ORNELLA MUTI, no papel de Odette de Crécy, em Un amour de Swann (1984) de Volker Schlöndorff. Adaptado de Proust, pois então.
quarta-feira, setembro 11, 2019
terça-feira, setembro 10, 2019
PINACOTECA
YASUO KUNIYOSHI (1889-1953), Circus Girl Resting (1925). Pintura exibida na "Advancing American Art", em 1946, exposição que reuniu 79 pinturas a óleo de 45 importantes artistas norte-americanos. A exposição viajou depois de Nova Yorque para Paris e Praga, onde obteve grande sucesso e polémica. O presidente Harry Truman criticou a orientação artística dominante, tendo proferido a propósito deste quadro a célebre declaração racista e reaccionária: « If that is art, then I am a Hottentot.»
sexta-feira, setembro 06, 2019
UM BANQUINHO...
«Pani Krysia, debruçada sobre a mesa de jantar, saia arregaçada, esticava os braços como se fosse uma cruz, fincando as mãos à toalha de renda. Com o peito espremido no tampo, erguia o queixo para o tecto como se visse o céu. Atrás dela, com os pés apoiados num banquinho, o presidente da Câmara trazia as calças pelos joelhos e dominava a beata puxando-a pelos atilhos do corpete.»
No capítulo seguinte é o escritor fictício que se pronuncia sobre a fabulação do seu relato: «O gajo não prestava, não valia nada! Um tipo daquele tamanho não chega aonde ele chegou sem se empoleirar. Há quem lhe chame canalhice, eu vi ali um banquinho, qual é o problema? Tens um banquinho, tens uma história.»
Este é um romance em que a história narrada se confronta com as motivações da narração, as fontes, o poder da fabulação, a angústia da criação, o real e o imaginário. Um bom romance, prémio Leya 2017.
quinta-feira, setembro 05, 2019
quarta-feira, setembro 04, 2019
ORDEEEEER!
NOT A GOOD START BORIS!, disse o incrível speaker John Bercow. Isto sim, vale a pena, não tem nada a ver com a pasmaceira enfatuada de S. Bento.
CINEMA PARAÍSO
Uma fantasia americana de 1946 dirigida por Frank Borzage. Apesar da "implausibilidade do argumento" e das "grotescas interpretações dos protagonistas" (João Bénard da Costa), é um filme que engaja o espectador no delírio, no conto de fadas, na música de Rachmaninoff com um invisível Rubinstein ao piano. Uma Catherine McLeod fabulosa e o final feliz que cai sempre bem. Passou ontem na Cinemateca.
terça-feira, setembro 03, 2019
PINACOTECA
PABLO PICASSO, Retrato de Dora Maar (1937). Mário Dionísio escreveu no prefácio de A Paleta e o Mundo: «A pintura moderna é obra de loucos? A pintura moderna é a verdadeira e única pintura? (...) A pintura moderna é uma parada de monstruosidades ou um encantador jogo decorativo? É uma arte requintada para raros conhecedores apenas ou o garatujar confrangedor de gente inepta e sem gosto?» -- As respostas são dadas ao longo de cinco volumes, 2ª edição pela Europa-América em 1973. Nova edição da Imprensa Nacional-Casa da Moeda em preparação.
domingo, setembro 01, 2019
DIÁRIO
Domingo a escutar a música radiofónica da vida. Aquilo que Amadeus Mozart aconselhou a Harry Haller, o lobo das estepes.
segunda-feira, agosto 26, 2019
GRANDE PLANO
LISE DANVERS no primeiro episódio de Contos Imorais (1973), de Walerian Borowczyk. Filme visto no desaparecido cinema Castil por alturas de 1975. Numa praia, um primo perverso e uma felação ao ritmo da subida da maré. Interessante.
domingo, agosto 25, 2019
NADA DE RESSENTIMENTOS

Agora que se vem falando de Salazar, do projecto de um museu, centro de interpretação, exposição biográfica, cenográfica ou antológica, quiçá multimédia e interactiva, conceitos bem conhecidos dos entendidos, chamem-se eles Irene Pimentel, Nogueira de Brito ou Zé da Silva, dou o meu contributo para a discussão com a parte final do poema "Portugal", de Jorge Sousa Braga:
«Portugal estás a ouvir-me? / Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete e Salazar estava no poder nada de ressentimentos / O meu irmão esteve na guerra tenho amigos que emigraram nada de ressentimentos / Um dia bebi vinagre nada de ressentimentos / Portugal depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas a nado na piscina municipal de Braga / ia agora propor-te um projecto eminentemente nacional / Que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho que Camões lá deixou / Portugal / Sabes de que cor são os meus olhos? / São castanhos como os da minha mãe / Portugal / gostava de te beijar muito apaixonadamente / na boca »
Este sim, seria um grande projecto! Com o beijo na boca e tudo.
sábado, agosto 24, 2019
DIÁRIO
Dei ontem com outra representação deplorável do poeta Sebastião da Gama, esta em espaço nobre de Vila Nogueira de Azeitão. Tirada polo natural a partir da fotografia na esplanada do forte do Portinho da Arrábida, dá-nos o artista, cujo nome não indaguei, uma espécie de figura serpentinata ao jeito de um maneirismo pós-moderno ou coisa que o valha.
A inauguração do conjunto foi feita em 2007 pelo PR Aníbal C. Silva.
A inauguração do conjunto foi feita em 2007 pelo PR Aníbal C. Silva.
quinta-feira, agosto 22, 2019
DIÁRIO
Almoço frugal, hoje, no exacto lugar
de onde tirei a foto. O mar e a serra. Aqui não há pardais, só gaivotas. Sebastião
da Gama: «Morreu no Mar a gaivota mais esbelta, / a que morava mais alto e
trespassava / de claridade as nuvens mais escuras com os olhos.» - "Elegia para uma gaivota", Campo Aberto (1951), livro dedicado a José Régio e a Virgílio Couto (professor que acompanhou o estágio pedagógico de Sebastião da Gama na Escola Veiga Beirão de Lisboa).
quinta-feira, agosto 15, 2019
DIÁRIO
A ler Siddharta, «um poema indiano». Ainda não escutei o Om, mas estou a gostar. Como diz o brâmane, é preciso pensar, esperar, jejuar. Não sei se bem, mas é o que tenho feito nestes últimos tempos.
terça-feira, agosto 13, 2019
PINACOTECA
PIETER BRUEGEL, o jovem (1564-1636), Festa de Casamento (1620). Quadro arrestado a Ricardo Salgado em exposição no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, Évora. Fotografia tirada hoje.
quinta-feira, agosto 08, 2019
quarta-feira, agosto 07, 2019
O QUE SE VÊ E OUVE NA TELEVISÃO
Sobre o
convite ao advogado PARDAL para ser vice-presidente do sindicato dos motoristas de mercadorias perigosas, diz um dos sindicalistas: o convite
surgiu por o dr. ser primo da minha esposa, também irmão de um motorista, etc.
Esta coisa
do “family gate”, de que o governo tem sido vastamente acusado, também se pega à
classe operária.
Tenho a
impressão de que isto só lá vai com a unicidade sindical.
segunda-feira, agosto 05, 2019
DIÁRIOS E SINCERIDADE
Hoje, veio-me este livro às mãos. É um conjunto de textos diarísticos que abre com o "Diário que Vergílio Ferreira escreveu para Regina Kasprzykowski"(19 de Julho a 14 de Outubro de 1944). E lembrei-me do que deixei escrito num trabalho académico de 2012. Citação:
« Vergílio Ferreira diz no diário que escreveu para Regina Kasprzykowsky (o que constitui uma curiosa derrogação do cânone do género, já que os escritos diarísticos, ainda que por vezes possam ter o próprio diário como interlocutor, costumam ser uma conversa do diarista consigo mesmo): Tu sabes que um diário é sempre falso. Nós somos quase sempre falsos até mesmo quando pensamos, porque o pensar é já desnudar-se uma pessoa perante si mesma. E no primeiro volume de Conta-corrente, regressa a este tema da sinceridade: Volto a isto - porquê? Um subtil ridículo de um "diário", da "confissão" - já o disse. Creio que a única possibilidade de me "pôr a nu" está no saldo de cada romance. O resto é pudor e consequente disfarce. Béatrice Didier vê a questão da sinceridade do diário íntimo como uma querela inútil: Le journal est insincère comme toute écriture; il a le privilège sur d´autres types d´écriture de pouvoir être doublement insincère, puisque, encore une fois, le "moi" est en même temps sujet et object.»
Pronto. Depois disto, é pensar se vale mesmo a pena escrever um diário.
« Vergílio Ferreira diz no diário que escreveu para Regina Kasprzykowsky (o que constitui uma curiosa derrogação do cânone do género, já que os escritos diarísticos, ainda que por vezes possam ter o próprio diário como interlocutor, costumam ser uma conversa do diarista consigo mesmo): Tu sabes que um diário é sempre falso. Nós somos quase sempre falsos até mesmo quando pensamos, porque o pensar é já desnudar-se uma pessoa perante si mesma. E no primeiro volume de Conta-corrente, regressa a este tema da sinceridade: Volto a isto - porquê? Um subtil ridículo de um "diário", da "confissão" - já o disse. Creio que a única possibilidade de me "pôr a nu" está no saldo de cada romance. O resto é pudor e consequente disfarce. Béatrice Didier vê a questão da sinceridade do diário íntimo como uma querela inútil: Le journal est insincère comme toute écriture; il a le privilège sur d´autres types d´écriture de pouvoir être doublement insincère, puisque, encore une fois, le "moi" est en même temps sujet et object.»
Pronto. Depois disto, é pensar se vale mesmo a pena escrever um diário.
sábado, agosto 03, 2019
DIÁRIO
No Parque Urbano da Quinta das Conchas, cidade de Lisboa, cuja obra de qualificação recebeu os Prémios Valmor e Municipal de Arquitectura 2005. É o que se lê numa placa que por lá se encontra, enquanto outra, não menos interessante, lembra ter sido inaugurado pelo edil Santana Lopes. As voltas que, depois disso, já o homem deu! Tirando algumas espécies infestantes, é um lugar ameno, quase poético. A poesia, afinal, é dentro de nós que está, e não nas árvores, nos relvados ou nos lagos. Deu para três quartos de hora de leitura: O Lobo das Estepes, de Hermann Hesse.
=Foto de 3-8-2019=
quinta-feira, agosto 01, 2019
«Ó SORRISO DO MAR! Ó BÚZIO LONGO»
Representação de Sebastião da Gama no terraço do forte de Santa Maria da Arrábida. Trabalho um bocado risível, feito a partir de uma fotografia de 1947. O forte foi alugado em 1932 a Sebastião Leal da Gama, pai do poeta, para instalação de um restaurante e, mais tarde, uma pousada. Frequentado desde os dez anos pelo autor de Serra-Mãe, ali terão sido escritos alguns dos seus poemas.
=Fotos de 31-7-2019=
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