão da sua inconsequência social e moral.
O ex-operário Jarbas, possuidor de consciência de classe, uma das personagens envolvidas nas operações conduzidas por Nimuendajú, interroga-se: “ Mas que benefícios terão eles [os índios] em ser civilizados agora? Talvez os índios não sejam mais felizes do que nós, pode ser, mas com certeza mais infelizes também não são.” Civilizá-los, sim – dizia –, mas quando houvesse farinha e feijão para todos, tanto no Brasil como no mundo inteiro, quando o homem tivesse ascendido a uma condição superior e “a civilização já estivesse também civilizada”.
(Releitura
para os Encontros Ferreira de Castro, 10 e 11 de Maio em Ossela e Macieira de
Cambra)
domingo, maio 05, 2013
quinta-feira, maio 02, 2013
O ULISSES QUE HÁ EM NÓS
Frequentou Circe, Nausicaa e Calipso, ninfa divina entre as deusas.
Escapou ao insidioso canto das sereias. Anda perdido, mas sabe que Penélope e Telémaco o esperam em Ítaca.
quarta-feira, maio 01, 2013
terça-feira, abril 30, 2013
O BELO E A ARTE
Vénus Verticordia, Dante Gabriel Rossetti (1828-1882)
Publico esta imagem acompanhada
de umas simples, ingénuas e talvez despropositadas reflexões: O belo artístico
é aquilo que nos transforma, não sei dizer se para bem ou para mal, porque a arte é vasta e não comporta dicotomias. Um dia destes, se for
capaz, explico melhor.
(Escrito depois
de ter lido, ou treslido, os ensaios de JOSÉ RÉGIO “Em torno da expressão artística” e “A
expressão e o expresso” – Três
Ensaios sobre Arte, 2ª edição, Porto, Brasília Editora, 1980, pp. 7-101.)
domingo, abril 28, 2013
CENTENÁRIO DE ÁLVARO CUNHAL
Exposição sobre a vida e obra de Álvaro Cunhal, integrada
nas comemorações do seu centenário. Local: Sala do Risco, Pátio da Galé,
Rua do Arsenal /Terreiro do Paço. Independentemente daquilo que se pense sobre o ideólogo e o
político, é impossível não considerar o papel do intelectual e do artista, o exemplo de sacrifício e
coerência na luta prosseguida. Um encontro com a memória de um homem que marcou de forma singular
a nossa história recente. A não perder.
NOSSA LAREIRA BREVE
O que sentimos, não o que é sentido,
É o que temos. Claro, o inverno
estreita.
Como à sorte o acolhamos.
Haja inverno na terra, não na mente,
E, amor a amor, ou livro a livro,
amemos
Nossa lareira breve.
RICARDO REIS, Poesia, edição de Manuela Parreira da Silva, Lisboa, Assírio &
Alvim, 2000, p. 117.
sábado, abril 27, 2013
quinta-feira, abril 25, 2013
segunda-feira, abril 22, 2013
UM TEXTO ADMIRÁVEL
Joséphine Baker (1906-1975)
(…) A par de Marcel Proust, André
Gide parece pequeno: Crítico traído pelo poder criador, criador traído pelo
demónio crítico, Gide prolonga, continua, desenvolve, complica, desfaz,
contrafaz, refaz – uma Obra que finalmente se nos impõe! Assimilador de génio,
ele próprio se nos desvenda caixa de muitas ressonâncias… Sonho de ser tudo o
que não é – por ser um pouco de tudo sem nada ser completamente… senão ele!
Porque da sua Obra, é ele que fica. Isto é: o seu espírito perverso, torturado,
labiríntico e feminino – no altíssimo grau vedado às mulheres… Depois
Pirandello: Poeta de ideias que se fazem carne! Malabarista esfomeado de
Absoluto, arrastando os homens à compreensão irónica de todos os seus
relativismos. Ou Shaw, Narciso sarcasta e lírico. Violador de falsas
honestidades – escrevendo sátiras sobre os cenários convencionais… Ou Freud,
que revolucionou a psicologia, a psiquiatria, a crítica; (Depois de Bergson ter
revolucionado a filosofia) que nos denunciou (ó Rimbaud!) estudou, e explora
este mar de vida obscura, este abismo que nós trazemos dentro de nós, esta
estância dos Fados – o Subconsciente! E tu, Chaplin, Mestre de todos os poetas
modernos! Boneco mais vivo que todos os homens vivos que tu manejas… como
bonecos. Que tu sabes como se maneja. Escamoteador único duma moeda única – a tua!
aquela em que já não estão em lados opostos os dois lados opostos da vida…
E reagindo sobre as estilizações de Nijinsky,
refrescando a saturação das inteligências, vinda do fundo da terra, da
animalidade e do tempo, Josefina Baker passa dançando – como um vento quente
cujo fim é passar.
JOSÉ RÉGIO, Manifesto
“Literatura Livresca e Literatura Viva”, parte final, “Elogio do século
em que estamos, século XX”, presença, nº
9, 9 de Fevereiro de 1928.
domingo, abril 21, 2013
sábado, abril 20, 2013
EM 2006
Scarlett em Rapariga com Brinco de Pérola. Em 2006, aqui se escreveu isto:
http://sonhocomandavida.blogspot.pt/search?q=rapariga+com+brinco+de+p%C3%A9rola
http://sonhocomandavida.blogspot.pt/search?q=rapariga+com+brinco+de+p%C3%A9rola
sexta-feira, abril 19, 2013
"FADO"
Capa da 1ª edição de 1941 e poema "Fado das Mulheres de Vida Fácil" com desenho de Júlio.
(...)
E homens há de toda a sorte,
Doentes de todo o mal,
Tarados de todo o vício,
Que naquele amor venal,
Filho do crime e da morte
Vão buscar gosto ou flagício.
(...)
AS INESPERADAS LEITURAS
“Imitação de Cristo”, de Tomás de
Kêmpis (1379-1471), Biblioteca Básica VERBO, Livros RTP.
O verdadeiro conhecimento e desprezo de si mesmo é a mais útil e a mais
sublime lição. Grande sabedoria e perfeição é ter em boa conta as virtudes
alheias e evitar de si mesmo qualquer presunção. Se vires que alguém pecou publicamente,
ou comete faltas graves, não te deves julgar por melhor, pois não sabes quanto
poderás perseverar no bem. Todos somos fracos, mas a ninguém tenhas por mais
fraco do que tu.
(II.4 – O HUMILDE JUÍZO DE SI MESMO, p.11)
quinta-feira, abril 18, 2013
METAMORFOSES
Hoje, em conferência de imprensa, quatro lídimos representantes do governo de Miguel de Vasconcelos.
Cessem de Ovídio, Kafka e quejandos as metamorfoses grandes que nos legaram.
Ficámos a saber – o que não é menos
extraordinário! – que o subsídio de Natal de funcionários públicos e aposentados,
pago em 12 prestações suaves, se transformou agora em subsídio de férias.
NÃO SÓ QUEM NOS ODEIA OU NOS INVEJA
Ricardo Reis, gravura incisa de ALMADA NEGREIROS no pórtico da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Não só quem nos odeia ou nos inveja
Nos limita e oprime; quem nos ama
Não menos nos limita.
Que os Deuses me concedam que,
despido
De afectos, tenha a fria liberdade
Dos píncaros sem nada.
Quem quer pouco, tem tudo; quem quer
nada
É livre; quem não tem, e não deseja,
Homem, é igual aos Deuses.
RICARDO REIS / 1-11-1930
quarta-feira, abril 17, 2013
"presença" (1927-1940) - V
Número 1 da 2º série, de Novembro de
1939. Após um ano de interrupção, a revista aparecia com novo aspecto gráfico e
número acrescido de páginas.
Mas seria o canto do cisne.
Graves desinteligências entre os seus directores (José Régio, João Gaspar
Simões e Adolfo Casais Monteiro) não permitiriam ir além de um segundo número
da série, saído em Fevereiro de 1940.
