sexta-feira, outubro 05, 2012

VIVA O 5 DE OUTUBRO!

Laetitia Casta
Li já não sei onde que em França, após a libertação de Paris durante a Segunda Grande Guerra, a Associação de Autarcas Parisienses decidiu mudar periodicamente o busto original da República, adoptando como modelos artistas da música e do cinema franceses da actualidade. Assim, o modelo mais recente seria a actriz Laetitia Casta, nascida em Pont-Audemer, Alta Normandia, no ano de 1978.
Entusiasmado com a ideia, e na esperança de que a mesma pudesse estender-se a Portugal, publiquei no blogue em 5 de Outubro de 2010 uma fotografia da talentosa actriz, a qual mereceu comentários de três indefectíveis admiradores (ver arquivos).
Estava longe de imaginar que a voracidade neoliberal dos actuais donos do país nos comeria o feriado de 5 de Outubro, retirando-nos quiçá a possibilidade de aspirarmos a renovados bustos para a ultrapassada imagem da nossa querida República.
No dia em que se celebra o feriado pela última vez, dou um grande VIVA A REPÚBLICA! Por um novo busto, que o mesmo é dizer por uma nova política para a dita República. E já agora sem presidentes escavacados, e com a bandeira içada na posição correcta.

quinta-feira, setembro 27, 2012

FRASES DA SEMANA


“Estou-te a ver, mas não me filmas a cara.”
Segurança (ameaçador) de Passos Coelho para um operador de câmara da TVI – Instituto de Ciências Sociais e Políticas, homenagem a Adriano Moreira.

“Esta ministra da Justiça já deu provas de perceber tanto de Estado de Direito como eu de física quântica.”
Isabel Moreira, deputada do PS, a propósito de declarações da dita ministra.

sábado, setembro 22, 2012

AUSTERA, APAGADA E VIL TRISTEZA


No mais, Musa, no mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dhua austera, apagada e vil tristeza.

Os Lusíadas, X-145
 

EM BELÉM

O palácio
A guarda do palácio
A Calçada da Ajuda
Os cartazes
Revistando
Prendendo
Para a semana há mais

sexta-feira, setembro 21, 2012

PRAÇA AFONSO DE ALBUQUERQUE

A praça é bonita, cheia de reminiscências heróicas. Tem um jardim com quatro fontes, uma estátua de alto pedestal e um palácio pálido em frente. Uma inscrição num banco de pedra atesta a fundação, no local, do mítico C. F. Os Belenenses, agremiação desportiva a que pertenceram Vicente e Matateu. Bem próximo fica a loja dos pastéis de Belém, a fonte luminosa e o Mosteiro dos Jerónimos – um rendilhado de pedra que corre sério  risco de privatização. Hoje vou passear por lá ao fim do dia: é bom fruir a beleza dos jardins de Lisboa.

domingo, setembro 16, 2012

EM LISBOA, ONTEM


I - Um elemento policial limpando as pedras soltas dos paseios nas imediações da representação do FMI (clicando, poderá observar-se o pormenor: uma pedra na mão). Uma manifestação ia passar por ali e a polícia, sabe-se, não despreza os ensinamentos bíblicos: David matou o gigante Golias com uma pedrada (Livros históricos, 1 Samuel-17).
II - Cantar e manifestar-se: Xácara das Bruxas Dançando.
III - Resignação, diziam eles.

sábado, setembro 15, 2012

EM LISBOA

PRAÇA JOSÉ FONTANA, com o Jardim Henrique Lopes de Mendonça e o seu belo coreto, o edifício da antiga Escola de Medicina Veterinária e o mítico Liceu Camões. Às cinco da tarde de um sábado de Verão o calor deverá apertar. A las cinco de la tarde… A las cinco en punto de la tarde.

sexta-feira, setembro 14, 2012

TOMAR

Fotografias de 13-9-2012
 
(...) Gostaria que fosse
por uma manhã cálida de Novembro, ao expirar
do Outono,  com os salgueiros respirando,
nas margens do rio, a prosopopeia dum choro.
JOSÉ RAFAEL

quarta-feira, setembro 12, 2012

MODELOS ECONOMÉTRICOS

Um modelo econométrico em poder dos decisores políticos diz que  a redução da TSU das empresas em 5,75 pontos percentuais (tendo como  contrapartida um aumento ainda superior das contribuições dos trabalhadores) assegurará um crescimento do emprego, até 2015, entre 1 e 2%. Até 2015, espantoso resultado! Será que alguém de bom senso poderá levar isto a sério?

GATUNO


Definição do dicionário Houaiss:
adj. s. m. (1727 cf. RB) que ou aquele que furta; ladrão. ETIM. esp. gatuno ´relativo a gato`; ver gat-. SIN/VAR como subst.: ver sinonímia de larápio.
E já agora, sabem como se chama o gato do deputado Honório Novo? Ver em: 
 

domingo, setembro 09, 2012

"ELÓI" de João Gaspar Simões (1903-1987)

Exemplo de romance psicológico, subgénero em que o que verdadeiramente importa é o “subsolo humano”- a análise dos dados da consciência das personagens e a representação do seu tempo interior, aquilo a que Bergson chamou a durée.
Se o impressionismo literário e artístico surgiu como reacção à fotografia, diz-se que o romance psicológico é uma resposta  ao cinema (mudo): - o que o cinema não pode registar é a vida profunda de uma consciência.
Este livrinho está disponível em muitas bibliotecas: um trabalho interessante do nosso pater criticus, como lhe chamou Eduardo Lourenço, que afinal, além de crítico, foi também romancista.

quarta-feira, setembro 05, 2012

BREVE NOTA SOBRE O TEMPO EM QUE OS PASSOS ERAM MANUÉIS E NÃO COELHOS

Passos Manuel, retratado por Silveira Oeirense - Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto 

Tempo único na História do nosso século XIX.  Manuel da Silva Passos (1801-1862), que ficou conhecido por Passos Manuel, figura proeminente do governo setembrista (1836-1842), sobraçou as pastas do Reino, da Fazenda e da Justiça, realizando obra notável no sector da educação (criação de liceus, conservatórios, escolas politécnicas e academias), mas também nas finanças e na administração (publicação do novo código administrativo). Foi das figuras mais importantes da política liberal no segundo quartel do século XIX. Publicou obras de carácter político e jurídico.
Na minha modesta opinião, ainda está por nascer um novo Passos que lhe faça sombra.
(Fonte: Nova Enciclopédia Larousse)

segunda-feira, setembro 03, 2012

OS MAGOS


Ah! ah! ah!, deixem-me rir. Os magos sacodem as culpas. O trágico é que estes alquimistas despudorados (troika + governo), buscam a fórmula da pedra filosofal à custa da ruína económica de milhares de famílias.

sábado, setembro 01, 2012

POEMA A SÃO PAULO

Lembrei-me disto no outro dia, fui ver à página, e ainda lá estava. Corria 2006, ano para mim um pouco estranho. A cidade ainda a não conhecia, mas o romance sim ("As Horas Nuas" de Lygia Fagundes Telles) .

http://www.gargantadaserpente.com/450/poemas/246.shtml

terça-feira, agosto 28, 2012

CIÊNCIAS OCULTAS - OS MAGOS

Os magos das ciências ocultas da Economia estão de novo em Lisboa. O que é que falhou nas cartas (ou nos búzios?) dos videntes da troika para que a receita fiscal tenha sido diminuída em 3 mil milhões de euros?  O insuspeito Adriano Moreira já veio falar de “fadiga tributária”, e na universidade de Verão dos jotinhas  lembrou as quatro onças de ouro que D. Afonso Henriques prometeu pagar ao Papa, mas que, na realidade, nunca pagou. Uma mensagem velada para tão esclarecidos jovens?  Se a incompetência governamental e as ilusões neoliberais pagassem imposto, Gaspar e Coelho seriam políticos bem sucedidos porque o país teria um saudável superavit orçamental. Assim…

UM SONETO DE ANTERO - "IDEAL"

Aquela, que eu adoro, não é feita
De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas
Da antiga Vénus de cintura estreita...

Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortais entre ruinas,
Nem a Amazona, que se agarra às crinas
D'um corcel e combate satisfeita...

A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...

É como uma miragem, que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo...

segunda-feira, agosto 27, 2012

SONETOS

Café Snack-Bar SONETOS, na mesma rua de Vila do Conde onde Antero de Quental residiu entre 1881 e 1891. A poesia também se escreve nos toldos publicitários dos estabelecimentos.

domingo, agosto 26, 2012

CANCIONEIRO DE JOSÉ RAFAEL (14)


Destapo a caixa do amor com o sobressalto de quem mexe
no mais inseguro dos objectos. Não sei o que tem dentro,
nunca soube, mesmo naquele tempo em que a tua boca
corria o meu corpo e as noites não prenunciavam
nenhum gume de sombra. Reinvento, pois, o amor:
caixa de Pandora com os seus ventos demolidores
e as suas praias violentas de ternura e cio,
ou sémen de palavras apetrechadas de asas
com os olhos glaucos  duma deusa ao fundo?
Faço por acreditar na sua verosímil bondade
com a mesma força com que se acredita numa pedra
ou num fruto. Mas não estou seguro de nada. Apenas
sei do corpo com que me encontro e do cerco de luz
que não ouso romper.

domingo, agosto 12, 2012

REINALDO FERREIRA (1922-1959)


Se eu nunca disse que os teus dentes
Se eu nunca disse que os teus dentes
São pérolas,
É porque são dentes.
Se eu nunca disse que os teus lábios
São corais,
É porque são lábios.
Se eu nunca disse que os teus olhos
São d'ónix, ou esmeralda, ou safira,
É porque são olhos.
Pérolas e ónix e corais são coisas,
E coisas não sublimam coisas.
Eu, se algum dia com lugares-comuns
Houvesse de louvar-te,
Decerto que buscava na poesia,
Na paisagem, na música,
Imagens transcendentes
Dos olhos e dos lábios e dos dentes.
Mas crê, sinceramente crê, 
Que todas as metáforas são pouco 
Para dizer o que eu vejo. 
E vejo lábios, olhos, dentes. 

(Poemas, 2ª edição, Lisboa, Portugália Editora, 1962, com um estudo de José Régio)

LUÍSA COSTA GOMES (1954)

Dizem que tem mau feitio e os leitores queixam-se de nem sempre conseguirem compreender aquilo que escreve. Por mim não tenho reclamações a apresentar. Aconselho a leitura de Império do Amor.

MENTINDO

A primeira imagem que dela guardo é leve como a da ave que inicia o voo: umas sandálias com atilhos que subiam até meio das pernas, a saia de tecido bordado, uma blusa sob cujo pano apontava, numa promessa oculta, o relevo de sombra dos bicos dos seios. Tinha dentes, lábios e olhos que eram apenas dentes, lábios e olhos, e não pérolas, corais e esmeraldas, porque, como pode ser lido num poema de Reinaldo Ferreira, coisas não sublimam coisas e não há metáforas que cheguem para exprimir a beleza daquilo que vemos.
Para mim, foi sempre uma desconhecida. Nunca consegui saber o género de música de que mais gostava, o metal das suas paixões. De livros, sim, acho que sei: folheava “Paroles” de Jacques Prévert e lia interminavelmente as novelas de Camilo. Mais tarde, muito mais tarde, acolheu-se a uns livrinhos de capa dura sobre rebirthing, uma disciplina talvez esotérica, e começou a pesquisar na Internet sobre pompoarismo, tanto quanto julgo saber uma espécie de demanda tântrica do inverosímil  ponto G.
Uma vez descobri num conto de Luísa Costa Gomes o sentido oculto dos palíndromos, significantes que podem ser lidos da frente para trás ou de trás para a frente sem que o seu significado se altere: “Oír ese Río”. Cheguei a vê-la como um palíndromo muito fácil de ler, mas isso era o que eu julgava. Percebi depois que ela iludia sempre as minhas espertezas de leitor batido: metia mais umas letras ou umas sílabas no conformismo lívido dos sintagmas, assim como se fosse o brinde ou a fava do bolo-rei, e eu treslia.
Na pior das minhas fases escrevi contos alucinados em que a dava como louca, mitómana e devassa. Noutros, mais sensatos, ou talvez simplesmente ingénuos, lamentei que chegasse tarde a casa e não me desse qualquer explicação, que fosse distante e fria, e tivesse amizades secretas como as adolescentes têm diários e namoros de praia. Enchi então centenas de páginas a seu respeito, mais sobre o que dela nunca soube do que o que sabia ou julgava saber. À força de não a conhecer foi para mim uma prodigiosa fonte de efabulação: todas as minhas ficções passavam por ela, como um rio passa sempre pelas suas margens.
Agora que me morreu e nada mais conservo que a sua memória, os retratos e uma urna de cinzas no armário da sala, sou obrigado a repensar toda a minha forma de escrever. –  Menos efabulação e mais detalhes do real são os caminhos que terei de seguir.
Sei que vou ter outras oportunidades, pois o tempo dá-nos couraças e levanta-nos sempre do chão. Poderei então escrever com sinceridade, dando às palavras o significado exacto do que é pensado e sentido. Até lá, enquanto a crise não passar, vou-me ficando pelas histórias do costume. Mentindo.

