sábado, junho 10, 2017
quinta-feira, junho 08, 2017
PRÉMIO CAMÕES
(...)
Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.
(...)
MANUEL ALEGRE, O Canto e as Armas, "Poemarma"
Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.
(...)
MANUEL ALEGRE, O Canto e as Armas, "Poemarma"
segunda-feira, junho 05, 2017
CINEMA PARAÍSO
Belle de Jour (1957), de Luis Buñuel, com Chaterine Deneuve. Amanhã às 21:30 na Cinemateca Portuguesa.
FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO (6)
GUSTAV KLIMT, Danae (1907)
A casa parada, o pó sobre os móveis e os tapetes húmidos, um
vento súbito metendo-se pelas frinchas das portas e janelas, o desafio. É
tarde, tão tarde que a casa hesita nos alicerces de pedra e sonho, como se aquele
fosse um falso vento e ali chegasse fora de horas por um insondável desvario
atmosférico. São sempre horas de encher a casa de palavras, de arrancar das
paredes as velhas fotografias silenciosas, de descobrir devagar o sentido ignorado
das coisas. A casa é, agora, um lugar de esperança.
sexta-feira, maio 26, 2017
quinta-feira, maio 25, 2017
POESIA CLANDESTINA
Apócrifa, projecto
literário em curso – antologia desta revista de poetas com um prefácio de João Barrento.
Em venda no bar/clube nocturno TITANIC SUR MER, Cais da Ribeira Nova, ao Cais
do Sodré, onde, às terças-feiras, há “poesia clandestina” com personagens condizentes. O programa pode ser visto aqui:
De um poema de ELSA OLIVEIRA, “A
Cesariny”:
«Conheci-te em Elsinore.
A desmesura dos teus passos cruzou-se acidentalmente
com a embriaguez dos meus,
e eu achei que era belo tropeçar
para a estética gargalhada geral.» (...)
quarta-feira, maio 24, 2017
THE 13th LETTER (1950), de Otto Preminger
Ontem, mais um fabuloso Preminger na Cinemateca. Na imagem, as cabeças do elenco: Linda Darnell (1923-1965) e Michael Rennie (1909-1971).
terça-feira, maio 23, 2017
A REALIDADE DA FICÇÃO
Exposição patente na Sociedade Nacional de Belas-Artes. João Motta (1949), que se define como "sintetizador cultural", estabelece pontes entre diferentes formas de expressão criativa, a política internacional e a consciência. O resultado aponta para o conceito de "instalação", os diversos trabalhos expostos dialogando entre si e como "actores" de dois filmes interpelantes: Human Characters e Earth 2. Não dá para explicar com mais clareza, o melhor, mesmo, é ir ver.
sexta-feira, maio 19, 2017
BONJOUR TRISTESSE (1958), DE OTTO PREMINGER
Passou hoje na Cinemateca, a
estupenda Jean Seberg no papel principal – um anjo louro, tocado pelo pecado, num éden da
riviera francesa. Script baseado no livro de Françoise Sagan e, talvez por isso,
só em 1974, dezasseis anos após a sua estreia mundial, pôde ser exibido em
Portugal. Ainda com Juliette Greco, David Niven e Deborah Kerr. Muito
bom.
quinta-feira, maio 18, 2017
TABERNA ANTI-DANTAS
Na Rua de São José, em Lisboa
MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!
José de Almada-Negreiros
poeta d´Orpheu
Futurista
e
tudo
quarta-feira, maio 17, 2017
A COR E O AMOR
O Nosso Amor (2012), óleo sobre tela, 100x100cms.
Da exposição retrospectiva de ANTÓNIO CARMO (1949) na Biblioteca Nacional, Maio a Agosto de 2017.
domingo, maio 14, 2017
FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO (5)

«Algum dia o poema será a buganvília / pendente deste muro da Calçada da Graça. / Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família, / e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.» Só que a buganvília da fotografia, se é que é mesmo buganvília, não atapeta o passeio da Calçada da Graça, mas o tejadilho de um automóvel estacionado no passeio da Calçada da Tapada, perto da Rua da Creche, caminho da Igreja de Alcântara, numa tarde de luz sob um pálio movente de nuvens esparsas. É tudo tão singular quando chamamos as buganvílias em nosso auxílio. «Mas antes desse dia há-de secar a buganvília», diz o poeta, e também há-de acabar a Calçada da Tapada, o automóvel, o muro e o gradeamento que cavalga o muro, digo eu. «Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso / que é o mais leve de tudo que se pode supor, / será esse o momento de o poema ser flor, / mas já não é preciso.»
--- Os versos citados são de ANTÓNIO GEDEÃO, Linhas de Força, "Poema da buganvília".
sexta-feira, maio 12, 2017
FÉ, ESPECTÁCULO E INDIGNAÇÃO
Na “Introdução
à leitura de Confissão dum Homem
Religioso”, obra de José Régio, escreveu Orlando Taipa: «Visitara Portalegre, em 12 de
Maio desse ano [1947], a imagem peregrina
de Nossa Senhora de Fátima e pareceram-lhe [a ele, José Régio] tão
descomandadas as manifestações com o mais grosseiro feiticismo, o mais chão
paganismo, a mais rasteira idolatria – desde o ridículo dos programas que
anunciavam a visita até às arengas de certo frade franciscano – , que deveras
se indignou.» Hoje – 100 anos depois das aparições
– o espectáculo grotesco que é fornecido pelos canais de
televisão (ávidos de audiências) rivaliza com as arengas
sobre o milagre obrado pelos pastorinhos na criancinha brasileira, enquanto as figuras cimeiras
do estado (laico) se ajoelham ante o jesuíta Bergoglio e a sua cúria. Com o devido respeito pelos crentes, continua a haver motivo de indignação.
terça-feira, maio 09, 2017
segunda-feira, maio 08, 2017
THE CIRCLE (2017)

O poder das redes sociais da
Internet, à escala global, sem possibilidade de regulamentação pelos estados
nacionais. E se, de repente, os utilizadores da rede passassem a andar com uma
microcâmara ao peito, tornando “transparentes” os detalhes da suas vidas
quotidianas? E se a própria rede pudesse servir para o exercício do direito de voto, substituindo os serviços
públicos na organização das eleições? Um filme que se vê com interesse.
domingo, maio 07, 2017
NA CARTOON XIRA - EXPOSIÇÃO ATÉ 28 DE MAIO
Este ano com
uma ala dedicada a Quino, o criador de Mafalda
– a menina que odeia sopa e adora os
Beatles – e também dos seus companheiros
Manolito, Felipe, Susanita e Liberdade.
sábado, maio 06, 2017
ALEXANDRE O´NEILL
Com Alexandre O´Neill, na passada quinta-feira, no bar-livraria "Menina e Moça". Um poeta que entrou na língua portuguesa, disse Clara Ferreira Alves.
O adjectivo
dá-me de comer.
Se não fora ele
o que houvera de ser?
Vivo de acrescentar às coisas
o que elas não são.
Mas é por cálculo,
não por ilusão.
----- Do livro De Ombro na Ombreira (1969)
quarta-feira, maio 03, 2017
M. K. TCHIURLIONIS (Varena-Lituânia,1875 - Pusteinik-Polónia,1911)
Sonata das Estrelas (1908), Museu de Arte da Lituânia
«Tchiurlionis (...) foi "um abstracto sete anos antes de Kandinsky, um pintor metafísico dez anos antes da pintura metafísica e um surrealista vinte anos antes do manifesto surrealista".»
---- MÁRIO DIONÍSIO, Colóquio Artes e Letras, nº 17, Fevereiro de 1962.
segunda-feira, maio 01, 2017
sexta-feira, abril 28, 2017
O QUE ELES DIZEM
Não há mais elegante delineio da Natureza que aquela abençoada fenda, sulcada em macios conchegos, figurando duas mãos que rezam, unidas ao alto, entrada de catedral, gasalho de mistério.
--- MÁRIO DE CARVALHO, Ronda das Mil Belas em Frol (2016).
retrato oval da virtude,
consoladora do triste,
remanso, beatitude
para o colérico em riste.
--- ALEXANDRE O´NEILL, Poemas com Endereço (1962).
quinta-feira, abril 27, 2017
DON JUAN
O Sedutor de Sevilha e o Convidado de Pedra, texto fundador do mito de Don Juan. Na língua original, El Burlador de Sevilla, o que demonstra que o catálogo de mulheres não se constituía pela aquiescência das mesmas, mas pelo engano a que eram levadas. Foi assim com Isabela, com a pescadora Tisbea, com D. Ana ou com a inocente Aminta na noite que deveria ter sido das suas núpcias. Releitura a propósito do último livro de Mário de Carvalho, Ronda das Mil Belas em Frol, e de algumas ideias que vejo formarem-se em espíritos menos avisados. O narrador das Mil Belas não é um Don Juan, embora o autor nos dê uma epígrafe retirada do libreto de Don Giovanni, de Mozart. Ainda sobre o incómodo que estes contos parecem ter gerado em alguns leitores, veja-se o que publiquei em www.comolhosdeler.blogspot.com. Há 90 anos, José Régio estava mais avançado do que certos "críticos" do século XXI. A distinção entre "literatura viva" e "literatura livresca" ainda não é, hoje, um dado adquirido. Posto isto...terça-feira, abril 25, 2017
JORNAIS DE ANTANHO
Jornal Globo, fundado por Bento de Jesus Caraça e José Rodrigues Miguéis. De efémera existência - dois números, apenas, saídos em Novembro de 1933 -, publicou um artigo não assinado "O velho Marrocos visto por um escritor novo" contra uma crónica de viagem de Ferreira de Castro na edição de O Século de 16 de Setembro do mesmo ano. Estou a tentar avaliar o caso.
sexta-feira, abril 21, 2017
RELEITURAS
Edição em que se inclui o ensaio de 1953 "Caracterização da Presença ou as Definições Involuntárias", no qual David Mourão-Ferreira sustenta o provincialismo dos escritores do movimento da Presença.
quarta-feira, abril 19, 2017
ORA NUMA NOITE DE LUAR MEDONHO
Capa da 2º edição corrigida, de 1943 (Portugália Editora), dos Poemas de Deus e do Diabo, aquela em que surge o posfácio "Um trecho das minhas memórias críticas", depois sucessivamente reformulado por José Régio até à sua versão final de 1969.
quarta-feira, abril 12, 2017
A TORRE DE ANTO
Torre do Prior do Ameal, fazia parte das muralhas de Coimbra, tendo sido transformada em habitação no princípio do século XVI. Nela morou António Nobre (Anto), o poeta do "Só".
«Ouvi estes carmes que eu compus no exílio, / Ouvi-os vós todos, meus bons Portugueses! / Pelo cair das folhas, o melhor dos meses, / Mas, tende cautela, não vos faça mal... / Que é o livro mais triste que há em Portugal.»
(Fotos de 9-4-2017)
(Fotos de 9-4-2017)
quarta-feira, abril 05, 2017
ALMADA NEGREIROS
Os belos desenhos de Almada nas capas da presença. Há mais dois: no nº 38, de Abril de 1933, e no nº 48, de Julho de 1936. Nenhum deles se encontra na actual exposição da Gulbenkian.
quarta-feira, março 29, 2017
ALICE NAS CIDADES (1974), DE WIM WENDERS
«Quando Philip, num jogo com Alice, escolhe a palavra "sonho", ela protesta que "só vale coisas que existam". Do outro lado do espelho, Alice lança esta displicente questão infantil ao seu pai adoptivo e temporário: o sonho é uma coisa que existe? O sonho americano, por exemplo, o sonho da paisagem americana, da sua mitologia, do seu cinema, o sonho de uma deriva feliz, de imagens verdadeiras, o sonho de uma família. São isso "coisas que existem"?»
--- Pedro Mexia, folha de sala. Em exibição no cinema Nimas.
terça-feira, março 28, 2017
FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO (4)
Queria
conhecê-la, intimamente conhecê-la, como Ruy Belo queria conhecer a rapariga
estendida ao sol num relvado de Cambridge. Queria inclinar-me sobre o ângulo do
seu ombro e vê-la a ler estendida num relvado ao sol como a rapariga de Cambridge.
O meu reino pela rapariga que não é a rapariga de Cambridge. Queria conhecê-la,
mas isso, se calhar, talvez não seja possível. A rapariga que eu queria
conhecer, intimamente conhecer, não é fotografia de bilhete postal como a
rapariga de Cambridge que Ruy Belo queria conhecer mas nunca conheceu. A fotografia
de um bilhete postal não é igual à realidade e a realidade é às vezes mais
incompreensível que o sonho.
domingo, março 26, 2017
DOMINGO DE CHUVA
A chuva
enlaça-se ao domingo,
ávida noiva
perturbada:
cinge-lhe os
rins, desfaz-lhe o cinto,
numa volúpia
toda de água…
(…)
DAVID
MOURÃO-FERREIRA, Os Quatro Cantos do
Tempo [1953-1958]
sexta-feira, março 24, 2017
CARLOS DE OLIVEIRA (Belém do Pará, 1921 - Lisboa, 1981)
Na exposição “CARLOS DE OLIVEIRA: a
parte submersa do iceberg” – no Museu do Neo-Realismo até 29 de Outubro de 2017
– um móvel com fotografias da Gândara e vários livros: entre os autores, Ilse
Losa, Cecília Meireles, Ferreira de Castro e Afonso Ribeiro.
=Fotos de 23-3-2017=
quinta-feira, março 16, 2017
JOSÉ BACELAR (1900-1960)
Colaborador da Seara Nova, autor do ensaio Da viabidade do romance português de interesse universal (1939) e de considerável obra bibliográfica, colaborou na presença nos números 52, 1 e 2 da segunda série, respectivamente de Julho de1938, Novembro de 1939 e Fevereiro de1940. No número de 1938 publicou estas "72 anotações à margem da vida quotidiana", dedicadas a José Régio. -- Três delas: O elogio é sempre benéfico - excepto quando corrompe; Ser filósofo é afinal saber encontrar uma faceta vantajosa em cada escravidão; Se queres ser profundo, aprende a pensar à beira do paradoxo. -- José Régio tinha em grande consideração o seu perfil intelectual e o seu ensaísmo muito peculiar.
quinta-feira, março 09, 2017
DIREITOS DA MULHER - CONVERSA OUVIDA NO COMBOIO
PICASSO, Retrato de mulher
«Era
o Dia da Mulher e eu pensei, Hoje não vou fazer nada em casa. Tinha sobrado um
bocado de carne com esparguete, era só aquecer no micro-ondas, mas nem isso me
apetecia fazer. Só que ele estava tão atrapalhado com a apresentação das contas
do condomínio, tinha de estar na reunião às nove e meia, que eu disse, Vamos
jantar que eu vou já aquecer a comida e pôr a mesa. Acabámos de comer e eu
pus-me a lavar a loiça, Já estou a fazer o que não devia, disse, e ele ficou a
olhar para mim muito admirado, via-se mesmo o que estava a pensar, Se calhar
querias que fosse eu a ir lavar a loiça, era o que faltava…»
terça-feira, março 07, 2017
LA DERNIÈRE CLASSE
La dernière classe – Récit
d’ un petit alsacien, conto de Alphonse Daudet referido por
Antonio Tabucchi em Afirma Pereira.* Anexadas a Alsácia e a Lorena no termo
da Guerra Franco-Prussiana (1870-1871), é determinado por Berlim que cesse nas
escolas o ensino do francês, dando lugar à língua alemã. O professor Hamel dá a
sua última aula de francês com a solenidade que o momento exige, deixando como
derradeira inscrição no quadro negro da sala o grito patriótico VIVE LA FRANCE!
O pequeno Franz viu e contou. Pelo meio, uma citação de Frédéric Mistral: «S´il tient sa langue, - il tient la clé que de ses chaînes le délivre.»
*
Afirma Pereira, de Antono Tabucchi,
em discussão na Comunidade de Leitores da Biblioteca José Saramago, Feijó
(Almada), no próximo sábado.
domingo, março 05, 2017
ANTÍGONA
Antígona
afrontou com coragem o poder tirânico de Creonte em Tebas. O discurso do vómito
polaco no Parlamento Europeu ignora a tradição ocidental, abundante de mulheres
fortes, grandes e inteligentes como a filha de Édipo e Jocasta. É verdade que é
um mito, mas, como disse Pessoa na Mensagem,
«o mito é o nada que é tudo.»
quinta-feira, março 02, 2017
LUBITSCH AMERICANO
Retrospectiva da obra americana de
Ernst Lubitsch durante os meses de Março e Abril na Cinemateca Portuguesa. O
realizador alemão chegou a Hollywood em finais de 1922. Vi hoje O Céu Pode Esperar (1943) com a
fulgurante Gene Tierney (Martha) no papel principal. Uma comédia sobre o julgamento da vida de um homem comum (um anti-herói) no tribunal do além. Deus ou o Diabo, qual dos dois deve ficar com ele?
quarta-feira, março 01, 2017
FRAUTA MINHA, QUE TANGENDO (3)
O amor é um work in progress. Anda-se para a frente e para trás, vagando e circunvagando, como uma maré ou um vento. A razão aparece nos umbrais do tempo. Vem ínvia de carnes e rotunda de pensamentos, cobre-se de roupa, tapa-se até ao anel do pescoço, escondendo a nudez da paixão e o natural dos sentimentos. A razão fere e mata o amor como uma lâmina ou um veneno.
PAOLO VERONESE (1528-1588), Vénus desarmando Cupido (c. 1555), óleo sobre tela, Worcester Art Museum
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