Em carta escrita de Portalegre para
Alberto de Serpa (secretário de redacção
da revista), com data de 1 de Abril de 1940, diz José Régio: “Estou resolvido a
sair da presença, isto é: a acabar
com a presença. (…) A causa mais
próxima desta minha resolução é que o Adolfo, outra vez incompatibilizado com o
João, viu manifestações irritantes de conformismo e burguesismo
no “Diálogo Inútil” do nº 2, e pretende responder-lhe, no próximo número, com
um artigo que exibiria aos leitores os desencontros internos da direcção da presença… Isso não posso eu suportar.”
A inviabilidade da continuação da
revista não resultava somente das divergências existentes entre os seus
directores. Havia, por assim dizer, uma dificuldade de ordem espacial: José
Régio residia em Portalegre, João Gaspar Simões e Adolfo Casais Monteiro em
Lisboa, Alberto de Serpa no Porto. A folha coimbrã - "provincialista", segundo David Mourão-Ferreira - deixara de pertencer ao velho burgo académico.
Cada número passara a ser um exercício delicado, gerido a distância, desde a
angariação da colaboração e revisão das provas até à impressão e expedição dos
exemplares para os assinantes. Além de que José Régio, que era quem
efectivamente mandava na presença,
tinha outros projectos a que se dedicar.
terça-feira, abril 16, 2013
sexta-feira, abril 12, 2013
"A VELHA CASA"
Visita facultada pelo actual proprietário da casa, Sr. António, em 9 de Abril.
Vocabulário filosófico num livro que pertenceu a José Régio.
Quadro do pintor Júlio (irmão de Régio). Estava guardado num vetusto armário, e não foi fácil encontrar a chave.
quinta-feira, abril 11, 2013
LENDO EM VIAGEM
Passa, lento vapor, passa e não fiques...
Passa de mim, passa da minha vista,
Vai-te de dentro do meu coração,
Perde-te no Longe, no Longe, bruma de
Deus,
Perde-te, segue o teu destino e
deixa-me...
Eu quem sou para que chore e
interrogue?
Eu quem sou para que te fale e te ame?
Em quem sou para que me perturbe
ver-te?
Larga do cais, cresce o sol, ergue-se
ouro,
Luzem os telhados dos edifícios do
cais,
Todo o lado de cá da cidade brilha...
Parte, deixa-me, torna-te
Primeiro o navio a meio do rio,
destacado e nítido,
Depois o navio a caminho da barra,
pequeno e preto,
Depois ponto vago no horizonte (ó
minha angústia!),
Ponto cada vez mais vago no horizonte...,
Nada depois, e só eu e a minha
tristeza,
E a grande cidade agora cheia de sol
E a hora real e nua como um cais já
sem navios,
E o giro lento do guindaste que como
um compasso que gira,
Traça um semicírculo de não sei que
emoção
No silêncio comovido da minh´alma...
Álvaro de Campos, “Ode Marítima” (versos
finais)
domingo, abril 07, 2013
terça-feira, abril 02, 2013
"A EDUCAÇÃO DO ESTÓICO" - V
Quer pouco: terás tudo.
Quer nada: serás livre.
O mesmo amor que tenham
Por nós, quer-nos, oprime-nos.
RICARDO REIS, Ode 113, 1-11-1930
segunda-feira, abril 01, 2013
"presença" (1927-1940) - IV
Carlota, “a que ficou sem par”, no desenho de José Régio, oferecido a João Gaspar Simões, que serviu para a capa do nº 22 da folha de arte e crítica coimbrã.
"Criada para todo o serviço” na pensão da Rua das Flores, nº 37 (Alta de Coimbra), onde José Régio se alojou durante a sua formatura, era, segundo Simões*, “rebarbativa e terna a um tempo”, tendo "pelo Zé Maria [Régio] uma dedicação de cadela, embora não poucas vezes lhe arreganhasse caninamente os dentes”.
Aparece como personagem em Os Avisos do Destino, terceiro volume do ciclo A Velha Casa.
* JOÃO GASPAR SIMÕES, José Régio e A História do Movimento da Presença, Porto, Brasília Editora, 1977, p. 79
* JOÃO GASPAR SIMÕES, José Régio e A História do Movimento da Presença, Porto, Brasília Editora, 1977, p. 79
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