sexta-feira, agosto 10, 2012

DÍSTICOS PARA FUTURAS HISTÓRIAS DE EDIFICAÇÃO MORAL - o quarto e último

Mentia quase sempre por omissão, e raramente por afirmação.
A mentira era nela uma arte suprema e especiosa, assim como um soneto barroco ou uma pintura de Miró.

quinta-feira, agosto 09, 2012

DÍSTICOS PARA FUTURAS HISTÓRIAS DE EDIFICAÇÃO MORAL - o terceiro

Trocou o pobre pelo rico, à espera de mesa farta e de lençóis de seda.
Foi desprezada pelo rico, e agora anda à procura de outro pobre que lhe dê consolo.

DÍSTICOS PARA FUTURAS HISTÓRIAS DE EDIFICAÇÃO MORAL - o segundo

Por des-graça do corpo ou perfeição da alma, não beneficiara do santo sacramento do matrimónio.
Como compensação, ungiu-se da missão de casamenteira: favorecer e organizar entre as pessoas do seu círculo muitas e boas uniões católicas.

quarta-feira, agosto 08, 2012

DÍSTICOS PARA FUTURAS HISTÓRIAS DE EDIFICAÇÃO MORAL - o primeiro

Serviu-se das relações amorosas para triunfar na vida, o que poderá ser visto como sinal de desonestidade.
Numa coisa, porém, foi sempre honesta: nunca abriu uma nova relação sem fechar a anterior.

domingo, agosto 05, 2012

LAOCOONTE

"Laocoonte", pintado por El Greco, c. 1610. National Art Gallery, Washington.
Em vão alertou os troianos para os perigos do cavalo de madeira deixado pelos gregos diante das muralhas de Tróia. Um justo trucidado por um deus cruel.

sábado, agosto 04, 2012

CLÁSSICOS

Grupo escultural - "Laocoonte e seus Filhos" - cuja autoria foi atribuída por Plínio a escultores de Rodes. Segunda metade do século I a.C. Museu do Vaticano.
Laocoonte, a quem a sorte dera
ser então sacerdote de Neptuno,
imolava em altar, o mais sagrado,
um fortíssimo touro. Mas de Ténedo,
pelas extensas águas do mar calmo,
vêm duas serpentes espantosas,
e com que horror te conto o que ali houve,
serpentes que se alongam nos abismos
e parelhas avançam para a margem;
de peito levantado sobre as vagas,
de sangrenta cabeça sobre as ondas,
o corpo lhes desliza pelo mar
numa ondulada força de seus dorsos.
Virgílio, Eneida, Livro II, tradução do latim de Agostinho da Silva.

