quinta-feira, setembro 27, 2012

FRASES DA SEMANA


“Estou-te a ver, mas não me filmas a cara.”
Segurança (ameaçador) de Passos Coelho para um operador de câmara da TVI – Instituto de Ciências Sociais e Políticas, homenagem a Adriano Moreira.

“Esta ministra da Justiça já deu provas de perceber tanto de Estado de Direito como eu de física quântica.”
Isabel Moreira, deputada do PS, a propósito de declarações da dita ministra.

sábado, setembro 22, 2012

AUSTERA, APAGADA E VIL TRISTEZA


No mais, Musa, no mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dhua austera, apagada e vil tristeza.

Os Lusíadas, X-145
 

EM BELÉM

O palácio
A guarda do palácio
A Calçada da Ajuda
Os cartazes
Revistando
Prendendo
Para a semana há mais

sexta-feira, setembro 21, 2012

PRAÇA AFONSO DE ALBUQUERQUE

A praça é bonita, cheia de reminiscências heróicas. Tem um jardim com quatro fontes, uma estátua de alto pedestal e um palácio pálido em frente. Uma inscrição num banco de pedra atesta a fundação, no local, do mítico C. F. Os Belenenses, agremiação desportiva a que pertenceram Vicente e Matateu. Bem próximo fica a loja dos pastéis de Belém, a fonte luminosa e o Mosteiro dos Jerónimos – um rendilhado de pedra que corre sério  risco de privatização. Hoje vou passear por lá ao fim do dia: é bom fruir a beleza dos jardins de Lisboa.

domingo, setembro 16, 2012

EM LISBOA, ONTEM


I - Um elemento policial limpando as pedras soltas dos paseios nas imediações da representação do FMI (clicando, poderá observar-se o pormenor: uma pedra na mão). Uma manifestação ia passar por ali e a polícia, sabe-se, não despreza os ensinamentos bíblicos: David matou o gigante Golias com uma pedrada (Livros históricos, 1 Samuel-17).
II - Cantar e manifestar-se: Xácara das Bruxas Dançando.
III - Resignação, diziam eles.

sábado, setembro 15, 2012

EM LISBOA

PRAÇA JOSÉ FONTANA, com o Jardim Henrique Lopes de Mendonça e o seu belo coreto, o edifício da antiga Escola de Medicina Veterinária e o mítico Liceu Camões. Às cinco da tarde de um sábado de Verão o calor deverá apertar. A las cinco de la tarde… A las cinco en punto de la tarde.

sexta-feira, setembro 14, 2012

TOMAR

Fotografias de 13-9-2012
 
(...) Gostaria que fosse
por uma manhã cálida de Novembro, ao expirar
do Outono,  com os salgueiros respirando,
nas margens do rio, a prosopopeia dum choro.
JOSÉ RAFAEL

quarta-feira, setembro 12, 2012

MODELOS ECONOMÉTRICOS

Um modelo econométrico em poder dos decisores políticos diz que  a redução da TSU das empresas em 5,75 pontos percentuais (tendo como  contrapartida um aumento ainda superior das contribuições dos trabalhadores) assegurará um crescimento do emprego, até 2015, entre 1 e 2%. Até 2015, espantoso resultado! Será que alguém de bom senso poderá levar isto a sério?

GATUNO


Definição do dicionário Houaiss:
adj. s. m. (1727 cf. RB) que ou aquele que furta; ladrão. ETIM. esp. gatuno ´relativo a gato`; ver gat-. SIN/VAR como subst.: ver sinonímia de larápio.
E já agora, sabem como se chama o gato do deputado Honório Novo? Ver em: 
 

domingo, setembro 09, 2012

"ELÓI" de João Gaspar Simões (1903-1987)

Exemplo de romance psicológico, subgénero em que o que verdadeiramente importa é o “subsolo humano”- a análise dos dados da consciência das personagens e a representação do seu tempo interior, aquilo a que Bergson chamou a durée.
Se o impressionismo literário e artístico surgiu como reacção à fotografia, diz-se que o romance psicológico é uma resposta  ao cinema (mudo): - o que o cinema não pode registar é a vida profunda de uma consciência.
Este livrinho está disponível em muitas bibliotecas: um trabalho interessante do nosso pater criticus, como lhe chamou Eduardo Lourenço, que afinal, além de crítico, foi também romancista.

quarta-feira, setembro 05, 2012

BREVE NOTA SOBRE O TEMPO EM QUE OS PASSOS ERAM MANUÉIS E NÃO COELHOS

Passos Manuel, retratado por Silveira Oeirense - Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto 

Tempo único na História do nosso século XIX.  Manuel da Silva Passos (1801-1862), que ficou conhecido por Passos Manuel, figura proeminente do governo setembrista (1836-1842), sobraçou as pastas do Reino, da Fazenda e da Justiça, realizando obra notável no sector da educação (criação de liceus, conservatórios, escolas politécnicas e academias), mas também nas finanças e na administração (publicação do novo código administrativo). Foi das figuras mais importantes da política liberal no segundo quartel do século XIX. Publicou obras de carácter político e jurídico.
Na minha modesta opinião, ainda está por nascer um novo Passos que lhe faça sombra.
(Fonte: Nova Enciclopédia Larousse)

segunda-feira, setembro 03, 2012

OS MAGOS


Ah! ah! ah!, deixem-me rir. Os magos sacodem as culpas. O trágico é que estes alquimistas despudorados (troika + governo), buscam a fórmula da pedra filosofal à custa da ruína económica de milhares de famílias.

sábado, setembro 01, 2012

POEMA A SÃO PAULO

Lembrei-me disto no outro dia, fui ver à página, e ainda lá estava. Corria 2006, ano para mim um pouco estranho. A cidade ainda a não conhecia, mas o romance sim ("As Horas Nuas" de Lygia Fagundes Telles) .

http://www.gargantadaserpente.com/450/poemas/246.shtml

terça-feira, agosto 28, 2012

CIÊNCIAS OCULTAS - OS MAGOS

Os magos das ciências ocultas da Economia estão de novo em Lisboa. O que é que falhou nas cartas (ou nos búzios?) dos videntes da troika para que a receita fiscal tenha sido diminuída em 3 mil milhões de euros?  O insuspeito Adriano Moreira já veio falar de “fadiga tributária”, e na universidade de Verão dos jotinhas  lembrou as quatro onças de ouro que D. Afonso Henriques prometeu pagar ao Papa, mas que, na realidade, nunca pagou. Uma mensagem velada para tão esclarecidos jovens?  Se a incompetência governamental e as ilusões neoliberais pagassem imposto, Gaspar e Coelho seriam políticos bem sucedidos porque o país teria um saudável superavit orçamental. Assim…

UM SONETO DE ANTERO - "IDEAL"

Aquela, que eu adoro, não é feita
De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas
Da antiga Vénus de cintura estreita...

Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortais entre ruinas,
Nem a Amazona, que se agarra às crinas
D'um corcel e combate satisfeita...

A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...

É como uma miragem, que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo...