O Nosso Amor (2012), óleo sobre tela, 100x100cms.
Da exposição retrospectiva de ANTÓNIO CARMO (1949) na Biblioteca Nacional, Maio a Agosto de 2017.
Quando se pagavam os versos a peso de ouro por Augusto César, que sabe Deus se seria, ou não seria, era porque era um só Virgílio o que poetizava; mas hoje que se comutaram a poetas todas as sete pragas do Egipto, quem quereis vós que os farte, quanto mais que os enriqueça? --- D. Francisco Manuel de Melo, "Hospital das Letras".


O Sedutor de Sevilha e o Convidado de Pedra, texto fundador do mito de Don Juan. Na língua original, El Burlador de Sevilla, o que demonstra que o catálogo de mulheres não se constituía pela aquiescência das mesmas, mas pelo engano a que eram levadas. Foi assim com Isabela, com a pescadora Tisbea, com D. Ana ou com a inocente Aminta na noite que deveria ter sido das suas núpcias. Releitura a propósito do último livro de Mário de Carvalho, Ronda das Mil Belas em Frol, e de algumas ideias que vejo formarem-se em espíritos menos avisados. O narrador das Mil Belas não é um Don Juan, embora o autor nos dê uma epígrafe retirada do libreto de Don Giovanni, de Mozart. Ainda sobre o incómodo que estes contos parecem ter gerado em alguns leitores, veja-se o que publiquei em www.comolhosdeler.blogspot.com. Há 90 anos, José Régio estava mais avançado do que certos "críticos" do século XXI. A distinção entre "literatura viva" e "literatura livresca" ainda não é, hoje, um dado adquirido. Posto isto...