Desireless, artiste voyageuse

quarta-feira, agosto 01, 2012

ÁRCADES

Os Gregos e os Latinos, que dia e noite não devemos largar das mãos, estes soberbos originais, são a única fonte de que manam boa odes, boas tragédias e excelentes epopeias.
Correia Garção - nome arcádico: Córidon Erimanteu - (Lisboa, 1724 - ib., 1772), Dissertação Terceira.

segunda-feira, julho 30, 2012

"FEDRA" de Racine, um palimpsesto

Palimpsesto é, segundo o dicionário Houaiss, um “papiro ou pergaminho cujo texto primitivo foi raspado para dar lugar a outro.” 
O conceito liga-se em literatura ao de intertextualidade, a possibilidade infinita de os textos dialogarem com outros textos. Escreveu Fernando Pessoa/Ricardo Reis: “Deve haver, no mais pequeno poema de um poeta, qualquer coisa por onde se note que existiu Homero.”
Fedra de Racine é um desses pergaminhos em que se escreveu sobre textos “raspados” de Eurípedes, Sófocles, Séneca e de toda a vasta tradição oral dos antiquíssimos mitos.
Se Thomas de Quincey via o cérebro humano como um palimpsesto (sobreposição de inumeráveis camadas de ideias, imagens e sentimentos), Baudelaire apontava nos Paraísos Artificiais a diferença entre este palimpsesto da criação divina e o literário: o caos fantástico e grotesco do primeiro face à fatalidade artística e harmoniosa do segundo.
 

quarta-feira, julho 25, 2012

A DEUS O QUE É DE CÉSAR

"Este governo é profundamente corrupto" - D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas.
Diabinhos negros... Vade retro Satana!

terça-feira, julho 24, 2012

"QUE SE LIXEM AS ELEIÇÕES"

A declaração de Passos Coelho é surpreendente e definidora da conta em que tem o povo português. Surpreendente porque introduz no discurso político mais uma bastardia lexical (longe vai o tempo em que os chefes da Nação se guiavam por padrões rigorosos de linguagem, quando saíam formados por Coimbra e outras universidades prestigiadas e não por escolas de vão de escada como as Lusíadas, as Lusófonas e outras que tais); definidora da conta em que tem o povo que o elegeu porque admite que esse mesmo povo possa ser capaz, naturalmente por estupidez, de não reconhecer o seu bom trabalho ao serviço da causa pública.
Se Passos e a sua trupe estão a fazer (e continuarão a fazer) um bom trabalho para salvar o País, se o povo o não reconhece e vai dar os votos aos Seguros, aos Jerónimos e aos Loucãs, então é porque o povo é estúpido ou não age como gente de bem. Pérolas a porcos, é o que Passos quer dizer.
Só que Passos não desiste. As forças de bloqueio em tempos invocadas  pelo pior presidente da república que Portugal já teve não o demoverão da sua missão! E essa missão é: pagar rapidamente e até ao último cêntimo os empréstimos e juros que são devidos à banca internacional – nem que para isso tenha de reduzir o povo à miséria e perder as próximas eleições. De facto, que interesse pode ter uma mísera vitória eleitoral num país pobre e atrasado se é possível aspirar a uma mais alta carreira fora da choldra? No FMI, no BCE, em Berlim, Frankfurt ou Nova Iorque há lugares que esperam pelos serventuários do capital financeiro internacional. Aqueles que, com as suas políticas, mandam o povo para o desemprego, nunca conhecerão em si semelhante flagelo. Portanto, QUE SE LIXEM AS ELEIÇÕES!

domingo, julho 22, 2012

SÃO PAULO, 22 DE JULHO DE 2010 - HÁ DOIS ANOS, NO OUTRO TEMPO

Museu da Língua Portuguesa
No mercado: o peixe
O almoço do bandeirante
 Pessoa no Museu da Língua Portuguesa
A catedral e o apóstolo
Autobiografices

sábado, julho 21, 2012

ENQUANTO NÃO CHEGAM OS JOGOS OLÍMPICOS...



A atleta australiana Michelle Jenneke - 100 m. barreiras - nos Mundiais de Juniores em Barcelona.
Um aquecimento perfeito e uma grande prova. 

quinta-feira, julho 19, 2012

NA ENCRUZILHADA

Álvaro Cunhal (1913-2005)
A humanidade chegou a uma encruzilhada. O momento não é favorável a longas hesitações. Cada qual tem que escolher um caminho: para um lado ou para o outro.
(…)
Aos homens cabe escolher e decidir.
(…)
Alguns desses homens afastam-se prudentemente, monologando acerca dos horrores da luta travada.
(…)
Afinal, essa fuga traduz uma escolha em frente da encruzilhada. Porque esses homens não se calam; antes aconselham os outros a irem ter com eles. São os cansados que pregam o cansaço. Os desalentados que pregam o desalento. Os solitários que pregam a solidão.
(…)
e ajeitam-se na incómoda posição de José Régio:
“Vergo a cabeça sobre o peito
Concentro os olhos sobre o umbigo”
(Encruzilhadas de Deus, Mitologia)
(…)
Entretanto esses solitários vão cantando o próprio umbigo, esquecendo que, assim, se servem do canto para servir os seus fins. Pois
… “bem sei que sou o meu único fim”
(José Régio – id., Poema do Silêncio)
(…)
Precisamente porque se está numa encruzilhada; precisamente porque a sorte de milhares de homens depende do caminho que será seguido; as atenções de todos aqueles que sentem a gravidade e importância  (…) dos momentos presentes, se concentram na possível saída do embaraço. Homens que assim sintam, apreciam e julgam as “obras do espírito” (e em particular as obras de arte) pelo que elas podem influir na direcção futura da humanidade. Da mesma forma, artistas que assim sintam, fazem naturalmente reflectir nas suas produções artísticas as preocupações que os obcecam. A única diferença entre estes artistas e os artistas solitários é que, enquanto a obcecação destes é o próprio umbigo, a daqueles é a sorte da humanidade.
(…)
--- ÁLVARO CUNHAL, Seara Nova, nº 615 de 27-5-1939, pp. 285-287.

quarta-feira, julho 11, 2012

JOSÉ RÉGIO (1901-1969) E O SEU REGATO DE NARCISO

... Não porque não viajasse! O mundo é vasto
Mas repete-se, e é fácil esgotá-lo…
Se uma vez viste o céu com olhar casto,
Que outro céu poderá ultrapassá-lo?
(…)
E em tudo, o que vi eu? Um homem!: eu;
Eu…, – que alonguei meu metro e tal de altura
Às infinitas amplidões do céu
E ao ventre a arder da Madre Terra obscura ;
(…)
Que o nada do meu nada é que me é tudo!
(…)
Na voz do mar só me ouço a mim, que choro;
Nos lamentos do vento, a mim me escuto;
Sei ver o luto e a dor…, mas que deploro
Na alheia dor senão meu próprio luto?
(…)
Eis-me…!... Mas quando, como, onde, buscando
No meu regato de Narciso (…)
(…)
Nesta ora adoração do próprio umbigo
(…)

Do poema "Sarça Ardente", último livro de As Encruzilhadas de Deus

segunda-feira, julho 09, 2012

AS GORDURAS DO ESTADO E O DÉFICE


Se os economistas e outros mestres do oculto não conseguem resolver o problema, recorram a nutricionistas ou comprem as pastilhas na farmácia. Aspirem as gorduras, e não venham morder mais no músculo de quem trabalha.

sexta-feira, julho 06, 2012

JOANA EMÍDIO MARQUES


Gosto muito destes cabides.

PALÁCIO RATTON - Uma jóia arquitectónica

Construído entre 1816 e 1822, o Palácio Ratton deve o nome a Diogo Ratton (1765-1822), seu primeiro proprietário, um importante industrial descendente de empreendedores que vieram para Portugal a coberto da política activa de desenvolvimento económico prosseguida pelo Marquês de Pombal.
Em estilo neoclássico de influência francesa, constitui um belo exemplar da arquitectura lisboeta.
Alberga hoje o Tribunal Constitucional, instituição que, segundo se diz, a troika pretende avaliar numa das suas próximas deslocações a Lisboa.